quarta-feira, 2 de março de 2016

Hebreus 7 1-28 - MELQUISEDEQUE - FIGURA ENCARNADA DO PRÓPRIO SENHOR JESUS?

Como dissemos, a epístola de Hebreus foi escrita, provavelmente, antes de 70 d.C., com a finalidade de incentivar a fidelidade a Cristo e à sua nova aliança mostrando que ele é o novo, último e superior sumo sacerdote. Estamos vendo o capítulo 7/13.
Breve síntese do capítulo 7.
Estou sem palavras! De onde, se não do Espírito Santo, este autor tirou tudo isso? Que sabedoria e que profundidade. Estou boquiaberto e, mesmo, sem palavras. Não tenho como comentar algo tão superior. Somente o Espírito Santo para nos ajudar a crer e a entender.
Alguns interpretam este Melquisedeque como uma figura pré-encarnada do próprio Senhor Jesus, mas há quem discorde por causa de alguns problemas, como por exemplo como ele poderia ser semelhante ao Filho? Ora, não seria semelhante, mas seria o próprio Filho.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
III. CRISTO É SUPERIOR A ARÃO (4.14-7.28) - continuação.
Como dissemos, o eterno sumo sacerdócio de Cristo é muito superior ao sumo sacerdócio temporário dado a Arão e a sua família.  Dos vs. 4.14 ao 7.28, veremos que Cristo é superior a Arão.
Para isso, dividimos essa parte III em 4 seções, conforme a BEG: A. Cristo, o eterno sumo sacerdote (4.14-5.10) – já vimos; B. Exortação à maturidade espiritual (5.11-6.12) – concluiremos agora; C. Um sacerdote eterno por juramento divino (6.13-20); e, D. Um sacerdote eterno da ordem de Melquisedeque (7.1-28).
D. Um sacerdote eterno da ordem de Melquisedeque (7.1-28).
Veremos nos 28 próximos versículos o eterno sacerdócio de Cristo após a ordem de Melquisedeque.
A maravilhosa promessa em SI 110.4 de um sacerdote real como Melquisedeque foi cumprida em Jesus Cristo. O eterno sumo sacerdócio de Jesus é explicado em duas passagens do Antigo Testamento que mencionam Melquisedeque: Gn 14.17-20 (vs. 1-10) e SI 110.4 (vs.11-28).
A apresentação de Melquisedeque enfatiza que ele era tanto rei como sacerdote. Como tal, Melquisedeque foi um tipo de Cristo, enquanto Jesus é o último rei e sumo sacerdote. Salém é provavelmente o nome antigo de Jerusalém (SI 76.2).
No hebraico, o nome Melquisedeque é composto por duas partes: melek, que significa "Rei", e tsedek, que significa "justiça". Assim, o nome significa "o rei da justiça", um nome apropriado para um tipo de Cristo.
Enquanto os sacerdotes eram normalmente legitimados por estarem localizados numa linha genealógica, Melquisedeque aparece na Escritura sem ascendentes, descendentes ou informações a respeito de seu nascimento ou morte.
Isso não significa que Melquisedeque não tinha ascendente e nem indica que ele não tinha mãe ou um túmulo. Na verdade, o autor fez uso dessas frases para indicar que Melquisedeque não tinha o direito genealógico de ser chamado de sacerdote do Senhor.
Ele foi um homem que Deus designou como sacerdote real (7.13-28). A singularidade do sacerdócio de Melquisedeque prenunciou Cristo e seu sacerdócio especial.
Alguns acreditam que Melquisedeque foi um aparecimento pré-encarnado de Cristo. Isso é improvável desde que são usados termos de comparação e analogia: primeiro Melquisedeque é descrito como sendo "semelhante ao Filho de Deus" (uma comparação do Filho com ele mesmo seria estranha). Segundo, o Filho se tornou um sacerdote "segundo a ordem de Melquisedeque" (6.20) somente mais tarde, mediante a sua encarnação, morte expiatória e exaltação.
Além do mais, em Gn 14 Melquisedeque é apresentado como alguém que tinha uma posição política reconhecida (rei de Salem).
Duas ações demonstram a superioridade sacerdotal de Melquisedeque sobre os descendentes levitas de Abraão: Abraão pagou o dizimo para Melquisedeque (vs. 4-6,8-10), e Melquisedeque abençoou Abraão (vs. 6-7).
Os sacerdotes levitas herdaram o direito de cobrar (ou seja, recolher o dízimo) até mesmo dos descendentes de Abraão (Nm 18.21-29).
Conceder bênçãos, assim como receber o dízimo, demonstrava claramente superioridade - nesse caso, a superioridade de Melquisedeque sobre Abraão.
Os que são "homens mortais" – vs. 8 - são os levitas, cujo ofício e autoridade eram transmitidos pela descendência e herança em associação com as provisões da lei (vs. 5): o sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, no entanto, é tido como aquele que "vive".
A declaração de que ele está vivo encontra-se em SI 110.4, citado em Hb 5.6 e que retornou ao primeiro plano com as alusões em 6.20; 7.3. A importância dessa declaração, ou "juramento" (vs. 21), é explicada nos vs. 20-22.
O argumento aqui quando diz que “pagou-os na pessoa de Abraão” – vs. 9 - não depende simplesmente do relacionamento genealógico, como se fosse possível dizer de qualquer pessoa que ela participa das ações dos seus ancestrais.
Ao contrário, depende da posição representativa de Abraão como o progenitor de um sistema sacerdotal baseado na descendência genealógica. Afinal de contas, quando Melquisedeque se encontrou com Abraão, Levi ainda estava no corpo do seu antepassado. Ele seria seu bisneto algum tempo depois.
Se, portanto, a perfeição houvera sido, em outras palavras, se o sacerdócio levítico pudesse dar às pessoas permanente e livre acesso a Deus, não seria necessário outro sacerdócio, segundo a ordem de Melquisedeque.
Como em 4.8; 8.7, o autor argumentou que certas promessas no Antigo Testamento indicam que a lei, como foi dada a Moisés, nunca foi intencionada para ser tomada como o estágio final da revelação de Deus.
Era sempre entendido que a lei mosaica apontava para adiante no tempo, para os "últimos dias" (1.2). A pergunta retórica no vs. 11 anuncia que a efetividade do sistema levítico será comparada com aquela do “outro sacerdote" que seria levantado, pois nele baseado o povo recebeu a lei.
O sacerdócio levítico, juntamente com a lei mosaica que o proporcionou, foi estabelecido por causa do pecado e da necessidade de um ministério de reconciliação. A lei e o sacerdócio estão aqui sendo considerados juntos, como um sistema de vida religiosa. Eles foram tanto temporários como concebidos para propósitos particulares. (A BEG recomenda a leitura e a reflexão em seu excelente artigo teológico "Os três usos da lei", em SI 119 – pedagógico, civil e moral).
A mudança de sacerdócio implica necessariamente na mudança da lei – vs. 12.
As diferenças entre Jesus e os levitas são agora revisadas rapidamente:
·         Jesus é descendente de Judá, e não de Levi (vs. 14).
·         Ele vive eternamente (vs. 16).
·         Seu sacerdócio é baseado no juramento divino (vs. 20).
Tudo fica mais claro quando surge outro sacerdote semelhante a Melquisedeque, alguém que se tornou sacerdote, não por regras relativas à linhagem, mas conforme o poder de uma vida indissolúvel. O eterno sacerdócio de Cristo (SI 110.4) é fundamentado no poder indômito da sua ressurreição (Rm 6.9-10).
Pois sobre ele é afirmado: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". A ordenança anterior é revogada, porquanto era fraca e inútil pois a lei não havia aperfeiçoado coisa alguma, sendo introduzida uma esperança superior, pela qual nos aproximamos de Deus. (vs. 17 a 19).
Essa esperança e a promessa/juramento foram mencionadas junto em 6.17-18. Os vs. 20-28 continuam a demonstrar a ligação entre a nossa esperança e a certeza da promessa e do juramento de Deus.
Isso não aconteceu sem juramento, como os outros, pelo contrário, veio sob juramento do próprio Deus que disse "O Senhor jurou e não se arrependerá: ‘Tu és sacerdote para sempre" – Sl 110.4
O divino juramento expresso em SI 110.4 ("O Senhor jurou") demonstra que assim como a família de Davi governa para sempre o reino de Deus, o sacerdócio real da família de Davi é também permanente. Esse ofício real e sacerdotal conjunto foi finalmente cumprido em Jesus (6.17-18). Jesus tornou-se, por isso mesmo, a garantia (ou fiador) de uma aliança superior – vs. 22.
Fiador é a tradução de uma palavra grega encontrada somente aqui no Novo Testamento. O próprio Jesus, como a substância do que foi prometido e o possuidor da vida ressurreta indissolúvel (vs. 16), é o fiador de uma nova e superior aliança.
Essa “superior" aliança corresponde à "nova aliança" em Cristo que é descrita em Jr 31.31-34 (citado em 8.8-12; 10.16-17). É superior no sentido de ser mais completa, mais madura e plena.
Também executará julgamentos maiores dos que eram possíveis sob as alianças anteriores, e concederá bênçãos maiores do que as que foram anteriormente concedidas.
A ideia de que a aliança final seria melhor e maior tem as suas raízes no anúncio de Moisés de que depois do arrependimento de Israel no exílio, Deus concederia ao seu povo maiores bênçãos do que seus pais haviam recebido (Dt 30.5).
A referência no vs. 23 aos muitos sacerdotes é explicada por causa da morte que obrigava a substituição deles. Muitos sumo sacerdotes surgiram que sucederam um ao outro no ofício.
A lei da sucessão sacerdotal (Êx 29.29-30) pressupunha a morte do sacerdote. Essa falta de permanência, juntamente com a repetição dos sacrifícios do Antigo Testamento (10.11), revela a imperfeição da antiga ordem.
Agora, no entanto, como Jesus tem um sacerdócio permanente, pode salvar totalmente. A vida e o sacerdócio eternos de Jesus tomam possível sua eterna intercessão pelos adoradores que "por ele se chegam a Deus”, levando à completa e eterna salvação. A palavra "totalmente" contrasta com a aliança com Moisés que oferecia somente alívio temporário das consequências do pecado porque somente levava o povo de Deus para frente, para a culminação na nova aliança.
Desse modo, Jesus pode dar a salvação compreensiva (satisfazendo todas as nossas necessidades) e a eterna salvação (enraizada no fato de que Cristo sempre vive para interceder por nós).
O vs. 26 resume tudo isso: é de um sumo sacerdote como este que precisávamos: santo, inculpável, puro, separado dos pecadores, exaltado acima dos céus. Em 2.18; 4.15-5.3, o autor mostrou a importância da identificação de Jesus conosco no sofrimento da tentação. Mas também foi decisivo o fato de Jesus ser "sem pecado" (4.15), um critério que o qualificou para entrar no santuário celestial em nosso favor (8.1-2; 9.11-12,24-25).
Bem ao contrário dos outros sumos sacerdotes, ele não tem necessidade – vs. 27 – de oferecer sacrifícios dia após dia, primeiro por seus próprios pecados e, depois, pelos pecados do povo. Ele resolveu essa questão de uma vez por todas quando a si mesmo se ofereceu.
O contraste entre a repetição diária (e anual) dos sacrifícios dos sacerdotes levitas e a oferta de Jesus de si mesmo de uma vez por todas é desenvolvido em 9.25-10.18.
Esse versículo 28 resume o contraste entre o sacerdócio da antiga aliança e o da nova.
(1)   Em primeiro lugar, a antiga aliança sacerdotal foi ordenada pela lei sem um juramento divino específico (vs. 20), enquanto o sacerdócio eterno de Cristo foi ordenado por um juramento à casa de Davi (vs. 21).
(2)   Segundo, a designação temporária de sacerdotes fracos e pecadores (vs. 27) é contrastada com a designação eterna do puro "Filho, perfeito para sempre".
Hb 7:1 Porque este Melquisedeque,
                rei de Salém,
                sacerdote do Deus Altíssimo,
                               que saiu ao encontro de Abraão,
                                               quando voltava da matança dos reis,          
                               e o abençoou,
                                               Hb 7:2 para o qual também Abraão
                                                               separou o dízimo de tudo
                (primeiramente se interpreta rei de justiça,
                depois também é rei de Salém,
                ou seja, rei de paz;
                Hb 7:3 sem pai,
                sem mãe,
                sem genealogia;
                que não teve princípio de dias,
                nem fim de existência, entretanto,
                feito semelhante ao Filho de Deus),
                permanece sacerdote perpetuamente.
Hb 7:4 Considerai, pois, como era grande
                esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo
                               tirado dos melhores despojos.
Hb 7:5 Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio
                têm mandamento de recolher,
                               de acordo com a lei,
                                               os dízimos do povo,
                                                               ou seja, dos seus irmãos,
                                                               embora tenham estes
descendido de Abraão;
Hb 7:6 entretanto,
                aquele cuja genealogia não se inclui entre eles
                               recebeu dízimos de Abraão
                               e abençoou o que tinha as promessas.
Hb 7:7 Evidentemente, é fora de qualquer dúvida
                que o inferior é abençoado pelo superior.
Hb 7:8 Aliás, aqui são homens mortais
                os que recebem dízimos,
porém ali,
                aquele de quem se testifica
                               que vive.
Hb 7:9 E, por assim dizer,
                também Levi,
                               que recebe dízimos,
                                               pagou-os na pessoa de Abraão.
Hb 7:10 Porque aquele ainda não tinha sido gerado por seu pai,
                quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.
Hb 7:11 Se, portanto, a perfeição houvera sido mediante o sacerdócio levítico
                (pois nele baseado o povo recebeu a lei),
                               que necessidade haveria ainda
de que se levantasse outro sacerdote,
                                                               segundo a ordem de Melquisedeque,
                                               e que não fosse contado
segundo a ordem de Arão?
Hb 7:12 Pois, quando se muda o sacerdócio,
                necessariamente há também mudança de lei.
Hb 7:13 Porque aquele de quem são ditas estas coisas
                pertence a outra tribo,
                               da qual ninguém prestou serviço ao altar;
                                               Hb 7:14 pois é evidente que nosso Senhor
                                                               procedeu de Judá,
                                                               tribo à qual Moisés
nunca atribuiu sacerdotes.
Hb 7:15 E isto é ainda muito mais evidente,
                quando, à semelhança de Melquisedeque,
                               se levanta outro sacerdote,
                               Hb 7:16 constituído não conforme
a lei de mandamento carnal,
                                                               mas segundo o poder de vida indissolúvel.
Hb 7:17 Porquanto se testifica:
                Tu és sacerdote para sempre,
                               segundo a ordem de Melquisedeque.
Hb 7:18 Portanto, por um lado,
                se revoga a anterior ordenança,
                               por causa
                                               de sua fraqueza
                                               e inutilidade
Hb 7:19 (pois a lei nunca aperfeiçoou coisa alguma),
e, por outro lado,
                se introduz esperança superior,
                               pela qual nos chegamos a Deus.
Hb 7:20 E, visto que não é sem prestar juramento
                (porque aqueles, sem juramento,
                               são feitos sacerdotes,
                Hb 7:21 mas este,
                               com juramento,
                                               por aquele que lhe disse:
                                                               O Senhor jurou e não se arrependerá:
                                                                              Tu és sacerdote para sempre);
Hb 7:22 por isso mesmo,
                Jesus se tem tornado
                               fiador de superior aliança.
Hb 7:23 Ora, aqueles são feitos sacerdotes
                em maior número,
                               porque são impedidos pela morte de continuar;
Hb 7:24 este, no entanto,
                porque continua para sempre,
                               tem o seu sacerdócio imutável.
Hb 7:25 Por isso, também
                pode salvar totalmente
                               os que por ele se chegam a Deus,
                vivendo sempre
                               para interceder por eles.
Hb 7:26 Com efeito, nos convinha
                um sumo sacerdote como este,
                               santo,
                               inculpável,
                               sem mácula,
                               separado dos pecadores
                               e feito mais alto do que os céus,
                               Hb 7:27 que não tem necessidade,
                                               como os sumos sacerdotes,
                                                               de oferecer todos os dias
                                                                              sacrifícios,
                                                               primeiro, por seus próprios pecados,
                                                                              depois, pelos do povo;
                porque fez isto uma vez por todas,
                               quando a si mesmo se ofereceu.
Hb 7:28 Porque a lei constitui
                sumos sacerdotes
                               a homens sujeitos à fraqueza,
                                               mas a palavra do juramento,
                                                               que foi posterior à lei,
                                                                              constitui o Filho,
                                                                                              perfeito para sempre.
Uma coisa é certa o sacerdócio é eterno e temos um sumo-sacerdote, eterno, diante de Deus que não oferece sacrifícios, primeiro, pelo seu próprio pecado, porque simplesmente não os tem (apesar de ser homem!), e, depois, continuamente, pelos do povo, porque ele próprio foi o sacrifício feito, eterno e aprovado.
Pare e pense! Temos um sumo-sacerdote eterno diante de Deus: Jesus Cristo, nosso Senhor!
O plano das eras: Estamos nos últimos dias?[1]
Em todas as gerações, os cristãos perguntam "Estamos vivendo nos últimos dias?". Esse desejo intenso de ver Cristo voltar é algo admirável e os cristãos que aguardam ansiosamente a volta do Senhor clamam corno o apóstolo João, "Amém! Vem Senhor Jesus!" (Ap 22.20). Como as virgens fiéis, eles mantém suas lâmpadas preparadas enquanto esperam pela chegada do noivo (Mt 25.1-13). No entanto, muitas vezes os cristãos se fiam de tal modo em suas próprias interpretações das profecias bíblicas e em análises dos acontecimentos atuais que provocam o descrédito da fé por suas declarações exageradas acerca dos últimos dias.
Boa parte desse problema se deve ao fato de, na teologia tradicional, a doutrina das últimas coisas, ou seja, a escatologia (do termo grego eschatos que significa "último" ou "fim") se concentrar quase exclusivamente na volta de Cristo em glória. Com exceção das discussões acerca da "escatologia pessoal", aquilo que acontece às pessoas quando elas morrem, pressupõe-se de um modo geral que a expressão “os últimos dias" diz respeito aos acontecimentos próximos à segunda vinda de Cristo. Em decorrência disso, a doutrina dos últimos dias tem se dedicado a elaborar esquemas complexos sobre o que a Bíblia diz acerca de acontecimentos e elementos como: a grande tribulação, o arrebatamento, o anticristo, a besta e o milênio.
A volta de Cristo é uma doutrina essencial, mas uma doutrina dos últimos dias que se concentra apenas nisso é excessivamente limitada. No último século, ficou evidente para muitos teólogos reformados que, em vez de limitar o conceito de últimos dias à volta de Cristo, o Novo Testamento ensina que os últimos dias se estendem desde a primeira vinda de Cristo até a sua volta. Nesse sentido, tudo na era do Novo Testamento é escatológico, uma vez que é relacionado ao fim dos tempos.
Esse uso teológico da expressão "últimos dias" é fundamentado nas descrições antigas que Moisés apresentou do futuro de Israel. Moisés descreveu esse futuro em dois estágios (Lv 26.14-45; Dt 4.25-31; 30.1-10). Primeiro, afirmou que o povo de Deus passaria por um tempo de pecado e dificuldade e que, por fim, seria julgado severamente com o exílio. Esse exílio ocorreu quando os assírios derrotaram Israel, o reino do norte, em 722 a.C. (2Rs 17) e quando, posteriormente, os babilônios derrotaram Judi, o reino do sul, e Jerusalém em 586 a.C. (2Rs 25). Em seguida, Moisés falou de um estágio da História que ocorreria depois do exílio de Israel. Deus prometeu que quando o povo se arrependesse ele os levaria de volta para a sua terra e os abençoaria ainda mais do que antes (Dt 30.5). Em Dt 4.30, Moisés afirma que essa era de restauração depois do exílio se daria "nos últimos dias", e é dessa passagem que vem o termo teológico "escatologia".
Ao anteverem o futuro do povo de Deus, os profetas do Antigo Testamento usam a mesma abordagem de Moisés, considerando duas eras distintas. Muitos anunciam que o julgamento do exílio sobreviria à nação devido ao pecado, mas oferecem a esperança de que esse exílio será seguido de uma era grandiosa de bênçãos que também chamam de "últimos dias" (p. ex., Is 2.2-5; Os 3.5). Também empregam outras designações para essa era futura: o reino de Deus (Is 52.7); novos céus e nova terra ((Is 65.17); o tempo da nova aliança (Jr 31.31) e aliança de paz (Ez 34.25) - entre outras.
No período entre o Antigo e o Novo Testamento os judeus continuaram a descrever a História dentro desse padrão de duas eras. A expressão "esta era" passou a ser usada para o período de pecado e morte que culminou com o exílio, enquanto a expressão "a era por vir" passou a designar os últimos dias, quando o Messias encerraria o exílio e estabeleceria o reino de Deus sobre a terra (veja o artigo teológico "O reino de Deus", em Mt 4).
Jesus e os escritores do Novo Testamento também adotaram essa estrutura histórica de duas eras, mas com modificações consideráveis. Os judeus aos quais Jesus e seus apóstolos ministraram acreditavam que os últimos dias viriam de modo repentino e total no momento maravilhoso em que o Messias entrasse na História. No entanto, Jesus e seus seguidores proclamaram que os últimos dias viriam de outra maneira. O Novo Testamento ensina que, em vez de a História simplesmente passar de um estágio para o outro, a primeira vinda de Jesus deu início à era vindoura que se sobrepõe ao tempo presente no período entre a primeira e a segunda vinda de Cristo. Assim, os últimos dias se manifestação em sua forma plena na consumação de todas as coisas quando Cristo voltar. Por esse motivo, Jesus ensinou que o reino de Deus é como um grão de mostarda que começa pequeno e cresce até se transformar na árvore mais frondosa do jardim (Mt 13.31). E, também por isso, a nova criação se iniciou em Jesus e no nosso coração (2Co 5.1 7), mas ainda aguardamos a plenitude da nova criação na volta de Cristo (Ap 21.1-3). Em resumo, com a primeira vinda de Cristo, muitas das dimensões dos últimos dias se realizaram, mas esses dias só alcançarão sua plenitude quando Cristo voltar.
Assim, não é de surpreender que o Novo Testamento use a terminologia dos últimos dias para designar mais do que a segunda vida de Cristo. Essa expressão diz respeito aos acontecimentos em torno de sua primeira vinda (At 2.17; Hb 1.2; 1 Pe 1.20), à era da igreja como um todo (2Tm 3.1) e à era depois da volta de Cristo (1 Pe 1.5). A era do Novo Testamento em sua totalidade é chamada de "últimos dias" porque Jesus derramou grandes julgamentos e bênçãos quando veio à terra pela primeira vez e subiu ao seu trono celestial. A história da igreja como um todo é chamada corretamente de últimos dias porque vivemos num tempo em que o reino de Deus em Cristo está se expandindo até os confins da terra.
A consciência de que o Novo Testamento se refere a todo o período desde a primeira vinda de Cristo até a sua volta como fim dos tempos nos ajuda a mudar o foco das nossas prioridades. Em vez de lermos sobre os últimos dias no Antigo e no Novo Testamento simplesmente para criar esquemas complexos de sinais da volta de Cristo, precisamos aprender a ver toda a era do Novo Testamento como o cumprimento dos últimos dias. Essa abordagem nos ajudará a perceber mais claramente a maravilha do que Cristo realizou na sua primeira vinda. Também abrirá nossos olhos para a responsabilidade de viver para Cristo enquanto desfrutamos grandes bênçãos em Deus ao sofrermos por amor a Cristo. Por fim, nos ajudará a evitar o perigo de nos preocuparmos excessivamente com especulações acerca do tempo em que Cristo voltará.
Assim, quando perguntamos se estamos vivendo nos últimos dias, a resposta da Bíblia é inequivocamente afirmativa. Juntamente com os cristãos de todas as gerações, estamos no estágio final da História. O reino de Deus dos últimos dias já está presente em nosso meio há mais de dois mil anos. Devemos nos regozijar com essa verdade, sabendo que, um dia, Cristo voltará para conduzir todas as coisas ao seu fim glorioso.
p.s.: link da imagem original: https://www.youtube.com/watch?v=Mpfu5zHJiBY.
Contagem regressiva: Faltam 49 dias para 20/04/16 (Inicio: 05/05/15). Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. (Is 26.3).
A Deus toda glória! p/ pr. Pr. Daniel Deusdete. http://www.jamaisdesista.com.br




[1] Extraído na íntegra do artigo teológico da BEG referente ao cap 7 de Hebreus.
...


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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.