sábado, 25 de outubro de 2014

II Crônicas 36:1-23 - O REMANESCENTE DE ISRAEL FORMOU O POVO QUE IRIA RECEBER O MESSIAS


Chegamos, finalmente, ao último capítulo de II Crônicas que é também o último capítulo, 36, da última parte (Judá e Israel reunificados) de quatro no total pela qual dividimos I e II Crônicas.
I. As genealogias do povo de Deus – 1:1 a 9:34 – já vista.
II. O reino unido – 9:35 a II Cr 9:31 – já vista.
III. O reino dividido – 10:1 a 28:27 – já vista.
IV. O reino unificado – 29:1 a 36:23 – estamos encerrando agora.
Como já dissemos, sobre o reino reunificado, doravante, tudo agora seria em conjunto e não mais provenientes de duas regiões com dois poderes. As experiências de bênçãos e provações, exílio e livramento, seriam agora experiências conjuntas de um povo reunificado, em torno de um só templo.
Esta última parte IV de  I e de II de Crônicas foi, didaticamente, dividida em seis partes.
A. O reinado de Ezequias – 29:1 a 32:33 – já vimos.
B. O reinado de Manassés – 33:1-20 – já vimos.
C. O reinado de Amon – 33:21-25 – já vimos.
D. O reinado de Josias – 34:1 a 35:27 – já vimos.
E. Os últimos anos – 36:1-14 – veremos agora.
F. Dificuldades, exílio e esperança – 36:15-23 – veremos e concluiremos agora.
E. Os últimos anos – 36:1-14.
Nesses últimos anos, o cronista apresenta rapidamente aos reinados dos três filhos de Josias (Jeoacaz, Jeoaquim e Zedequias) e de seus neto (Joaquim). Em várias partes, resume o registro de Reis – II Re 23:31 – 24:20 – e identifica as falhas e a descendência como causas do exílio na Babilônia.
Nós também nos valeremos dos textos paralelos de Reis, com a ênfase no relato de Crônicas, conforme formos avançando na história rumo ao exílio e depois ao pós-exílio. Crônicas não tem fim, mas é como uma espécie de introdução ou pano de fundo de Esdras que continuará a história do pós-exílio da Babilônia.

Jeoacaz (609 a.C.) – II Cr 36: 1-4; II Re 23:31-35.

Josias morreu e seu filho Jeoacaz de 23 anos reinou em seu lugar por apenas três meses e fez o que era mau aos olhos do Senhor como fizeram seus pais. Sua mãe era Hamutal, filha de Jeremias, não do profeta.
Como pode um pai modelo de reformador gerar um filho maligno que não quis saber de Deus? Ele acabou sendo  preso em Ribla (lugar localizado no rio Orontes, na região norte do vale do Líbano, considerado quartel-general por Neco e também por Nabucodonosor), deportado para o Egito por Faraó Neco e substituído por seu irmão Eliaquim (Jeoaquim).

Jeoaquim – ou Eliaquim - (609-598 a.C.) – II Cr 36:5-8; II Re 23:36 – 24:7.

Esta divisão resume o reinado de Jeoaquim, rei de Judá, incluindo a sua rebelião contra o rei da Babilônia. O narrador deixa claro que a calamidade que sobreveio a Judá pelas mãos dos invasores estrangeiros cumpriu a palavra de julgamento de Deus contra Judá pelo pecado de Manassés – II Re 21:10-15; 24:2-4.
Eliaquim foi constituído rei de Judá por Neco, em lugar de seu pai, Josias. Aqui cabe a mesma pergunta que fiz com relação ao filho de Josias, Joacaz, ou seja como pode um pai modelo de reformador gerar outro filho maligno que não quis saber de Deus? Também Neco lhe mudou o nome para Jeoaquim.
Essa mudança de nome era comum entre os assírios que obrigavam a seus vassalos à jurarem fidelidade à coroa assíria e assim, mudavam seu nome como símbolo disso. O mesmo agora estava sendo praticado pelo Egito.
Seu irmão Jeoacaz veio a falecer na deportação.
Para pagar o tributo ao Faraó Neco de cem talentos de prata e um de ouro, estabeleceu imposto sobre a terra cobrando do povo.
Jeoaquim começou a reinar com 25 anos e reinou 11 anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Zebida e era filha de Pedaías, de Ruma.
Estamos no 18º rei de Judá e a situação de Judá não é nada confortável sendo submissa ao Egito ao qual pagam tributos anuais e estavam sendo por eles explorados.
O Egito tinha acabado de deportar um rei que veio a falecer colocando em seu lugar seu irmão que agora estava no reinado. O juízo de Deus já começava a cair sobre Judá e não haveria mais saídas para eles senão enfrentarem o exílio que a cada dia se aproximava.
Deus, em sua misericórdia, ainda preservava os descendentes de Davi, perpetuando assim o seu reinado. Mesmo no exílio, Deus não se esquecerá dos seus descendentes que estavam apontando para Cristo Jesus que estaria prestes a vir para esmagar a cabeça da serpente.
A pressão do Egito era grande, mas a Babilônia estava se erguendo e se fortalecendo a tal ponto que Judá não mais teve de ter medo ou pagar tributos ao Egito porque este estava dominado pela Babilônia que agora era quem ditava as regras em todo o mundo.
Tinha se levantado uma nova potencia militar, econômica em todo o mundo da época conhecido. Babilônia agora era o terror de todos os povos.
Ainda durante o seu reinado, subiu contra ele Nabucodonosor II, rei da Babilônia, que por três anos o manteve sob seu domínio, mas ai Jeoaquim se rebelou contra ele, apesar da palavra profética de Jeremias – Jr 27:9-11 – que aconselhava ele a se entregar e não a se rebelar.
Jeoaquim estava confiado no Egito e por isso que teve essa ousadia e nele confiava para o livrar das mãos dos babilônios. No entanto, Nabucodonosor II, rei da Babilônia de 605 a.C. a 562 a.C., derrotou Neco do Egito numa grande batalha em Carquemis – Jr 46:2 -, e Judá passou das mãos dos egípcios para os babilônios.
Nisso o Senhor Deus levantou contra eles bandos dos caldeus e bandos de sírios e de moabitas e dos filhos de Amom para justamente destruírem Judá, conforme palavra profética que tinha falado que enviaria por meio de seus profetas e servos.
Tudo isso estava ocorrendo por causa dos pecados de Manassés – II Re 21:10-15; 24:2-4 -, como também dos sangues dos inocentes que ele derramou, com o qual encheu a cidade de Jerusalém e o Senhor não quis perdoar.
Com certeza, o Senhor é rico em graça, em misericórdia e perdão, por isso antes de seu juízo envia os seus servos e profetas e o Senhor, por ser também longânimo, concede o tempo necessário para o arrependimento, até que a taça de sua ira se enche e ai, é o fim! Por isso que ele não quis perdoar, porque sua taça estava cheia e os tempos tinham acabado, tanto o Cronos como o kairos. Judá começava a sofrer todas as consequências de seus atos tresloucados no cativeiro babilônico.
Jeoaquim morreu em 598 a.C., antes de Jerusalém se render aos babilônios – vs II Re 24:8-12.

Joaquim – ou Jeconias - (598-597 a.C.) – II Cr 36:9,10; II Re 24:8 – 17.

Joaquim, filho de Jeoaquim, neto de Josias, também chamado de “Jeconias” e “Conias” reinou em lugar de seu pai e tinha 18 anos quando começou a reinar e reinou por três meses em Jerusalém. A sua mãe se chamava Neústa e era filha de Elnatã, de Jerusalém.
Seguindo os péssimos exemplos de seu pai, andou este rei em seus maus caminhos desagradando ainda mais ao Senhor. De acordo com os registros babilônios, a queda de Jerusalém se deu em 16 de março de 597 a.C.
Em sua época, os babilônios cercaram Jerusalém e Nabucodonosor veio à cidade quando os seus servos a sitiavam. Joaquim foi recepcioná-lo juntamente com sua mãe, servos, príncipes e seus oficiais. Então, no oitavo ano de seu reinado, Nabucodonosor II, os levou cativo para o cativeiro.
Levou ainda dali os tesouros da Casa do Senhor e os tesouros da casa do rei e, conforme tinha dito o Senhor, pelo seu profeta Isaias – 20:7 - cortou em pedaços todos os utensílios de ouro que fizera Salomão, rei de Israel, para o templo do Senhor.
Era a hora do cativeiro de Judá! Não havia saída, nem orações e arrependimentos que pudessem ser feitos para evitar a tragédia, pois o momento era de juízo.
O rei Nabucodonosor II levou para o cativeiro tudo o que poderia levar: transportou toda a Jerusalém: todos os príncipes, homens valentes, artífices e ferreiros, poderosos, sábios. Somente deixou na cidade o povo pobre da terra.
Estabeleceu rei, em lugar de Joaquim, ao tio paterno deste, Matanias (irmão de Jeoaquim, pai de Joaquim, e filho de Josias – I Cr 3:15; Jr 1:3) e mudou o seu nome para Zedequias, conforme era o costume à época, indicando assim sua vassalagem a Nabucodonosor.

H. Zedequias (598-586 a.C.) – 24:18 – 20a.

Zedequias tinha 21 anos quando começou a reinar e reinou por onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamutal e era filha de Jeremias, de Libna, não o profeta.
Zedequias era também filho de Josias. E agora? Já eram três os filhos imprestáveis de um homem de grande valor e modelo de reformador. Cabe também aqui a mesma pergunta. Como pode um pai modelo de reformador gerar mais um outro filho maligno que não quis saber de Deus, sendo este o terceiro?
Semelhantemente aos seus irmãos, fez o que era mau aos olhos do Senhor. Este era o último rei de Judá. Aqui, novamente, o narrador bíblico faz questão de enfatizar a causa da ira do Senhor contra Jerusalém e contra Judá, ou seja, eram julgamentos divinos pelo pecado – conferir com Jr 52:1-27. Judá estava caminhando para o esquecimento – II Re 20:17,18; 21:12-15; 22:16,17.
Ao invés de ouvir e obedecer ao Senhor foi buscar ajuda com o Egito o que fez com que Babilônia apressasse ainda mais sua tomada de Jerusalém.
Em Crônicas, ele fala que Zedequias não se humilhou perante o Senhor que lhe falava, misericordiosamente, por boca do profeta Jeremias.
Encontraremos mais informações sobre Zedequias e como se rebelou contra o rei da Babilônia em Jr 21; 24; 27; 29; 32; 37 a 39; Ez 17:11 a 21.
A verdade é que o tempo ia se findando, o relógio de Deus estava já trazendo o juízo sobre a nação e ao invés da busca do perdão e do arrependimento, mais e mais se afundavam no pecado como que querendo encher e fazer transbordar a taça da ira do Senhor – vs 13 e 14.
A severidade do julgamento de Deus é contrabalançada pela esperança suscitada pela libertação de Joaquim da prisão da Babilônia.
Estamos concluindo mais um capítulo, o último, e uma parte, a terceira, também a última. Chegamos, portanto, ao final dos livros de I e de II de Reis que começou com o reinado de Davi, em sua velhice, já no momento de passar para Salomão, seu filho, o seu reinado e acabando aqui no exílio de Judá.
A destruição de Jerusalém – 24:20b – 25:21.
Repetimos aqui o que já falamos em nosso comentário de I e II de Reis, por causa de sua pertinência e conteúdo significativo. Em um mapa intitulado “Exílio de Judá”, p. 524, da BEG, temos um breve resumo do exílio, com alguns detalhes interessantes, conforme a seguir:
Exílio de Judá
A cidade de Jerusalém começou a ser cercada em janeiro de 587 a.C., e o cerco durou dezoito meses (II Cr 36:13-21; Jr 21: 1-10; 34:1-5; 39:1-10; 52:4-11; Ez 24:2). A cidade foi conquistada e o templo destruído (o livro de Lamentações expressa poeticamente a consternação e o desconcerto produzidos por esses dolorosos acontecimentos).
Os judeus perderam a sua independência e foram levados como prisioneiros para a Babilônia. Ali ficaram até 538 a.C., quando Ciro, o rei persa, conquistou a Babilônia e mandou os judeus de volta para a sua terra.
Os exilados de Judá foram levados à grande cidade de Babilônia que Nabucodonosor havia construído. A cidade interna era protegida por largo fosso e paredes duplas revestidas de ladrilhos (de 3,7m e 6,5m de largura), com espaço entre elas para uma estrada militar no nível do parapeito.
Das oito grandes portas, a mais conhecida é a Porta de Istar, construída em honra ao deus babilónico Marduque. O pórtico era decorado com fileiras de touros (símbolo do deus Bel) alternadas com fileiras de dragões (símbolo do deus Marduque), feitas de tijolo esmaltado.
A rua das procissões (pela qual eram transportadas as estátuas dos deuses no festival do ano novo) levava da porta até o centro da cidade e aos grandes templos. As paredes eram de ladrilho azul esmaltado, com relevos de leões (símbolo da deusa istar) em vermelho, amarelo e branco.
A Babilônia tinha cerca de cinquenta e três templos, um grande templo-torre (zigurate) e uma cidadela com o complexo de palácios. Daniel foi levado para ali para que se unisse à corte do rei.
A rebelião de Zedequias contra o rei da Babilônia provocou o ataque dos babilônios. O resultado foi a destruição de Jerusalém – inclusive do templo – e a deportação de Zedequias e da maioria do povo de Judá.
O ano era de 586 a.C. e apesar de ser um vassalo nomeado por Nabucodonosor, Zedequias se juntou ao Egito e outras nações numa conspiração contra os babilônios – Jr 27:3-8; Ez 17:11-21.
Conforme a BEG, a decisão infeliz do rei de Judá de se rebelar contra a Babilônia pode ter recebido o incentivo de Faraó Ofra – Apries – que subiu ao poder em 589 a.C.
Foram quase dois anos exatos do cerco dos babilônios contra Jerusalém, aproximadamente uns 539 dias contados de 10 do 10 do ano 9 até 9 de 4 do ano 11. A fome apertou e não havia pão para comerem. Foi nesse momento que a cidade foi arrombada e alguns deles fugiram, inclusive o rei.
No entanto, foram alcançados, presos e fizeram subir o rei de Judá ao rei da Babilônia, a Ribla e ali foi pronunciada a sentença contra Zedequias. Seus filhos foram mortos à espada às suas vistas e Zedequias teve os seus olhos vazados e seus pés presos em cadeias e assim levados cativos para a Babilônia.
Se Zedequias tivesse ouvido os profetas Jeremias e Ezequiel – Jr 38:14-28; Ez 12:13 -, nada disso teria acontecido a ele. Jeremias tinha tentado convencer o rei a se render, pois o julgamento do Senhor era inevitável.
Quem sabe uma rendição pacífica teria poupado tanto a Jerusalém quanto ao templo? A sua rebeldia trouxe consequências terríveis tanto a ele quanto a sua família e ao povo sofrido de Judá. Ao final morre na Babilônia – Jr 52:11.
Oito anos após isso (7 do 5 do ano 19), Nebuzaradã, chefe da guarda e servidor do rei da Babilônia, veio a Jerusalém e queimou a Casa do Senhor, a casa do rei, todas as casas da cidade, além de todos os edifícios importantes. Saquearam o templo e levaram consigo tudo o que tinha valor e era de ouro ou de prata e bronze. Ainda derrubaram os muros em redor de Jerusalém.
Nebuzaradã ainda levou cativos mais gente do povo que tinha ficado na cidade, principalmente líderes do alto escalão e militares e somente deixou ali dos mais pobres da terra como vinheiros e lavradores. Como governador deles, deixou o rei da Babilônia a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã.
Quando os que foram levados cativos chegaram a Ribla, o rei da Babilônia foi implacável com eles e os mataram todos os militares e os que tinham poder e influência nos escalões de liderança de Judá.
O assassinato de Gedalias – II Re 25:22 – 26.
Depois de abolir a monarquia, Nabucodonosor nomeu, como já dissemos, Gedalias governador. Aicã, o pai de Gedalias, ex-conselheiro de Josias (22:12) era amigo de Jeremias – Jr 26:24. A fim de promover a estabilidade na terra conquistada, Nabucodonosor escolheu para esse cargo um homem de Judá bastante conhecido – Jr 40:10-12.
Gedalias tinha dito para o povo e assim sustentado que não era para temer o fato de serem servos dos caldeus e aconselhou a todos que ficassem na terra, servissem ao rei de Babilônia, e todo bem iria se suceder com eles.
No entanto, ele tinha opositores e no sétimo mês de seu reinado, Ismael que fazia parte de uma facção de Judá que considerava Gedalias um colaborador do inimigo e favorecia a continuidade da resistência em Judá (Jr 40:13 a 41:18) tendo por objetivo restaurar o trono de Judá e se declarar rei,  juntamente com 10 homens, feriram a Gedalias e a alguns judeus e caldeus que com ele estavam em Mispa.
Por temerem os caldeus, estes acabaram fugindo para o Egito depois de terem ferido Gedalias e os que com ele estavam. Por ironia, ao tentarem obter o poder, os assassinos executaram involuntariamente uma das maldições da aliança: uma volta para o Egito, a terra de cativeiro e escravidão – Dt 28:68.
Este ato insano e doentio por parte de Ismael somente serviu para piorar as condições em Judá – Jr 44:1-14. Os exilados, para os quais a morte de Gedalias representou uma enorme perda, conforme BEG, instituíram dias para lamentar o seu assassinato e também a destruição de Judá e de Jerusalém – Zc 7:5; 8:19.
A libertação de Joaquim – II Re 25:27-30.
O escritor de Reis termina sua obra num tom esperançoso chamando a atenção para a misericórdia demonstrada para com Joaquim, rei de Judá, enquanto este se encontrava exilado na Babilônia.
Evil-Merodaque era filho e sucessor de Nabucodonosor e foi extremamente generoso para com Joaquim e seus filhos a ponto de lhes falar benignamente, libertar do cárcere e lhes dar lugar de mais alta honra do que a de reis que estavam com ele na Babilônia.
A BEG nos diz que o texto de Dt 4:25-31; 30:1-10 e a oração de dedicação do templo feita por Salomão em I Re 8:46-53 tratam das condições do exílio.
Esses textos insistem no arrependimento – Dt 30:2; I Re 8:47. A oração de Salomão para que os exilados encontrassem compaixão nas mãos de seus captores é respondida no tratamento bondoso que Joaquim recebe.
Dt 30:3-5 promete restauração ao povo de Deus, um processo iniciado em 538 a.C., quando os judeus receberam permissão para voltar para casa – II Cr 36:22 e 23; Ed 1:1-4; Is 44:24-28; 45:1-6.
Não há como não perceber que o tratamento preferencial desfrutado por Joaquim oferece um raio de esperança na continuidade das promessas davídicas – II Sm 7:8-16. Continua a BEG: a ênfase do escritor nesses últimos capítulos de tom severo é sobre o julgamento de Judá – 21:10-15; 23:26-27; 24:3-4, 20; 25:21 – porém, nesses versículos finais, ele também indica que a destruição de Judá e de Jerusalém não porá um fim à linhagem davídica. Há motivos para encarar o futuro com a mais absoluta confiança em Deus.
Na genealogia de Jesus Cristo, por Mateus, no capítulo primeiro temos nos vs 11 e 12 os descendentes de Jesus Cristo bem neste momento exato do exílio ao qual não podemos perder de vista de jeito nenhum.
Josias, filho de Amom, gerou a Jeconias (ou Jeoaquim) e a seus irmãos, no tempo do exílio da Babilônia. Depois do exílio – 70 anos – Jeconias gerou a Salatiel e Salatiel a Zorobabel, e assim continua até chegarmos em Cristo Jesus. De sorte que do exílio até Jesus são 14 gerações, como foram 14 também de Davi até o exílio e de Abraão até Davi.
Os detalhes das genealogias de Mateus diferem de Lc 3:23-38, provavelmente porque o Evangelho de Lucas nos mostra a descendência biológica, enquanto o Evangelho de Mateus nos dá as sucessões ao trono.
Os dois reinos que em Crônicas o cronista não mais tratou assim desde o fim do cativeiro do Reino do Norte o qual chamava “o povo de Deus’ ou Todo o Israel” agora estavam no exílio! Há muito Deus vinha falando e advertindo e agora a palavra se cumpria. Deus foi muito longânimo esperando o tempo do arrependimento que não veio e o fim foi esse.
Imitaram as nações que deveriam ter eliminado e agora eram como as outras nações, sendo expulsos da terra por terem rejeitado ao Senhor.
Em sua misericórdia, Deus ainda preserva a semente messiânica para que no devido tempo nasça o Cristo Jesus que morrerá pelos pecados dos escolhidos salvando-os da ira divina.
Fica para nós as lições dos reis e das misericórdias de Deus. Temos por felizes, conforme Tiago 5:11: “os que perseveraram firmes.”. Ele continua o verso: “Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.”.
Finalmente, Paulo nos dá as palavras finais, que se encaixam perfeitamente ao contexto atual:
I Coríntios 10:6 Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
I Coríntios 10:11 Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
Foram aproximadamente uns 385 anos de história cuja ênfase principal em Reis se deu no registro histórico da divisão dos reinos, depois da morte de Salomão e dos registros históricos dos reinos divididos, do Norte e do Sul, até as suas respectivas deportações ao final de cada um dos reinados; e, em Crônicas, no reino unificado e na nação pós-exílio que agora estava para começar uma nova fase na nação e a divisão já era considerada pelo cronista como fato passado que nem mereceu grande destaque ou importância.
F. Dificuldades, exílio e esperança – 36:15-23
Começando de madrugada, o Senhor vinha advertindo o povo de Judá de que algo terrível estaria para acontecer com a nação se esta não se arrependesse.
Era bem cedo que o Senhor começou a falar com eles! Eu diria que desde quando entraram na Terra Prometida que o Senhor os vinha advertindo e sendo misericordioso e tolerante para com eles. O que deveriam fazer, não fizeram, antes imitaram as nações e se tornaram até piores do que elas.
O mesmo que eles fizeram com as outras nações, outras fariam com eles e Deus levantou nesse caso uma nação ímpia para ser o seu instrumento de juízo sobre Israel, os babilônios! Não era para ser assim!
O cronista resume sua mensagem afirmando que o povo de Deus havia rejeitado continuamente as advertências e repreensões de Deus e que, por fim, havia provocado o seu próprio exílio.
Não obstante, depois que o período definido para seu castigo havia terminado, Deus ofereceu esperança de restauração à Terra Prometida mediante a política de Ciro, o rei Persa.
II Cr 36:1 Então o povo da terra tomou a Jeoacaz, filho de Josias,
                e o fez rei em lugar de seu pai, em Jerusalém.
                II Cr 36:2 Tinha Jeoacaz a idade de vinte e três anos,
                               quando começou a reinar; e três meses reinou em Jerusalém,
                II Cr 36:3 Porque o rei do Egito o depôs em Jerusalém,
                               e condenou a terra à contribuição de cem talentos de prata
                                               e um talento de ouro.
                II Cr 36:4 E o rei do Egito pôs a Eliaquim, irmão de Jeoacaz,
                               rei sobre Judá e Jerusalém, e mudou-lhe o nome
                                               em Jeoiaquim; mas a seu irmão Jeoacaz
                                                               tomou Neco, e levou-o para o Egito.
II Cr 36:5 Tinha Jeoiaquim vinte e cinco anos de idade,
                quando começou a reinar, e reinou onze anos em Jerusalém;
                               e fez o que era mau aos olhos do SENHOR seu Deus.
                II Cr 36:6 Subiu, pois, contra ele Nabucodonosor, rei de Babilônia,
                               e o amarrou com cadeias, para o levar a Babilônia.
                II Cr 36:7 Também alguns dos vasos da casa do SENHOR
                               levou Nabucodonosor a Babilônia, e pô-los no seu templo
                                               em Babilônia.
                II Cr 36:8 Quanto ao mais dos atos de Jeoiaquim,
                               e as abominações que fez, e o mais que se achou nele,
                                               eis que estão escritos no livro dos reis de Israel
                                               e de Judá; e Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar.
II Cr 36:9 Tinha Joaquim a idade de oito anos, quando começou a reinar;
                e reinou três meses e dez dias em Jerusalém;
                               e fez o que era mau aos olhos do SENHOR.
                II Cr 36:10 E no decurso de um ano enviou o rei Nabucodonosor,
                               e mandou trazê-lo a Babilônia, com os mais preciosos vasos
                                               da casa do SENHOR;
                                                               e pôs a Zedequias, seu irmão,
                                                                              rei sobre Judá e Jerusalém.
II Cr 36:11 Tinha Zedequias a idade de vinte e cinco anos,
                quando começou a reinar; e onze anos reinou em Jerusalém.
                II Cr 36:12 E fez o que era mau aos olhos do SENHOR seu Deus;
                               nem se humilhou perante o profeta Jeremias,
                                               que falava da parte do SENHOR.
                II Cr 36:13 Além disto, também se rebelou
                               contra o rei Nabucodonosor, que o tinha ajuramentado
                                               por Deus. Mas endureceu a sua cerviz,
                                               e tanto se obstinou no seu coração,
                                               que não se converteu ao SENHOR Deus de Israel.
                II Cr 36:14 Também todos os chefes dos sacerdotes
                               e o povo aumentavam de mais em mais as transgressões,
                                               segundo todas as abominações dos gentios;
                                               e contaminaram a casa do SENHOR, que ele tinha
                                                               santificado em Jerusalém.
                II Cr 36:15 E o SENHOR Deus de seus pais,
                               falou-lhes constantemente por intermédio dos mensageiros,
                                               porque se compadeceu do seu povo
                                                               e da sua habitação.
                II Cr 36:16 Eles, porém, zombaram dos mensageiros de Deus,
                               e desprezaram as suas palavras,
                                               e mofaram dos seus profetas;
                               até que o furor do SENHOR tanto subiu contra o seu povo,
                                               que mais nenhum remédio houve.
                II Cr 36:17 Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus,
                               o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu
                                               santuário, e não teve piedade nem dos jovens,
                                                               nem das donzelas, nem dos velhos,
                                                                              nem dos decrépitos;
                                                                              a todos entregou na sua mão.
                II Cr 36:18 E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos,
                               os tesouros da casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos
                                               seus príncipes, tudo levou para Babilônia.
                II Cr 36:19 E queimaram a casa de Deus, e derrubaram
                               os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios
                                               queimaram a fogo, destruindo também todos os seus
                                                               preciosos vasos.
                II Cr 36:20 E os que escaparam da espada levou para Babilônia;
                               e fizeram-se servos dele e de seus filhos,
                                               até ao tempo do reino da Pérsia.
                II Cr 36:21 Para que se cumprisse a palavra do SENHOR,
                               pela boca de Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus
                                               sábados; todos os dias da assolação repousou,
                                                               até que os setenta anos se cumpriram.
                II Cr 36:22 Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia
                               (para que se cumprisse a palavra do SENHOR pela boca de
                                               Jeremias), despertou o SENHOR o espírito de Ciro,
                                               rei da Pérsia, o qual fez passar pregão por todo o
                                               seu reino, como também por escrito, dizendo:
                II Cr 36:23 Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR Deus dos céus
                               me deu todos os reinos da terra, e me encarregou de lhe
                                               edificar uma casa em Jerusalém, que está em Judá.
                               Quem há entre vós, de todo o seu povo, o SENHOR seu Deus
                                               seja com ele, e suba.
Do ponto de vista do cronista, aqueles que foram levados à Babilônia constituiram o remanescente de Israel: formaram o grupo que daria origem à nação restaurada que, em breve, receberia o Messias. Ali, com certeza, estavam os pais dos discípulos e todos aqueles que o levaram à crucificação!
No vs 21 foi escrito que tudo se cumpriu conforme palavra do Senhor por boca de seu profeta Jeremias, até que a terra se agradasse dos seus sábados, todos os dias da desolação repousou, até que os 70 anos se cumpriram. Isso foi um dos propósitos benevolentes do Senhor com o exílio – Lv 26:40-45.
Quando formos estudar o próximo livro histórico de Esdras veremos que os primeiros quatro versículos de Esdras são parecidos com esses.
Ciro adotou uma política liberal em relação a vários povos deportados pelos babilônios. Não há como não pensar na liberação do remanescente de Israel, por Ciro, sem que isso não traga à tona a oração feita por Salomão na dedicação do templo.
Foi sob a direção de Deus que Ciro agiu e ainda com a finalidade de reconstruir o templo, por isso que o cronista insiste com os leitores do pós-exílio a renovarem o seu compromisso com o templo novo de sua época.
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 283 dias para 04/08/2015, quando eu irei concluir a Segmentação de toda a Bíblia.

A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdetehttp://www.jamaisdesista.com.br
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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.