terça-feira, 3 de novembro de 2015

Atos 2 1-47- A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO.

Como já dissemos, Atos foi escrito para orientar a igreja em sua missão permanente por meio do relato de como o Espírito Santo capacitou os apóstolos para propagar o testemunho de Cristo ao mundo gentio. Estamos no capítulo 2, da parte I.
I. O TESTEMUNHO APOSTÓLICO E O PODER DO ESPÍRITO (1.1-2.47) - continuação.
Estamos vendo, como já falamos, o testemunho apostólico e o poder do Espirito. Após uma breve introdução, Lucas passa a registrar imediatamente o fundamento de toda sua narrativa: o poder do Espírito Santo para capacitar os apóstolos a testemunharem de Cristo “em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (1.8).
Esse relato foi dividido em três seções: A. Aguardando a vinda do Espírito (1.1-26) – já vimos; B. O derramamento do Espírito no Pentecostes (2.1-41) – veremos agora; e, C. O surgimento da igreja (2.42-47) – veremos agora.
Breve síntese do capítulo 2
Chegou o pentecoste, 10 dias após a ascensão de Jesus e 50 dias após a sua ressureição. Acontecera como previra Jesus Cristo e lhes anunciara aos seus que aguardassem este dia.
O que veio do céu neste momento? Um som! Tão impetuoso que encheu toda a casa e apareceram línguas distribuídas como de fogo.
Somente passaram a falar em outras línguas depois de se encherem e ficarem cheios do Espírito Santo. O sinal ali operado foi tremendo e impactava aos que ouviam. Pedro toma então a palavra e a comenta.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
B. O derramamento do Espírito no Pentecostes (2.1-41).
Lucas descreveu o dia de Pentecostes com bastante dramaticidade. Os apóstolos falaram em línguas e proclamaram o evangelho de Cristo aos judeus de todas as parta do mundo que estavam reunidos ali.
O testemunho apostólico teve início com uma espetacular intervenção divina que nunca mas se repetiu. Embora esse acontecimento tenha sido único, o ministério permanente da igreja deve estar fundamentado nele e deve prosseguir ministrando às gerações por meio do poder do Espírito.
O termo grego pentekoste significa “quinquagésimo” e se refere ao quinquagésimo dia após o sábado da Páscoa (Lv 23.4-7,15-16). O Pentecostes, que era celebrado no primeiro dia da semana (o nosso domingo), era uma das três grandes festas anuais de Israel:
1°)   A primeira era a Páscoa (Lv 23.4-8; Nm 28.16-25).
2°)   A segunda, o Pentecoste que ocorria 50 dias após a Páscoa.
3°)   A terceira era a Festa dos Tabernáculos (Lv 23.33-43; Nm 29.12-38; cf. Jo 7.1-44), que ocorria quatro meses depois.
Pentecostes também era chamada de “Festa das Semanas” (Dt 16.10), porque era celebrada sete semanas após a Páscoa; “Festa da Colheita” (Ex 23.16), porque era nessa ocasião que ocorria a colheita das safras; e também “dia das primícias" (Nm 28.26).
A ligação entre o derramamento do Espírito Santo e a celebração de Pentecostes no dia das primícias se encaixa satisfatoriamente com o ensino de que a manifestação do Espirito no Novo Testamento é a “primícia” da colheita da salvação em Cristo (Rm 8.23).
Estavam todos reunidos no cenáculo, todos os apóstolos (1.13), bem como, provavelmente, todas as 120 pessoas mencionadas antes (1.15).
Possivelmente era um lugar próximo ao templo, Lucas em geral especifica esse lugar como sendo o templo (At 2.46; 3.2-8; 5.20-21, 25, 42; 24.18; 26.21), porém aqui está se referindo a uma casa que ficava próxima ao templo, uma vez que a multidão de judeus que visitavam Jerusalém para participar da Festa de Pentecostes estava próxima o suficiente da casa para ouvirem o barulho do vento impetuoso (vs. 5-11, 41).
Foram testemunhados três sinais da presença de Deus: vento, fogo e linguagem inspirada (Ex 3.2; 13.21; 24.17; 40.38; I Rs 19.11-13). O vento é particularmente um símbolo da presença do Espirito Santo (Ez 37.9,13; Jo 3.8) e o fogo é um símbolo do poder do espírito para purificar e julgar (Mt 3.11-12).
As línguas faladas não foram elocuções de êxtase, mas as várias línguas dos judeus que vieram de todas as parte: das regiões do Mediterrâneo, de Roma e de outras tão distantes como a Pártia, que se estendia a leste do atual Irã.
O fato foi que todos ficaram cheios do Espirito Santo, ou seja, foram dominados pela influência poderosa do Espírito, particularmente evidenciada pelo falar “em outras línguas” que eles não conheciam. At 10.46; 19.6 também relatam ocorrências desse fenômeno (sobre o dom de falar em línguas veja I Co 12-14).
A vinda do Espírito Santo no novo Testamento é o cumprimento da promessa registrada em Lc 24.49; At 1.5, 8. O Espírito Santo também estava presente e ativo com o povo de Deus no Antigo Testamento, porém a partir desse momento a sua presença é percebida de modo mais acentuado, porque ele abençoa mais pessoas do que jamais ocorreu. (A BEG recomenda a leitura de seu excelente artigo teológico “O Espírito Santo”, reproduzido no final deste texto).
Havia ali muitos judeus devotos (cf. Lc 2.5; At 8.2; 22.12). Certamente muitos desses judeus tinham vindo de terras distantes para residir temporariamente em Jerusalém (vs. 10) com o objetivo de celebrar a festa de Pentecostes, ao passo que outros tinham vindo para estabelecer residência permanente na cidade.
Embora seja uma hipérbole, a expressão “vindos de todas as nações de debaixo dos céus”, Lucas associa esse acontecimento às profecias do Antigo Testamento que afirmavam que Deus faria retornar o povo de Israel do exílio de todas as nações para estabelecer o seu reinado (Dt 30.1-5).
Nesse Pentecostes, muitos judeus creram e se tornaram o núcleo do povo de Deus no novo Testamento. De fato, o Pentecostes inaugurou o fim do exílio de Israel. O exílio será definitivamente encerrado quando Cristo retornar.
No vs. 6 é dito que cada um os ouvia falar em sua própria língua as grandezas de Deus. O Espírito Santo estava distribuindo o seu dom sobre os discípulos (vs. 3-4) e não sobre a multidão.
A multidão ficou maravilhada ante o fato de que aqueles galileus, com seu sotaque característico ao falar aramaico e grego, soubessem falar em tantas línguas estrangeiras.
Dos vs. 8-11, temos uma lista de pessoas que incluía quinze nações, começando com um grupo do Oriente, onde hoje se localiza o Irã e o Iraque ("partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia", para onde judeus que haviam sido levados cativos para a Assíria e a Babilônia).
A lista prossegue se deslocando para o Ocidente, da Judeia para o norte da Ásia Menor ("Capadócia, Ponto e Ásia, da Frigia, da Panfília") e depois para o norte da África ("Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene"), e então para Roma.
Por fim, a lista inclui duas regiões muito distantes uma da outra: a Arábia e a ilha de Creta (possivelmente uma referência aos judeus nabateus), esta última localizada ao sudeste de Jerusalém.
Embora outras áreas da Diáspora pudessem ser nomeadas, Lucas listou um número suficiente de nações representativas de todas as direções a partir de Jerusalém e Judeia (esta última, central, mencionada em quinto lugar na lista), fazendo alusão a uma grande concentração de judeus que tinham vindo do Oriente, e o restante do norte, do sul e do oeste.
Todos estavam atônitos e perplexos e interpelavam uns aos outros. O texto grego traz "todos perguntavam", o que indica que toda a multidão ficou maravilhada, incluindo aqueles que zombaram dos discípulos acusando-os de bebedice (vs. 13). Realmente, algo sobrenatural estava ali acontecendo que deixou todos estupefatos.
Pedro se levanta com os onze e em alta voz se dirige à multidão e diz que aqueles homens não estavam embriagados, como supunham. A forma masculina da palavra "estes" (“estes homens não estão bêbados”) não está necessariamente restrita aos doze apóstolos, podendo incluir os cento e vinte (1.15).
Era aquela a terceira hora do dia. Os judeus iniciavam a contagem das horas a partir das seis horas da manhã. Logo, a terceira hora corresponde às nove horas da manhã. Era costume jejuar nos dias festivos até pelo menos a quarta hora do dia. Assim, a alegação de bebedice não tinha fundamento.
Pedro então revela a verdadeira razão daquele evento e fala sobre o que o profeta Joel falara. Os vs. 17-21 é uma citação de JI 2.28-32 do texto grego do Antigo Testamento (Septuaginta, JI 3.1-5).
Joel falou com autoridade, como um profeta de Deus e Pedro afirmou que a mensagem de Joel era a Palavra de Deus.
As palavras "nos últimos dias" (cf. Is 2.2; Os 3.5; Mq 4.1; 2Tm 3.1) é a maneira que Pedro usou para unir os textos grego e hebraico de JI 2.28 ("depois").
Pedro interpretou o termo "depois" como se referindo aos dias da nova aliança, em contraste com aqueles da antiga aliança.
Ele continua a falar em o nome de Jesus, o Nazareno - esse título é usado por Lucas em outras passagens (Lc 18.37; 24.19; At 6.14; 10.38; 22.8; 26.9).
No sermão que vem a seguir, Pedro enfatiza os fatos mais importantes sobre Jesus:
ü  Sua morte (v. 23) e ressurreição corporal (vs. 24-32).
ü  Sua exaltação (v. 33) e coroação (vs. 34,36).
ü  A vitória que ocorrerá quando ele retornar (v. 35).
Jesus foi o varão aprovado por Deus, com milagres, prodígios e sinais. Embora o fato de Jesus ter vindo de Nazaré fosse uma pedra de tropeço (cf. Jo 1.46), Deus demonstrou plenamente, por meio de milagres, que Jesus era o Messias.
Além das demonstrações do derramamento do Espírito sobre toda a carne, haveriam maravilhas nos céus, sinais na terra, sangue, fogo e nuvens de fumaça com o sol se tornando em trevas e a lua em sangue, isso antes da vinda do grande e glorioso dia do Senhor.
A palavra boa é que todos os que derem crédito a Deus e o invocarem, serão salvos – vs. 21. Que tal hoje mesmo você invocar o nome de Jesus Cristo e ser salvo? Rm 10.13.
Jesus foi entregue para os homens pelo determinado desígnio e presciência de Deus. Embora exercendo vontade própria ao matar Jesus, as ações desses homens iníquos, tanto judeus como gentios (4.27-28), estavam de acordo com o propósito determinado por Deus (cf. 2Cr 25.16; Jr 21.10; Dn 11.36; At 17.26) e ocorreram segundo o seu domínio providencial e permanente.
Embora Deus tivesse, soberanamente, determinado a morte do seu Filho, ele considera como responsáveis pelos seus atos as pessoas que executaram o crime de crucificar Jesus (3.17-18; 4.27-28; 13.27).
Deus ordena os meios e os fins dos acontecimentos humanos sem violar a responsabilidade e a liberdade humana. Os judeus não podiam se isentar da responsabilidade ao culparem os romanos pela morte de Jesus, pois foram eles que pediram essa execução aos romanos.
Pedro ensinou que os judeus seriam considerados responsáveis por isso (3.15; 4.10; 5.30; 10.39). Lucas enfatiza novamente que Jesus foi morto pela crucificação romana.
Embora Jesus tenha morrido de fato (Jo 19.30), o seu corpo não sofreu decomposição biológica, como demonstra a citação de Pedro de Sl 16.8-11 (vs. 25-28).
No Sl 16, Davi escreveu, em parte, sobre a sua própria experiência e sofrimento; porém nos versículos citados aqui ele estava, em última análise, referindo-se ao "Senhor" (vs. 25) Jesus, o Santo de Deus cujo corpo não viu "corrupção" (vs. 27).
Ele de fato foi exaltado, pois, à destra de Deus. O plano de Deis foi além da ressurreição do seu Filho: Cristo também foi exaltado à posição que ocupava junto com o Pai desde a eternidade (Jo 17.5).
Foi ele também que recebeu do Pai a promessa do Espírito, o qual derramou sobre os discípulos. Aqui está implícita a doutrina da Trindade. Pedro demonstrou como o Pai (vs. 32) trabalhou na vida, na morte, na ressurreição e na exaltação do seu Filho Jesus e como o Espírito Santo realizou o milagre em seus servos para que falassem em línguas. A obra do Espírito Santo está ligada intimamente ao relacionamento e propósitos do Pai e do Filho.
Essa afirmação de Pedro salienta não apenas o fato de que Jesus é o Messias de Deus referido no Antigo Testamento (Is 11.1; Lc 4.18-21; At 3.18,20; 4.26. 5.42), mas também o Senhor exaltado (Rm 10.9; Fp 2.9-11) e o Rei vencedor (lCo 15.24-25; Ap 19.16).
Ao ouvirem Pedro falar a palavra de Deus foram impactados e logo quiseram saber o que fazerem.
Pedro responde com firmeza para eles se arrependerem e se batizarem. O arrependimento (abandonar o pecado) e o batismo foram componentes importantes dos ministérios de João Batista (Mt 3.1; Mc 1.4) e de Jesus (Mt 4.17, 11.20-, Lc 13.3,5). Também são elementos essenciais da pregação e do ensino da igreja (Mt 28.18-19).
Ao se referir ao nome de Jesus Cristo no batismo, Pedro, provavelmente estava fazendo um sumário de Mt 28.18-19 (“batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo”.). Somente Jesus é mencionado aqui, uma vez que o sermão de Pedro falava sobre Jesus e seu ministério.
O batismo seria para remissão dos pecados. O batismo é sinal e selo da purificação espiritual que o Espírito realiza por meio do perdão de pecados (Tt 3.5).
O dom do Espirito Santo ao vir habitar com a pessoa, assim como o dom do perdão (Ef 1.7) e a capacitação para o ministério.
Observe que até mesmo no contexto do milagre do Pentecostes Pedro não fala de receber o dom de línguas como algo necessário ou universal.
Os dom do perdão e da habitação do Espírito Santo com a pessoa devem ser percebidos como essenciais para que haja a produção do 'fruto' do Espírito na vida dos cristãos (Gl 5.22-23) e para o exercício dos dons que o Espírito decide conceder em épocas diversas e a cristãos diversos (I Co 12.4-11)
Pedro proclamou que a mensagem de salvação para o perdão de pecados por meio do Messias de Deus é prometida aos judeus que ouvem a sua mensagem, aos seus filhos e a todos os que estão distantes (isto é, os gentios; Ef 2.11-13).
Aqui, novamente está a mensagem de Atos: o evangelho é para judeus e gentios, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. A salvação é fundamentada na eleição e no chamado de Deus (Jo 6.37; Ef 1.4-5).
C. O surgimento da igreja (2.42-47).
Dos vs. 42 ao 47, veremos o surgimento da igreja. Lucas encerra essa seção sobre o derramamento do Espírito com um resumo das práticas da igreja em Jerusalém.
Os primeiros seguidores de Cristo foram, até certo ponto, Inigualáveis, porém a fidelidade deles permanece como padrão para todos os cristãos quanto ao que a igreja deve ser.
Pedro fez o apelo e ali se converteram a Cristo cerca de três mil pessoas! Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.
Eles perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Esses eram o resumo dos elementos essenciais do discipulado cristão.
São coisas que os apóstolos aprenderam em suas experiências com Jesus:
ü  Seus ensinos sobre si mesmo e sua obra (Mt 16.18-19; Lc 24.46) e a responsabilidade de cada um como seguidor de Cristo (Mt 5-7).
ü  A comunhão de Cristo com seus discípulos (Jo 13).
ü  O partir do pão, que geralmente inclui a Ceia do Senhor (Ml 26.17-30).
ü  Sua vida de oração com e para os discípulos (Mt 6.5-13; Lc 11.1-13; Jo 17).
Foi um começo espetacular e todos os que creram estavam juntos. Isso demonstrava a união do Espírito que Paulo pregava (Ef 4.3). Até vendiam as suas propriedades. Unidos ao Espírito, os cristãos estavam alertas às necessidades físicas dos outros e voluntariamente (4.34; 5.4) contribuíam para satisfazê-las.
As reuniões eram diárias e nelas eles partiam do pão de casa em casa. Eram as refeições diárias que eram compartilhadas nos lares, e por conta disso, acrescentava-lhes o Senhor – vs. 47 – todos os dias os que iam sendo salvos. A igreja pertence ao Senhor e ele é o único e soberano construtor de sua igreja (Mt 16.18; 1Co 3.9).
At 2:1 Ao cumprir-se o dia de Pentecostes,
estavam todos reunidos no mesmo lugar;
At 2:2 de repente,
veio do céu
um som, como de um vento impetuoso,
e encheu toda a casa
onde estavam assentados.
At 2:3 E apareceram, distribuídas entre eles,
línguas, como de fogo,
e pousou uma sobre cada um deles.
At 2:4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo
e passaram a falar em outras línguas,
segundo o Espírito lhes concedia que falassem.
At 2:5 Ora, estavam habitando em Jerusalém
judeus, homens piedosos,
vindos de todas as nações debaixo do céu.
At 2:6 Quando, pois, se fez ouvir aquela voz,
afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade,
porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua.
At 2:7 Estavam, pois,
atônitos e se admiravam, dizendo:
Vede!
Não são, porventura, galileus
todos esses que aí estão falando?
At 2:8 E como os ouvimos falar,
cada um em nossa própria língua materna?
At 2:9 Somos partos, medos, elamitas e os naturais da Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, At 2:10 da Frígia, da Panfília, do Egito e das regiões da Líbia, nas imediações de Cirene, e romanos que aqui residem, At 2:11 tanto judeus como prosélitos, cretenses e arábios.
Como os ouvimos falar em nossas próprias línguas
as grandezas de Deus?
At 2:12 Todos, atônitos e perplexos,
interpelavam uns aos outros:
Que quer isto dizer?
At 2:13 Outros, porém, zombando, diziam:
Estão embriagados!
At 2:14 Então, se levantou Pedro,
com os onze;
e, erguendo a voz,
advertiu-os nestes termos:
Varões judeus e todos os habitantes de Jerusalém,
tomai conhecimento disto
e atentai nas minhas palavras.
At 2:15 Estes homens não estão embriagados,
como vindes pensando,
sendo esta a terceira hora do dia.
At 2:16 Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio
do profeta Joel:
At 2:17 E acontecerá nos últimos dias,
diz o Senhor,
que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne;
vossos filhos e vossas filhas profetizarão,
vossos jovens terão visões,
e sonharão vossos velhos;
At 2:18 até sobre os meus servos
e sobre as minhas servas
derramarei do meu Espírito
naqueles dias,
e profetizarão.
At 2:19 Mostrarei prodígios
em cima no céu
e sinais embaixo na terra:
sangue,
fogo
e vapor de fumaça.
At 2:20 O sol se converterá em trevas,
e a lua, em sangue,
antes que venha o grande e glorioso Dia do Senhor.
At 2:21 E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor
será salvo.
At 2:22 Varões israelitas,
atendei a estas palavras:
Jesus, o Nazareno,
varão aprovado por Deus diante de vós
com milagres,
prodígios
e sinais,
os quais o próprio Deus realizou
por intermédio dele entre vós,
como vós mesmos sabeis;
At 2:23 sendo este entregue pelo
determinado desígnio
e presciência de Deus,
vós o matastes,
crucificando-o por mãos de iníquos;
At 2:24 ao qual, porém, Deus ressuscitou,
rompendo os grilhões da morte;
porquanto não era possível fosse ele
retido por ela.
At 2:25 Porque a respeito dele diz Davi:
Diante de mim via sempre o Senhor,
porque está à minha direita,
para que eu não seja abalado.
At 2:26 Por isso, se alegrou o meu coração,
e a minha língua exultou;
além disto,
também a minha própria carne repousará em esperança,
At 2:27 porque não deixarás a minha alma na morte,
nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.
At 2:28 Fizeste-me conhecer os caminhos da vida,
encher-me-ás de alegria na tua presença. At 2:29 Irmãos, seja-me permitido dizer-vos claramente a respeito do patriarca Davi
que ele morreu
e foi sepultado,
e o seu túmulo permanece entre nós até hoje.
At 2:30 Sendo, pois,
profeta
e sabendo que Deus lhe havia jurado
que um dos seus descendentes se assentaria no seu trono,
At 2:31 prevendo isto,
referiu-se à ressurreição de Cristo,
que nem foi deixado na morte,
nem o seu corpo
experimentou corrupção.
At 2:32 A este Jesus
Deus ressuscitou,
do que todos nós somos testemunhas.
At 2:33 Exaltado, pois, à destra de Deus,
 tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo,
derramou isto que vedes e ouvis.
At 2:34 Porque Davi não subiu aos céus,
mas ele mesmo declara:
Disse o Senhor ao meu Senhor:
Assenta-te à minha direita,
At 2:35 até que eu ponha os teus inimigos
por estrado dos teus pés.
At 2:36 Esteja absolutamente certa,
pois, toda a casa de Israel de que a este Jesus,
que vós crucificastes,
Deus o fez Senhor
e Cristo.
At 2:37 Ouvindo eles estas coisas,
compungiu-se-lhes o coração
e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos:
Que faremos, irmãos? At 2:38 Respondeu-lhes Pedro:
Arrependei-vos,
e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo
para remissão dos vossos pecados,
e recebereis o dom do Espírito Santo.
At 2:39 Pois para vós outros é a promessa,
para vossos filhos
e para todos os que ainda estão longe,
isto é, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar.
At 2:40 Com muitas outras palavras deu testemunho
e exortava-os, dizendo:
Salvai-vos desta geração perversa.
At 2:41 Então, os que lhe aceitaram a palavra
foram batizados,
havendo um acréscimo naquele dia
de quase três mil pessoas.
At 2:42 E perseveravam na doutrina dos apóstolos
e na comunhão, no partir do pão
e nas orações.
At 2:43 Em cada alma havia temor;
e muitos prodígios e sinais eram feitos
por intermédio dos apóstolos.
At 2:44 Todos os que creram estavam juntos
e tinham tudo em comum.
At 2:45 Vendiam as suas propriedades e bens,
distribuindo o produto entre todos,
à medida que alguém tinha necessidade.
At 2:46 Diariamente
perseveravam unânimes no templo,
partiam pão de casa em casa
e tomavam as suas refeições
com alegria e singeleza de coração,
At 2:47 louvando a Deus
e contando com a simpatia de todo o povo.
Enquanto isso,
acrescentava-lhes o Senhor,
dia a dia,
os que iam sendo salvos.
A igreja hodierna perdeu bastante de sua origem. Hoje cada um de nós abre uma igreja, coloca nelas suas leis e prega o evangelho sem se importarem com o corpo de Cristo unido.
O Espírito Santo: Todos os cristãos têm o Espírito Santo?
Jesus prometeu que ele e o Pai enviariam aos seus discípulos "outro Consolador" (Jo 14.16; veja também Jo 14.26; 15.26; 16.7). O termo "Consolador" é derivado de uma palavra grega que significa aquele que dá apoio ou age como auxiliador, conselheiro, fortalecedor, encorajador, aliado e/ou advogado de defesa. Esse Consolador não é outro senão o Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade (veja o artigo teológico "A Trindade", em Jo 14).
A divindade do Espírito se manifesta de várias maneiras. Por exemplo, a declaração de Pedro de que mentir para o Espírito corresponde a mentir para Deus (At 5.3-4) atribui divindade ao Espírito. A ligação estreita do Espírito com o Pai e o Filho nas bênçãos (2Co 13.14; Ap 1.4-6) e na fórmula de batismo (Mt 28.19) confirmam a igualdade do Espírito com o Pai e o Filho. O fato de o Espírito ser um substituto adequado para Cristo também indica a sua divindade (J0 16.7), como o faz o seu conhecimento singular da mente do Pai (1 Co 2.10-11). Assim, o Espírito não é uma entidade indefinida, mas uma pessoa definida da Trindade e, juntamente com o Pai e o Filho, deve ser obedecido, amado e adorado.
A declaração de Jesus de que enviaria o Espírito uma vez que tivesse subido ao Pai (Jo 16.7) levanta várias dúvidas. O Espírito de Deus não estava presente antes disso? O ministério do Espírito não era conhecido antes desse ponto do Novo Testamento?
Para entender o ministério do Espírito no Novo Testamento, é essencial estar ciente de que ele ministrou no período do Antigo Testamento de maneiras que prefiguraram o que estava por vir no Novo Testamento. Ele (1) trouxe ordem ao caos primordial (p. ex., Gn 1.2; SI 33.6); (2) concedeu revelação e sabedoria (p. ex., Dt 34.9; Mq 3.8); (3) veio sobre servos de Deus a fim de capacitá-los para servir ao Senhor (p. ex., Êx 31.2-6; Jz 6.34; 15.14-15; Is 11.2); e (4) promoveu a renovação interior daqueles que creram em Deus (p. ex., Ez 36.26-27; cf. Rm 8.9-16). Dessas maneiras e de outras semelhantes, o Espírito Santo foi revelado no Antigo Testamento como o poder e a presença de Deus com o seu povo. Ministrou a todo o povo de Deus e foi fonte de regeneração e vida santa para todos os fiéis. Também se manifestou de formas especiais, porém bastante limitadas, em determinados lugares, pessoas e momentos.
A era do Novo Testamento, porém, é singularmente a era do Espírito. Uma das grandes expectativas dos profetas do Antigo Testamento era de que, nos últimos dias, depois que o exílio de Israel tivesse terminado (veja o artigo teológico "O plano das eras", em Hb 7), Deus estenderia o seu reino a todas as nações (Is 2.2-5; Am 9.9-15). Um dia, a glória do Senhor se estenderia de uma extremidade à outra da terra (SI 22.27; 48.10; 67.7; Is 24.16). Assim, não é de surpreender que o profeta Joel tenha predito o derramamento do Espírito sobre pessoas de todos os tipos e raças nos últimos dias (Jl 2.28-32). Dessa e de outras maneiras, o ministério do Espírito no Antigo Testamento foi menos dramático do que no Novo. No Antigo Testamento, apenas uns poucos escolhidos receberam dons especiais a fim de realizar tarefas extraordinárias para Deus; no Novo Testamento, porém o Espírito concede dons a todos os cristãos (At 2.16ss).
Joao havia prenunciado que Jesus batizaria com o Espírito (Mc 1.8; Jo 1.33), e Jesus repetiu essa promessa (At 1.4-5). O derramamento do Espírito em Pentecostes deu início aos últimos estágios do processo pelo qual a presença sublime de Deus está se estendendo aos confins da terra (Ap 21.1-5,23-24). No entanto, a obra do Espírito não é distribuída de modo igual sobre toda a raça humana, e nem mesmo sobre todas as pessoas dentro da igreja (1 Co 12.13-30). Ainda assim, nos dias de hoje sua obra é muito mais ampla do que no passado e todos os cristãos recebem algum tipo de dom (1Co 7.7; Ef 4.7; 1 Pe 4. 1 0). Nesse sentido, Jesus prometeu uma distribuição maior da plenitude do Espírito ao se referir ao "outro Consolador" (Jo 14.16), que fala (At 1.16; 8.29; 10.19; 11.12; 13.2; 28.25), ensina (Jo 14.26), dá testemunho (Jo 15.26), perscruta (1Co 2.10), determina (1Co 12.11), intercede (Rm 8.26-27), para o qual se pode mentir (At 5.3) e que pode ser entristecido (Ef 4.30). O Espírito também nos ilumina (Ef 1.17-18), regenera (Jo 3.5-8; Rm 8.9-11), conduz e dá poder para santificação (Rm 8.14; GI 5.16-18), transforma (2Co 3.18; GI 5.22-23), dá segurança (Rm 8.16) e se manifesta em dons para o ministério (At 1.8; 1Co 12.4-11). Toda a obra de Deus em nós, tocando nosso coração, caráter e conduta, é realizada pelo Espírito, embora alguns aspectos dessa obra sejam atribuídos, por vezes, ao Pai e ao Filho, para os quais o Espírito realiza uma função executiva.
Uma vez que o derramamento do Espírito alcançou os gentios pela propagação inicial do reino pelos apóstolos, foi feita uma distinção mais clara entre os ministérios do Espírito aplicados aos cristãos ao longo de toda a era do Novo Testamento (e, em muitos casos, também do Antigo Testamento) e seus ministérios individualizados e temporários. A habitação do Espírito nos cristãos (At 13.52; Rm 15.13; Ef 5.18), o batismo (Mt 3.11; 28.19; At 1.5; 2.38; 11.16; 1Co 12.13) e o selo do Espírito (2Co 1.21-22; Ef 1.13) fazem parte da primeira categoria. Na segunda, têm-se as diversas maneiras pelas quais ele enche os cristãos (Rm 12.6-8; Ef 4.8,11-13) e se manifesta (1Co 12.27-31) a indivíduos.
Todo cristão da igreja deve ansiar e orar para receber dons do Espírito Santo (1Co 12.31; 14.1) para que a igreja seja edificada (1Co 12.7; 14.26). Por vezes, as pessoas não possuem os dons espirituais que afirmam haver recebido (Dt 18.20-22; At 19.13-16; 1Jo 4.1) ou não os exercem de maneira apropriada (1Co 13.1-3; 14.6-19,27-31), mas isso não significa que devemos reagir de maneira exagerada, negando manifestações legítimas do poder do Espirito ou extinguindo a sua obra e a concessão de dons aos cristãos (Ef 4.30; 1Ts 5.19-21). O Espírito de Deus é o antegozo da nossa herança futura em Cristo. Devemos almejar por ver o seu ministério no nosso meio e desfrutar o fruto do Espírito na nossa vida a cada dia (GI 5.22-25). 
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 170 dias para 20/04/16 (Inicio: 05/05/15). Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. (Is 26.3).
A Deus toda glória! p/ pr. Daniel Deusdete.

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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.