sábado, 2 de janeiro de 2016

II Coríntios 2 1-17 - O BOM PERFUME DE DEUS!

Ressaltamos que II Coríntios foi escrita para expressar carinho e gratidão pelo arrependimento que houve em Corinto e encorajar uma maior lealdade a Paulo como um apóstolo de Cristo. Estamos vendo a parte II, cap. 2/13.
Breve síntese do capítulo 2.
Paulo continua seu discurso justificando-se e apresentando fatos importantes para mudar a opinião formada a seu respeito com relação à pregação do evangelho de Cristo, pelo que fora chamado e se sente abençoado em ajudar os irmãos.
Nesse capítulo, Paulo vai explicar que somos de Deus o bom perfume de Cristo que estará espalhando a vida em doces fragrâncias por causa da mensagem do evangelho.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
II. EXPLICAÇÃO SOBRE O MINISTÉRIO DE PAULO (1.3-7.16) - continuação.
Nós já explicamos que como os coríntios haviam interpretado mal as ações e motivações de Paulo, ele começou a carta com uma explicação de algumas coisas que haviam acontecido desde que os havia visto pela última vez, especialmente as maravilhas do seu ministério na nova aliança.
Assim, dividimos esta parte, conforme a BEG, em seis seções: A. Gratidão pelo consolo de Deus (1.3-11) – já vimos; B. Explicação sobre a mudança de planos (1.12-2.4) – concluiremos agora; C. Perdão de um pecador penitente (2.5-11) – veremos agora; D. Viagem à Trôade e à Macedônia (2.12-13) – veremos agora; E. A maravilha do ministério da nova aliança (2.14-7.4) – começaremos a ver agora; e, F. Alegria pela chegada de Tito (7.5-16).
B. Explicação sobre a mudança de planos (1.12-2.4) - continuação.
Como já dissemos, alguns membros da igreja de Corinto haviam acusado Paulo de falta de integridade porque ele não havia cumprido seus planos anteriores de visitá-los.
Depois da visita "em tristeza" (vs. 1), Paulo escreveu uma carta de repreensão à igreja de Corinto, enviando-a pelas mãos de Tito (2.13; 7.6-7,13-14).
Ele a escreveu no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração – vs. 4. Paulo continuou aqui falando sobre o que muitos têm chamado sua "carta severa" (que não chegou até nós) que havia sido enviada à igreja de Corinto como uma repreensão depois de sua rápida e angustiante visita a eles.
O propósito de Paulo ao escrever a carta severa não era fazer com que os coríntios se sentissem entristecidos, mas demonstrar que o seu amor por eles era tão profundo que ele sempre procurava o melhor interesse deles, mesmo quando isso significava causar dor tanto a eles como a ele próprio.
C. Perdão de um pecador penitente (2.5-11).
Paulo tocou agora numa questão que envolvia a disciplina na igreja.
Com frequência, essa passagem – vs. 5 - é considerada como se referindo ao caso do homem que estava tendo um relacionamento com a esposa do próprio pai (1Co 5.1-8). Essa identificação é questionável porque, diferente da má ação considerada aqui, a ofensa em 1Co 5 não havia sido praticada contra Paulo (vs. 5,10).
E também, 1Co 5 não parece ter sido escrita com a finalidade de testar a obediência dos coríntios, enquanto aqui Paulo explicitamente pretendia testar os coríntios com a situação referida (vs. 9).
Aparentemente, depois de Paulo ter deixado Corinto ou pelo menos depois de Tito ter ido com a "carta severa", os coríntios haviam exercitado a disciplina da igreja contra o ofensor (cf. Mt 18.15-20).
A disciplina da igreja não deveria continuar depois de ter havido arrependimento pelo erro.
Esses devem ser os objetivos da disciplina da igreja:
ü  A glória de Cristo.
ü  A pureza da igreja.
ü  A restauração do pecador.
Quanto ao perdão, Paulo confiava no julgamento da congregação dos coríntios. A presença de Cristo era um tema comum nessa epístola. Todas as nossas ações não são realizadas em sigilo, mas na presença de Cristo, o Senhor da igreja. Se tanto Paulo como Cristo já haviam perdoado o ofensor, os crentes coríntios deveriam fazer o mesmo (cf. Mt 16.19; Jo 20.23).
Isso para que Satanás não alcançasse vantagem sobre nós. Satanás pode obter uma vitória contra nós persuadindo-nos a não executar a disciplina da igreja de modo algum ou convencendo-nos a permanecer duros e sem perdoar depois de ter acontecido uma mudança no coração do pecador.
D. Viagem à Trôade e à Macedônia (2.12-13).
Paulo descreveu de modo breve as suas viagens a Trôade e Macedônia, que haviam acontecido durante o tempo em que ele estava esperando a palavra de Corinto.
Trôade era uma cidade ao noroeste da Ásia Menor (atual Turquia), de onde Paulo velejaria para Filipos (na Europa). Foi em Trôade que Paulo havia anteriormente tido a visão do homem da Macedônia implorando que ele fosse e ajudasse (At 16.9).
Deus havia providenciado oportunidades de pregação do evangelho. Paulo sabia que só o trabalho soberano de Deus tornava o evangelismo eficaz; a menos que Deus abrisse uma porta, não haveria possibilidade de nenhum trabalho bem-sucedido.
Paulo afirmava que não estava tranquilo em seu espírito, literalmente, "Não tive descanso no meu espírito". Paulo havia esperado que Tito o estivesse esperando em Trôade com a notícia de que a "carta severa" havia sido bem recebida. Não encontrando Tito, ficou profundamente perturbado.
Por isso, despediu-se deles e foi para a Macedônia. Uma tremenda oportunidade para um ministério eficaz não fez que Paulo deixasse o compromisso principal de cuidar da igreja de Corinto e ajudá-los a resolver os seus problemas.
Paulo continuava a sentir uma profunda preocupação por todas as igrejas (11.28-29).
Paulo provavelmente foi para Filipos na Macedônia e depois talvez para Tessalônica ou Sereia antes de Tito chegar. At 16.8-18.1 descreve a viagem anterior de Paulo ao longo dessa rota. Nesse ponto, a narrativa sobre o seu relacionamento com a igreja de Corinto é interrompida até 7.5-16, onde o relato da chegada de Tito é finalizado.
E. A maravilha do ministério da nova aliança (2.14-7.4).
Dos vs. 14 ao 7.4, veremos a grandeza do ministério apostólico. Enquanto descreve a sua ansiedade com relação à igreja de Corinto e o seu desapontamento por não ter encontrado Tito em Trôade, Paulo se aprofundou numa longa reflexão sobre a natureza do seu ministério.
A descrição que ele faz do seu ministério do evangelho é dividida em seis seções: seu ministério evangelístico como um cortejo triunfal (2.14-17), seus convertidos conto cartas vivas (3.1-3), a glória do seu ministério da nova aliança (3.4-4.6), o tesouro do evangelho em jarros de barro (4.7-5.10), o objetivo da reconciliação (5.11-6.13) e a importância de separar-se do mal (6.14-7.4).
Elas formarão a seguinte divisão proposta que estaremos seguindo conforme a BEG: 1. A vitória no ministério (2.14-17) – veremos agora; 2. A carta viva (3.1-3); 3. A nova e excelente aliança (3.4-4.6); 4. Vasos de barro (4.7-5.10); 5. O ministério da reconciliação (5.11-6.13); e, 6. Nenhuma comunhão com os incrédulos (6.1 4-7.4)
1. A vitória no ministério (2.14-17).
Paulo iniciou a descrição do seu ministério em termos de um cortejo triunfal romano. Apesar das dificuldades que ele havia experimentado como ministro do evangelho viajante, Paulo sabia que o seu trabalho estava apropriadamente descrito como um cortejo de vitória.
Paulo via a si mesmo como uma parte do cortejo da vitória de Deus. Assim como um general da Antiguidade liderava uma parada vitoriosa quando voltava à sua própria cidade, com os cativos que havia conquistado seguindo atrás, Paulo sabia que Deus o estava usando a fim de alcançar a vitória por meio do evangelho.
Todos os que participam espalhando as boas-novas de Cristo marcham no cortejo de triunfo do seu grande Rei, à medida que as forças do inimigo se desmoronam enquanto ele avança.
Retrocessos momentâneos (como os que Paulo experimentou em Trôade) são temporais - os olhos da fé veem o progresso implacável do reino de Deus. Deus sempre "nos conduz em triunfo".
A doçura da sabedoria de Cristo traz bem-estar ao coração dos crentes. É Deus que sempre está nos conduzindo vitoriosamente em Cristo e por meio dos crentes, Deus está exalando, em todo lugar, aquela fragrância do seu conhecimento, sendo nós considerados para com Deus o bom perfume de Cristo.
O fato de que nós somos uma fragrância doce para Deus significa que ele se regozija em nós e em nossa vida. Esse é um cumprimento dos sacrifícios do Antigo Testamento, dos quais a fumaça exalava um "aroma agradável ao Senhor" (Lv 1.17).
É esse um aroma de vida. Os crentes verdadeiros exalam um perfume agradável, não somente em termos de seu relacionamento com Deus, mas também em suas interações com aqueles ao seu redor.
Por outro lado, a vida dos crentes amedronta os incrédulos, que reconhecem que falta neles mesmos a doçura do aroma espiritual - uma advertência a respeito do julgamento iminente (Fp 1.28).
Quem é, porém, suficiente para estas coisas? Ser um mensageiro da vida ou morte eterna é um privilégio extraordinário. Ninguém é digno dessa tarefa eternamente importante, mas Deus qualifica crentes para isso, apesar de tudo (3.6).
É trágico que, tanto antes como agora, muitos pregam o evangelho (ou ensinam o Cristianismo) somente conto um meio de ganhar a vida.
O objetivo de Paulo não era o de obter benefício próprio ou uma recompensa financeira, mas a glória de Deus, na presença de Deus.
Todo o ministério de Paulo era realizado na presença de Deus - um forte motivo para que mantivesse a sua consciência limpa (1.12; At 23.1; 1Tm 1.5; 2Tm 1.3).  
II Co 2:1 Isto deliberei por mim mesmo:
não voltar a encontrar-me convosco em tristeza.
II Co 2:2 Porque, se eu vos entristeço,
quem me alegrará,            
senão aquele que está entristecido por mim mesmo?
II Co 2:3 E isto escrevi para que, quando for,
não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me,
confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa.
II Co 2:4 Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração,
vos escrevi, com muitas lágrimas,
não para que ficásseis entristecidos,
mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro
em grande medida.
II Co 2:5 Ora, se alguém causou tristeza,
não o fez apenas a mim,
mas, para que eu não seja demasiadamente áspero,
digo que em parte a todos vós;
II Co 2:6 basta-lhe a punição pela maioria.
II Co 2:7 De modo que deveis, pelo contrário,
perdoar-lhe
e confortá-lo,
para que não seja o mesmo consumido
por excessiva tristeza.
II Co 2:8 Pelo que vos rogo que confirmeis para com ele
o vosso amor.
II Co 2:9 E foi por isso também que vos escrevi,
para ter prova de que, em tudo,
sois obedientes.
II Co 2:10 A quem perdoais alguma coisa,
também eu perdôo;
porque, de fato, o que tenho perdoado
(se alguma coisa tenho perdoado),
por causa de vós o fiz
na presença de Cristo;
II Co 2:11 para que Satanás não alcance
vantagem sobre nós,
pois não lhe ignoramos os desígnios.
II Co 2:12 Ora, quando cheguei a Trôade
para pregar o evangelho de Cristo,
e uma porta se me abriu no Senhor,
II Co 2:13 não tive, contudo, tranqüilidade no meu espírito,
porque não encontrei o meu irmão Tito;
por isso, despedindo-me deles,
parti para a Macedônia.
II Co 2:14 Graças, porém, a Deus, que,
em Cristo,
sempre nos conduz em triunfo
e, por meio de nós,
manifesta em todo lugar
a fragrância do seu conhecimento.
II Co 2:15 Porque nós somos para com Deus
o bom perfume de Cristo,
tanto nos que são salvos
como nos que se perdem.II Co 2:16
Para com estes, cheiro de morte para morte;
para com aqueles,
aroma de vida para vida.
Quem, porém, é suficiente para estas coisas?
II Co 2:17 Porque nós não estamos,
como tantos outros,
mercadejando a palavra de Deus;
antes, em Cristo
é que falamos
na presença de Deus,
com sinceridade
e da parte do próprio Deus.
Por exemplo, não posso deixar de observar que Paulo tinha uma grande luta com os mercadores da palavra de Deus! Será que nos dias atuais ainda existem homens, apóstolos, pastores, bispos, guias, mestres que mercadejam a palavra de Deus?
Que possamos como Paulo dizer: “eu, Daniel Deusdete, em Cristo falo, na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus...”
Ao contrário de muitos (em nossa era presente, em pleno século XXI está cheio), não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus – vs. 17.
A Deus toda glória! p/ pr. Daniel Deusdete.
...
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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O Tempora, O Mores: Enfrentando a instabilidade de 2016

O Tempora, O Mores: Enfrentando a instabilidade de 2016: O ano de 2016 está às portas e se há uma unanimidade no Brasil, entre governo e oposição, crentes e descrentes, compatriotas e estrangeiros...

Posted: 31 Dec 2015 06:29 AM PST
O ano de 2016 está às portas e se há uma unanimidade no Brasil, entre governo e oposição, crentes e descrentes, compatriotas e estrangeiros, ricos e pobres, é que não será um ano fácil. Os registros de corrução se avolumam, os valores expostos, são assombrosamente vultosos e expõem os intestinos de uma nação que se acostumou tanto com a prática que virou presa fácil á extorsão pura e simples, calcada em relacionamentos incestuosos com o poder.

Os problemas fiscais são apocalípticos, possivelmente “como nunca na história deste país”. Programas sociais de legitimidade e eficácia duvidosa contribuíram para drenar a nação. Nestes últimos dias de 2015 cerca de 75 bilhões foram transferidos de contas do governo para bancos estatais, para pagar as chamadas “pedaladas”, ou maquiagens contábeis, pelas quais as contas vêm sendo “fechadas” na aparência. Na realidade muito deste “pagamento” foi feito em forma de substituição por outras dívidas, com a emissão de títulos da dívida pública – ou seja, papeis e promessas de pagamento futuro, em vez de dinheiro. O país está cabisbaixo, envergonhado e sem atinar com a saída. A realidade dura é que todos nós vamos pagar a conta dos desmandos; na realidade, JÁ estamos pagando. Aqueles que têm poupança e bens, por mais modestos que sejam, tiveram estes confiscados em 50%, no ano, quando transformados em dólar. Os salários valem 50% a menos, quando a referência é o dólar, e não digam que “não temos nada a ver com essa moeda”. Em uma economia globalizada, tudo fica mais caro e isso afeta a vida de todos, inclusive a dos mais carentes. A ressurreição do infame Imposto sobre Movimentações Financeiras (IPMF) não cessa de ser anunciada. Nesse cenário, alguns clamam por “mais governo”! “Aumentem os controles”! Deem a eles mais poder para aumentar os impostos! Outros desesperam e dizem, “não adianta, não há esperança”.

Coloco aqui alguns pensamentos para adentrarmos 2016 com um pouco de lucidez, realistas, mas confiantes na soberania do Deus que reina, procurando deixar a Palavra de Deus construir nossas convicções  sobre as estruturas e perspectivas desse mundo, no qual ele nos colocou para sermos sal e luz.

1. A solução não se encontra em mais controle governamental, mas na volta às responsabilidades básicas do governo.
Vivemos em um mundo caído em pecado. A ganância, a cobiça, o amor ao dinheiro sempre se constituirão em fortes tentações. Sempre darão oportunidade dos ricos e poderosos oprimirem os mais fracos. Por isso, em paralelo às garantias de liberdade e de livre iniciativa, o governo deve também proteger os cidadãos comuns da injustiça e da desonestidade. Nisso, nada mais fará do que voltar às suas responsabilidades básicas, recebidas de Deus. Mas isso não significa uma carta branca ao intervencionismo de toda sorte. Não representa uma ressurreição do socialismo moribundo. Se há algo que os últimos anos deveriam nos ensinar, é que o poder do estado (ou do governo) é RESTRITIVO e não DISTRIBUTIVO.

2. A esfera econômica também pode ser palco de violência e de injustiça e deve ser fiscalizada.
Por princípio, e exatamente por acreditar que esse é o projeto encontrado na Bíblia, sou avesso à grande maioria dos controles governamentais que se aceitam com naturalidade nos dias atuais. O propósito do Governo é dar garantia à segurança dos cidadãos para que eles possam desenvolver, em condições de igualdade e justiça, suas desigualdades e seus potenciais com o máximo de respeito ao próximo e em obediência à autoridade que os garante (Romanos 13.1-7). Mas essa tarefa requer, por vezes, a colocação de controles na sociedade – e na esfera econômica, exatamente para proteger os inocentes. Por exemplo, nenhum defensor de um papel reduzido ao governo, deveria ser contra a existência de sinais de trânsito. Mas isso não é extrapolar as funções do governo? Não! Ao ordenar o tráfego, ele protege as pessoas umas das outras; deve ter condições de punir os “avançadores” de sinais e de reconhecer os que os respeitam. Nesse sentido, apoiemos a livre iniciativa tanto quanto devemos apoiar a punição dos corruptos e daqueles que corrompem.

3. É necessário a proteção aos inocentes e a punição dos maus.
É óbvio que há a necessidade de mais fiscalização e diretrizes éticas no meio das estatais. O tesouro da nação não é para ser explorado por pessoas, partidos ou grupos de interesseiros. Cargos deveriam ser preenchidos por competência, não por alinhamento político-partidário. No mercado financeiro, à luz da crise de 2008, é necessário que subsistam diretrizes que limitem a exposição indevida aos créditos de risco. Essas práticas estarão alinhadas exatamente com a proteção de inocentes. O aperto, o arrocho fiscal, a recompensa dos maus, com os bons pagando a conta, é uma inversão de valores. Cabe sim, ao governo, prevenir o crime, identificar e punir os malfeitores. Os governantes, como ministros de Deus, devem valorizar (e não sufocar em impostos) aqueles que “trabalhando sossegadamente” procuram ganhar o seu pão (2 Tessalonicenses 3.12). Em paralelo não podem deixar impunes aqueles que se aproveitam de situações, ou do poder que detêm, para enriquecimento pessoal ilícito, muitas vezes sugando dos que pouco têm – via de regra com desvio dos recursos destinado a “órfãos e viúvas”.

4. Instabilidade é uma realidade inexorável.
Instabilidade parece ser a palavra da vez (com todas as suas derivativas: volatilidade, desconfiança, falta de credibilidade, insegurança, etc.). Nesse sentido, todo esse turbilhão econômico-financeiro que estamos vivenciando vem demonstrar a bênção que é a estabilidade, tão rapidamente abalada. No Brasil, chegamos a quase nos acostumar com uma forma de vida mais economicamente estável, em função da solidez da moeda e de uma situação econômica favorável ao crescimento, experimentada desde 1994. É verdade que o aperto financeiro em nosso bolso nunca foi aliviado, mas passamos a planejar com mais tranquilidade e, ingenuamente, passamos a achar que a estabilidade era permanente. Chegamos a arquivar os pacotes econômicos, como coisas do passado. É fácil enganarmo-nos a nós mesmos, mas uma simples olhada na história demonstrará como instabilidade é a norma nesse mundo. Em 1987 houve uma crise intensa nos mercados financeiros. A capa da revista TIME chegou a compará-la á crise de 1929. Em 2008 tivemos uma crise monumental. Nossa memória é curta. Estamos preocupados com a situação financeira, mas um olhar mais abrangente revela violência crescente, atos de terror, guerras atrozes, crueldades indescritíveis, exploração de mulheres e crianças. Um mundo que jaz em pecado é, por definição, instável.

5. Estabilidade é um anseio legítimo que cresce em proporção inversa à instabilidade ao nosso redor.
No cenário de recessão que atravessamos e naquele que se descortina para 2016, já é possível antever o continuado desaquecimento do mercado; vendas cada vez mais decrescentes; contenção de despesas nas empresas, com o consequente desemprego; incertezas em nosso dia-a-dia; instabilidade, enfim. De certa forma, nos sentimos espoliados em conquistas que julgávamos alcançadas. Com frequência as pessoas se consideram aventureiras e corajosas, mas por que será que a estabilidade é algo tão almejado e perseguido? Por que as pessoas anseiam por uma repetibilidade das circunstâncias, pela condição de poderem planejar?

6. Estabilidade é característica divina.
Estabilidade é uma característica divina, por isso ela é uma bênção. Deus é estável. O pecado é fator de instabilidade. Deus é previsível. Satanás é enganador e astuto. A criação geme, sob o domínio do pecado. Deus instala a ordem no meio do caos. A mensagem de Deus é construtiva, no meio da turbulência. O plano de salvação é sequencial, lógico e progressivo. Da morte espiritual, pela justificação procedente de Jesus Cristo, passamos à vida e, em santificação, aguardamos a glorificação e comunhão eterna com o Pai. A Palavra de Deus ensina estabilidade de vida, a estabilidade da família, a estabilidade da sua Igreja. Estabilidade, podemos esperar de Deus, e só dele: o mais está fadado à desilusão.

7. Vivendo estavelmente em um mundo instável.
Não tenhamos dúvida de que Deus nos sustentará em 2016. Ele prepara os seus servos para viverem estavelmente em um mundo instável. Jesus intercedeu não para que fôssemos tirados do mundo, mesmo com suas instabilidades e perigos, mas para que pudéssemos ser livres do mal. Na realidade, somos comissionados com a mensagem da estabilidade do evangelho, como embaixadores de um país celestial, no qual não existem pacotes, e os tesouros não são corrompidos pela inflação, especulação ou malversação; onde não existem crises, nem turbilhão financeiro; de onde a corrução e o pecado foi levada e lavada pelo Sangue de Cristo. Serenidade e confiança em Deus é o remédio para os sobressaltos desta vida. A estabilidade que o mundo e os governantes nos oferecem, é passageira, é enganosa, é traiçoeira. A paz que recebemos de Jesus difere da obtida do mundo: ela tem o efeito de serenar os nossos corações.

8. Enfrentando a instabilidade de 2016.
Como enfrentar este ano de crise e outras crises em nossas vidas? Com a paz de Deus em nossos corações, com a confiança de que ele reina e está em controle de tudo e de todos, com a certeza de que a vitória final é dele e de seus servos. O que pedir a Deus, para 2016? Devemos estar orando para que ele possa atuar em nosso país, derramando a sua graça comum, para que a estabilidade, tão característica de sua pessoa, seja parte de nossa experiência e peregrinação, por onde ele nos guiar. Nesse momento de incertezas, acima de tudo, além de contabilizarmos as perdas (agora, ou no futuro) façamos um balanço da nossa alma, dos nossos objetivos e de nossas motivações. Aprendamos com as circunstâncias, pois o Deus da providência nos ensina através das situações em que ele nos coloca.

"Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus as vossas petições pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e as vossas mentes em Cristo Jesus". Filipenses 4.6,7
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Solano Portela

II Coríntios 1 1-24 - O DEUS DAS CONSOLAÇÕES E A COMUNHÃO UNS COM OS OUTROS.

II Coríntios foi escrita para expressar carinho e gratidão pelo arrependimento que houve em Corinto e encorajar uma maior lealdade a Paulo como um apóstolo de Cristo. Estamos vendo as partes I e II, cap. 1/13.
Breve síntese do capítulo 1.
Logo no início da carta, vemos que quem a escreveu foram Paulo e Timóteo, sendo Paulo apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus e Timóteo, apenas o irmão. Eles dirigem a carta a dois destinatários aos quais os saúdam com graça e paz. 
Percebe-se a não menção, pelo menos aqui, no início, do Espírito Santo, sem o qual nem o nome de Jesus podemos falar, mas ao longo do próprio capítulo ele fala do Espírito dizendo que Deus nos deu o penhor dele em nossos corações.
Paulo saúda a igreja que está em coríntios e todos os santos da Acaia. Sobre a ACAIA, “Aqueia ou Acaia (em latim: Achaea; em grego: Αχαΐα) foi uma província do Império Romano que comprendia o actual Peloponeso e sul da Grécia. A sua capital era Corinto. Fazia fronteira a norte com as províncias de Épiro e Macedónia. A região foi anexada à República Romana em 146 a.C. após uma brutal campanha em que a cidade de Corinto foi devastada pelo general Licínio Minúcio e os habitantes chacinados ou vendidos como escravos. Licínio Minúcio herda assim o cognome de Acaico,ou seja, "conquistador da Aqueia". A Aqueia conta entre os seus filhos mais ilustres o historiador Políbio e Jeziel, adotando o nome grego Estevão, o primeiro mártir do Cristianismo.” Fonte: wikipedia.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
I. SAUDAÇÕES (1.1-2).
Paulo, identificando-se como apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, juntamente com o irmão Timóteo, que estava em Corinto e com todos os santos da Acaia, cumprimentou e abençoou com a graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus a igreja em Corinto e Acaia.
De modo costumeiro, Paulo começou por identificar a si mesmo e os destinatários de sua carta.
Nas saudações de sua carta, Paulo distinguiu entre ele mesmo (como um "apóstolo") de seus companheiros íntimos, como Timóteo (1Co 1.1; Cl 1.1).
O termo "apóstolo" aqui se refere um representante oficial autorizado a agir no lugar de quem o enviava. Além do sentido técnico do termo aplicado aos doze mais Paulo, "apóstolo" é, às vezes, usado no Novo testamento no sentido geral de "mensageiro" e "representante" (p. ex., 8.23).
Ele não é apóstolo por ter alcançado esse patamar, mas o é pela vontade de Deus. É a escolha soberana de Deus que, em última análise, coloca as pessoas em cargos e ministérios na igreja - seja como apóstolos (como aqui), anciãos (At 20.28) ou aqueles cujos dons os capacitam para outros ministérios na igreja (1 Co 12.7,11,28).
Timóteo estava aparentemente entre os companheiros de trabalho mais confiáveis e talentosos de Paulo (cf. 1Co 1.1; Fp 1.1; Cl 1.1; 1Tm 1.1).
Os destinatários da carta de Paulo e Timóteo eram os irmãos de corinto, com todos os santos que estavam na Acaia. Literalmente, "pessoas santas ou santificadas", um termo comumente usado por Paulo para se referir a todos os membros da igreja visível (a BEG recomenda leitura e reflexão em seu excelente artigo teológico "A igreja visível e a invisível", em I Pe 4).
Embora a carta tenha sido primeiramente planejada para a igreja de Corinto, aparentemente Paulo percebeu que ela seria lida pelas igrejas dos arredores na região de Acaia, que estava localizada na parte sul da atual Grécia.
O         que primeiramente o apóstolo deseja a eles é a graça soberana de Deus, o favor imerecido de Deus. Os pecadores carecem da graça não somente para o perdão inicial de pecados, mas também para o perdão contínuo, principalmente nas vicissitudes da vida diária. Juntamente com a graça, vem a paz, não somente paz exterior e livramento da perseguição, mas também a paz interior com Deus, a shalom (Rm 5.1-2; Fp 4.7; Cl 3.15).
II. EXPLICAÇÃO SOBRE O MINISTÉRIO DE PAULO (1.3-7.16).
Ele pacientemente explicou como o seu amor pelos coríntios não havia diminuído. Deus havia guiado e abençoado a vida de Paulo desde a última vez que eles o haviam visto. À medida que descreve essas coisas, Paulo enfatizava especialmente as maravilhas do seu ministério na nova aliança.
Como os coríntios haviam interpretado mal as ações e as motivações de Paulo, ele começou a carta com uma explicação de algumas coisas que haviam acontecido desde que os havia visto pela última vez.
Ele tocou em seis assuntos principais: gratidão pelo consolo de Deus (1.3-11), uma explicação sobre a sua mudança de planos (1.12-2.4), sua preocupação com um pecador penitente em Corinto (2.5.11), sua viagem à Trôade e à Macedónia (2.12-13), a maravilha de ministrar na nova aliança (2.14-7.4) e a alegria pela chegada de Tito (7.5-16).
Elas formarão a nossa divisão proposta, conforme a BEG: A. Gratidão pelo consolo de Deus (1.3-11) – veremos agora; B. Explicação sobre a mudança de planos (1.12-2.4) – começaremos a ver agora; C. Perdão de um pecador penitente (2.5-11); D. Viagem à Trôade e à Macedônia (2.12-13); E. A maravilha do ministério da nova aliança (2.14-7.4); e, F. Alegria pela chegada de Tito (7.5-16).
A. Gratidão pelo consolo de Deus (1.3-11).
Paulo começou expressando a sua gratidão pelo conforto que ele havia recebido de Deus com relação à igreja de Corinto.
Embora as três pessoas da trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) tenham sempre existido e sejam iguais em atributos e divindade, elas têm papéis distintos.
O papel do Pai é iniciar e dirigir todas as ações da divindade e (como enfatizado aqui) relacionar-se com Jesus Cristo, Deus o Filho, como um pai com o seu filho. Pai de misericórdias e Deus de toda consolação. Um tema proeminente em 1.3-9.15. Toda a verdadeira compaixão e conforto (consolação e encorajamento) no mundo têm origem em Deus.
Deus tem um propósito soberano, tanto em nossos problemas quanto no consolo que ele nos dá em meio a esses problemas.
Aqueles que já sentiram o consolo de Deus em tempo de provação podem esperar que Deus os colocará em contato com outros que estão passando por algum tipo de problema semelhante, para que eles possam compartilhar o consolo que têm recebido de Deus.
Embora os crentes não possam acrescentar nada à total expiação de Cristo pelos pecados (Is 53.11; Jo 19.30; Hb 9.26-28), Deus os têm chamado para sofrerem por Cristo e assim se juntarem a ele em seus sofrimentos (Rm 8.17; Cl 1.24; Hb 12.2-3; 1Pe 2.21). Isso deveria se constituir na maior honra que um homem pudesse cobiçar em toda a sua curta vida na terra.
Como os crentes estão unidos com Cristo e são parte do seu corpo, tanto os sofrimentos quanto o conforto em Jesus Cristo são propriamente vistos como um resultado de sua participação nele (Fp 3.10-11).
Aqui Paulo informou que as experiências de Cristo - especialmente o seu sofrimento, morte e ressurreição - constituem o padrão básico pelo qual os cristãos podem entender as suas próprias experiências como membros do corpo de Cristo.
Com frequência Paulo afirmava que os cristãos participam da humilhação de Cristo e da sua exaltação (mais uma vez a BEG recomenda reflexão em seu excelente artigo teológico “A união com Cristo", em Cl 6).
Paulo via a soberana mão de Deus e o seu bom propósito em tudo o que acontecia com ele, tanto se esses acontecimentos trouxessem aflição como se trouxessem consolo. Isso também se pode chamar de maturidade e plena convicção de seu papel no programa de Deus.
Eu tenho, como igualmente você leitor, um lugar para ocupar nesse plano perfeito do Criador e devemos nele confiar sempre, crendo que onde estivermos, ali estará conosco o Espírito Santo nos guiando e nos conduzindo em tudo.
Os crentes sofrem não somente porque eles estão unidos com Cristo (vs. 5), mas também porque estão unidos uns aos outros - quando um sofre, todos sofrem (1Co 12.26).
Quanto mais essa realidade influencia as atitudes e ações dos crentes com relação um ao outro, mais eles sentem a mútua comunhão satisfatória por meio de Cristo.
Paulo estava aparentemente se referindo – VS. 8 - a alguns sofrimentos graves (talvez perseguição, doença ou injúria) que havia sofrido desde a última vez que havia estado em Corinto.
Essas dificuldades haviam ocorrido ou em Éfeso (At 19) ou durante o período entre as visitas que havia feito a Éfeso e à Macedônia (não mencionadas em At 20.1).
Nessa epístola "nós" às vezes refere-se somente a Paulo, mas mais frequentemente ela se refere a Paulo e a seus colaboradores na obra (p. ex., Timóteo, Silas).
Paulo estava convencido de que Deus havia decidido de que era tempo de ele morrer e que a sua vida estava prestes a chegar ao fim.
Muitas vezes, o propósito de Deus em nossas aflições é o de fazer com que deixemos de confiar na nossa própria força e nas nossas habilidades e passemos a confiar mais totalmente nele que ressuscita os mortos.
Se Deus pode dar poder até mesmo ao morto para que ele retorne à vida, certamente ele pode capacitar os crentes em suas fraquezas.
Desse modo, a morte e a ressurreição de Cristo são diariamente manifestadas novamente na vida dos crentes (cf. 1Co 15.31; GI 2.20) e a futura ressurreição deles é prevista também (Fp 3.10; Cl 3.1).
A oração tem resultados reais. Paulo estava convencido de que Deus estabelece o seu relacionamento com o mundo de tal modo que ele responderá à oração. Paulo precisava desse tipo de ajuda dos outros, assim como cada um de nós precisa.
O termo grego traduzido "por" também pode significar "para que". A sentença depende da ação de Deus no início do vs. 10 (livramento da morte).
Deus continuaria a livrar Paulo e a responder às suas orações "para que" muitas pessoas agradecessem e adorassem a Deus. Ao longo de toda a história humana, o desejo de Deus é o de que muitas pessoas o sirvam e o adorem (Gn 1.28-29; Ap 7.9).
O ministério de Paulo cumpria esse objetivo por meio da redenção de muitos que exaltariam a graça de Deus (cf. 4.15).
B. Explicação sobre a mudança de planos (1.12-2.4).
Do vs. 12 ao 2.4, a mudança de planos é explicada. Alguns membros da igreja de Corinto haviam acusado Paulo de falta de integridade porque ele não havia cumprido seus planos anteriores de visitá-los.
Paulo não se gloriava na sua própria habilidade, mas na sua consciência limpa e conduta moralmente correta entre aqueles em Corinto (e em todos os lugares).
Essas virtudes não vinham dele mesmo, mas "de Deus". Elas não resultavam de seguir a sabedoria convencional do mundo com relação a como agir, mas dependiam da "graça de Deus".
Quando Paulo se gloriava, ele não dava crédito a si mesmo, mas dava toda a glória a Deus. No relacionamento com eles, a santidade e a sinceridade provinham de Deus, não conforme a sabedoria humana, mas resultado da graça divina. Paulo começou a rebater a acusação de que havia mudado seus planos para visitar Corinto por razões mundanas.
Paulo relembrou aos coríntios que os seus escritos, assim como o seu ministério, não eram tortuosos, desonestos ou cheios de significados secretos e intenções ocultas (como talvez alguns de seus oponentes em Corinto houvessem afirmado).
Os escritos de Paulo eram diretos e, na maioria, fáceis de entender. As palavras de Pedro nos lembram, entretanto, que algumas coisas que Paulo escreveu eram "difíceis de entender" (2Pe 3.16), indicando que nem tudo nos escritos de Paulo era igualmente claro para todas as pessoas.
Há aqui uma aplicação para a doutrina da clareza das Escrituras: Tudo o que é necessário para a salvação está totalmente claro na Bíblia. Além disso, os crentes precisam se envolver num estudo sério para entenderem alguns aspectos das Escrituras e, ao mesmo tempo, pedir a ajuda de Deus para entenderem a sua Palavra (Dt 6.6-7; SI 19.7; 119.130; 2Tm 2.15).
Os coríntios poderiam se orgulhar e se regozijar com relação ao que Deus havia feito em Paulo e em seus companheiros de trabalho – vs. 14 – bem assim, eles poderiam se orgulhar dos coríntios no dia de Jesus, o Senhor - refere-se ao "dia do Senhor"; ou seja, o dia da volta de Cristo.
Confiado nisso e para que eles fossem duplamente beneficiados - uma tradução alternativa é "ter graça dobrada" era que ele planejava primeiro visitá-los. Paulo sabia que suas visitas às igrejas transmitiam a graça de Deus para seus membros.
Paulo não tinha sido leviano ao planejar isso. Os inimigos estavam desacreditando o apóstolo com a acusação de que a sua palavra não era confiável, mas eles não dispunham de todos os fatos.
Paulo se firmava na fé em Deus como o padrão e a garantia de sua própria fé. Paulo relembrou aos coríntios que o seu evangelho era absolutamente confiável e havia levado à salvação deles – vs. 18.
A absoluta confiança e segurança das palavras de Deus em Cristo eram o padrão que Paulo procurava seguir em seu próprio discurso. Isso é semelhante ao padrão geral de Paulo de traçar regras morais a partir do caráter moral de Deus.
Na análise final, Cristo cumpre todas as promessas de Deus a seu povo – vs. 20. Podemos confiar totalmente na habilidade de Cristo de dar as misericórdias de Deus a seus seguidores.
Nos vs. 21 e 22, vemos a tríplice citação referente a Cristo, a Deus e ao Espírito. Uma passagem trinitariana apontando para o papel de todas as três pessoas divinas na salvação.
Quem nos sustenta e faz com que permaneçamos firmes em Cristo é Deus; se estamos firmes, glórias a Deus; se caímos, não é por que Deus não nos sustentou, mas foi opção nossa, ou seja, rejeitamos o Senhor.
A habilidade de perseverar na vida cristã não vem da própria pessoa; é um dom de Deus. Deus sempre continua a conceder essa habilidade a todos aqueles que são verdadeiramente nascidos de novo (Fp 1.6; 1Pe 1.5).
Aqueles que são desse modo guardados por Deus, continuarão a confiar em Cristo ao longo de toda a vida (13.5; Cl 1.23; Hb 3.14), porque o cuidado de Deus por eles é executado por meio da fé (1.24; 1 Pe 1.5) - novamente a BEG recomenda a leitura e reflexão em seu excelente artigo teológico "A perseverança e a preservação dos santos", em Fp 1.
Ele nos sustenta, nos unge, nos sela e põe em nós o seu Espírito – vs.21, 22.
Num sentido literal, "ungir" é derramar óleo na cabeça de uma pessoa, frequentemente como um sinal do chamado e do poder divino (1 Sm 16.13). Mas a unção de Deus para o serviço pode vir sem o derramamento literal de óleo na cabeça.
O mais poderosamente ungido por Deus foi Jesus Cristo, o Messias (tanto a palavra hebraica "Messias", como a palavra grega "Cristo", significam "o ungido").
A unção de Cristo é mencionada em Lc 4.18; At 4.26-27; At 10.38. Aqui Paulo usou um verbo grego relacionado como um lembrete de que Deus - do mesmo modo que havia ungido Jesus para o serviço e o ministério - tem ungido crentes, não com óleo literal, mas com o poder do Espírito Santo, para confirmá-los e habilitá-los em vários ministérios e áreas de serviço (I Jo 2.20,27).
Quanto ao selar, um selo oficial marcava autoridade ou posse e garantia proteção (Et 8.8, Dn 6.17; Mt 27.66; Ap 7.3). Deus sela os crentes não com um selo físico de cera ou argila, mas com o selo da habitação do Espírito Santo no coração deles (Ef 1.13; 4.30), desse modo instilando a fé em Cristo (nova recomendação da BEG para reflexão em seu excelente artigo teológico "Regeneração e novo nascimento", em Jo 3).
Uma vez que essa seladura é o resultado de um trabalho interior do Espírito Santo, a atenção de Paulo não parece estar num ato externo ou simbólico, como o batismo, apesar de que alguns têm adotado essa explicação para essa frase.
Essa expressão “o penhor do Espírito” traduz uma simples palavra grega que significa um pagamento à vista que inclui uma garantia do pagamento da porção restante. Deus tem nos dado o Espírito Santo como uma garantia da herança completa de todas as bênçãos da salvação nos novos céus e na nova terra (5.5; Rm 8.23; Ef 1.14).
Por isso que Paulo invoca e toma a Deus por testemunha - literalmente, "como testemunha contra a minha vida". Paulo fez um juramento solene para persuadir os coríntios de sua confiabilidade.
De fato, ele disse, "Se eu não estiver falando a verdade, peço a Deus que tire a minha vida". Paulo quis dar aos coríntios uma oportunidade para que eles se arrependessem antes que fosse visitá-los (13.2-4.10). Essa foi a razão por que ele não voltou a Corinto antes de viajar para a Macedônia; sua motivação não havia sido uma hesitação ou covardia humana.
Paulo afirma, finalmente – vs. 24 – que era a fé deles que fazia com que permanecessem firmes – compare com o vs. 21 onde Paulo afirma que quem nos sustenta e faz com que permaneçamos firmes é Deus. Não há contradição. A graça de Deus se manifesta na sustentação e a responsabilidade humana na fé, que também é dom de Deus e não vem de nós – Ef 2.8.
II Co 1:1 Paulo,
apóstolo de Cristo Jesus
pela vontade de Deus,
e o irmão Timóteo,
à igreja de Deus que está em Corinto
e a todos os santos em toda a Acaia,
II Co 1:2 graça a vós outros
e paz,    
da parte de Deus, nosso Pai,
e do Senhor Jesus Cristo. II Co 1:3
Bendito seja
o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
o Pai de misericórdias
e Deus de toda consolação! II Co 1:4
É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação,
para podermos consolar
os que estiverem em qualquer angústia,
com a consolação com que nós mesmos somos
contemplados por Deus.
II Co 1:5 Porque, assim como os sofrimentos de Cristo
se manifestam em grande medida a nosso favor,
assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo.
II Co 1:6 Mas, se somos atribulados,
é para o vosso conforto e salvação;
se somos confortados,      
é também para o vosso conforto, o qual se torna eficaz,
suportando vós com paciência os mesmos sofrimentos
que nós também padecemos.
II Co 1:7 A nossa esperança a respeito de vós está firme,
sabendo que, como sois participantes dos sofrimentos,
assim o sereis da consolação.
II Co 1:8 Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a natureza da tribulação
que nos sobreveio na Ásia,
porquanto foi acima das nossas forças,
a ponto de desesperarmos até da própria vida.
II Co 1:9 Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte,
para que não confiemos em nós,
e sim no Deus que ressuscita os mortos;
II Co 1:10 o qual nos livrou
e livrará de tão grande morte;
em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos,
II Co 1:11 ajudando-nos também vós,
com as vossas orações a nosso favor,
para que, por muitos, sejam dadas graças a nosso respeito,
pelo benefício que nos foi concedido por meio de muitos.
II Co 1:12 Porque a nossa glória é esta:
o testemunho da nossa consciência, de que,
com santidade
e sinceridade de Deus,
não com sabedoria humana,
mas, na graça divina,
temos vivido no mundo
e mais especialmente para convosco.
II Co 1:13 Porque nenhuma outra coisa vos escrevemos,
além das que ledes e bem compreendeis;
e espero que o compreendereis de todo,
II Co 1:14 como também já em parte nos compreendestes,
que somos            
a vossa glória,
como igualmente sois
a nossa no Dia de Jesus, nosso Senhor.
II Co 1:15 Com esta confiança, resolvi ir,
primeiro, encontrar-me convosco,
para que tivésseis um segundo benefício;
II Co 1:16 e, por vosso intermédio,
passar à Macedônia,
e da Macedônia voltar a encontrar-me convosco,
e ser encaminhado por vós para a Judéia.
II Co 1:17 Ora, determinando isto, terei, porventura, agido com leviandade?
Ou, ao deliberar, acaso delibero segundo a carne, de sorte que haja em mim,
simultaneamente, o sim e o não?
II Co 1:18 Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco
não é sim e não.
II Co 1:19 Porque o Filho de Deus,
Cristo Jesus, que foi, por nosso intermédio,
anunciado entre vós,
isto é, por mim, e Silvano, e Timóteo,
não foi sim e não;
mas sempre nele houve o sim.
II Co 1:20 Porque quantas são as promessas de Deus,
tantas têm nele o sim;
porquanto também por ele é o amém
para glória de Deus,
por nosso intermédio.
II Co 1:21 Mas aquele que nos confirma convosco
em Cristo e nos ungiu
é Deus,
II Co 1:22 que também
nos selou
e nos deu o penhor do Espírito em nosso coração.
II Co 1:23 Eu, porém, por minha vida, tomo a Deus por testemunha de que,
para vos poupar, não tornei ainda a Corinto;
II Co 1:24 não que tenhamos domínio sobre a vossa fé,
mas porque somos cooperadores de vossa alegria;
porquanto, pela fé,
já estais firmados.
Realmente assusta, impressiona, a capacidade e a compreensão que Paulo demonstra em todas as suas epístolas. Dizem que o conhecimento revelacional é progressivo. O que sabemos mais do que Paulo?
A Deus toda glória! p/ pr. Daniel Deusdete.
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