sexta-feira, 15 de maio de 2015

Ezequiel 46:1-24 - EZEQUIEL E OS PAPEIS ESSENCIAIS DE LÍDERES SAGRADOS.

Em nossa leitura, nos encontramos aqui, na terceira e última parte “III”, na seção “B” – a última -, na subseção “4”, no capítulo 46. O livro de Ezequiel é composto de 48 capítulos.
Ressaltamos que já vimos:
·         Os oráculos de advertência sobre a destruição de Jerusalém (caps. 1-24) – preocupação do profeta com o passado e com o presente de Jerusalém.
·         Uma seção de oráculos contra outras nações (caps. 25-32) – com foco na destruição de outras nações.
E agora, estamos vendo a terceira e última parte de nossa divisão proposta para o livro de Ezequiel (com foco nas futuras bênçãos de restauração que Judá gozaria após o exílio).
4. Os ministros sagrados (44.1-46.24) - continuação.
Como já enfatizamos, estamos vendo, até o capítulo 46, a visão de Ezequiel sobre os ministros sagrados que deveriam orientar o povo de Deus gloriosamente restaurado.
Seguindo a divisão proposta da BEG, dividimos essa subseção “4” em três partes principais: a. O príncipe, os levitas e os sacerdotes (44.1-31) – já vimos; b. A repartição das áreas sagradas da terra (45.1-12) – já vimos; e, c. As ofertas e dias santificados com os quais estavam profundamente envolvidos (45.13-46.24) - concluiremos agora.
c. As ofertas e dias santificados com os quais estavam profundamente envolvidos (45.13-46.24) - continuação.
Do vs. 13, do capítulo anterior, até o término deste capítulo, vs. 24, estamos vendo as ofertas e os dias santificados. Ezequiel previu os papeis essenciais que os líderes sagrados deveriam desempenhar em Jerusalém.
Dos versos 1 ao 8, veremos instruções relacionadas aos sábados e às festas da Lua Nova e do 9 em diante, até ao 24, veremos, instruções referentes às ofertas.
Conforme a BEG, em dias de solenidade e festa, o príncipe tinha permissão para ir até o limiar da porta leste do átrio interior; nos outros dias ele entrava e saia no meio do povo (vs. 9-10), a não ser que estivesse fazendo uma oferta voluntária (vs.12).
O príncipe também tinha privilégios especiais com referência à porta leste do átrio exterior (44.1,3). De sua posição privilegiada no limiar da porta interior, o príncipe teria uma visão perfeita das ações que se desenrolavam no átrio interior e no grande altar; entretanto, ele não podia ir além desse ponto, uma vez que a entrada no átrio interior era restrita aos sacerdotes e levitas.
As especificações para a oferta do holocausto – vs. 4 – que o príncipe deveria trazer ao Senhor no dia de sábado, diferem das prescritas para as ofertas do sábado em Nm 28.9, onde são exigidos dois cordeiros, mas nenhum carneiro.
Já no vs. 5, que diz que a oferta de manjares deve ser de um efa, veremos que de acordo com Nm 28.9, a oferta de flor de farinha no sábado era de dois décimos de um efa. Novamente Ezequiel funcionou como uma espécie de segundo Moisés e deu à futura nação uma legislação cerimonial. Confira 45.18-25; 43.10,12.
Também com relação à festa da Lua Nova, no primeiro dia do mês lunar, as especificações para essa oferta novamente diferem da legislação anterior (Nm 28.11), a qual exigia dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros machos.
E ainda no vs. 7, da oferta de manjares, teremos um novo contraste com Nm 28.12.
Nessa visão de Ezequiel desse Israel ideal, quando o povo da terra deveria vir perante o Senhor nas festas fixas, com tanta gente adorando regularmente no templo, seria necessário um controle da multidão para assegurar um movimento ordeiro.
Principalmente porque Deus deveria ser cultuado em Israel todos os dias (vs. 13-15), manhã após manhã e não como antes em que a maior parte das legislações anteriores estipulava oferendas em dias determinados do calendário litúrgico do Antigo Testamento. Essas estipulações para ofertas diárias também diferem das práticas anteriores (Nm 28.3-8; 2R5 16.15: 1 Cr 16.40; 2Cr 13.11; 31.3).
Percebe-se em Ezequiel uma consideração pela restauração da lei davídica – vs. 16; 43.10,12; 45.18-25. No verso 17, ele fala do ano da liberdade – uma preocupação com o Ano do Jubileu - muito provavelmente uma referência ao Ano do Jubileu (Lv 25.8-17; 27.24; Is 61.1-2).
Podemos perceber, pelo texto do verso 20, que o culto do Antigo Testamento combinava sacrifício e oração com refeição e atividade social. Essas regulamentações especificavam o local onde os levitas deveriam preparar as ofertas para a refeição sacrifical que seria comida pelos adoradores.
Ez 46:1 Assim diz o Senhor Deus:
A porta do átrio interior, que dá para o oriente,
estará fechada durante os seis dias que são de trabalho;
mas no dia de sábado ela se abrirá;
também no dia da lua nova se abrirá.
Ez 46:2 E o príncipe entrará pelo caminho do vestíbulo da porta,
por fora, e ficará parado junto da ombreira da porta,
enquanto os sacerdotes ofereçam
o holocausto e as ofertas pacíficas dele;
e ele adorará junto ao limiar da porta.
Então sairá; mas a porta não se fechará até a tarde.
Ez 46:3 E o povo da terra adorará à entrada da mesma porta,
nos sábados e nas luas novas, diante do Senhor.
Ez 46:4 E o holocausto que o príncipe oferecer ao Senhor
será, no dia de sábado,
seis cordeiros sem mancha
e um carneiro sem mancha;
Ez 46:5 e a oferta de cereais será
uma efa para o carneiro;
e para o cordeiro,
a oferta de cereais será o que puder dar,
com um him de azeite para cada efa.
Ez 46:6 Mas no dia da lua nova será um bezerro sem mancha,
e seis cordeiros e um carneiro; eles serão sem mancha.
Ez 46:7 Também ele proverá, por oferta de cereais,
uma efa para o novilho e uma efa para o carneiro,
e para os cordeiros o que puder,
com um him de azeite para cada efa.
Ez 46:8 Quando entrar o príncipe,
entrará pelo caminho do vestíbulo da porta,
e sairá pelo mesmo caminho.
Ez 46:9 Mas, quando vier o povo da terra perante o Senhor
nas festas fixas, aquele que entrar pelo caminho
da porta do norte, para adorar,
sairá pelo caminho da porta do sul;
e aquele que entrar pelo caminho da porta do sul,
sairá pelo caminho da porta do norte.
Não tornará pelo caminho da porta pela qual entrou,
mas sairá seguindo para a sua frente.
Ez 46:10 Ao entrarem eles, o príncipe entrará no meio deles;
e, saindo eles, sairão juntos.
Ez 46:11 Nas solenidades, inclusive nas festas fixas,
a oferta de cereais será uma efa para um novilho,
e uma efa para um carneiro,
mas para os cordeiros será o que se puder dar;
e de azeite um him para cada efa.
Ez 46:12 Quando o príncipe prover uma oferta voluntária,
holocausto, ou ofertas pacíficas, como uma oferta voluntária
ao Senhor, abrir-se-lhe-á a porta que
dá para o oriente,
e oferecerá o seu holocausto
e as suas ofertas pacíficas,
como houver feito no dia de sábado.
Então sairá e, depois de ele ter saído, fechar-se-á a porta.
Ez 46:13 Proverá ele um cordeiro de um ano, sem mancha,
em holocausto ao Senhor cada dia;
de manhã em manhã o proverá.
Ez 46:14 Juntamente com ele proverá de manhã em manhã
uma oferta de cereais, a sexta parte duma
efa de flor de farinha, com a terça parte de um him
de azeite para umedecê-la,
por oferta de cereais ao Senhor, continuamente,
por estatuto perpétuo.
Ez 46:15 Assim se proverão o cordeiro, a oferta de cereais,
e o azeite, de manhã em manhã, em holocausto contínuo.
Ez 46:16 Assim diz o Senhor Deus:
Se o príncipe der um presente a algum de seus filhos,
é herança deste, pertencerá a seus filhos;
será possessão deles por herança.
Ez 46:17 Se, porém, der um presente da sua herança
a algum dos seus servos, será deste até o ano da liberdade;
então tornará para o príncipe;
pois quanto à herança, será ela para seus filhos.
Ez 46:18 O príncipe não tomará nada da herança do povo
para o esbulhar da sua possessão;
da sua própria possessão deixará herança a seus filhos,
para que o meu povo não seja espalhado,
cada um da sua possessão.
Ez 46:19 Então me introduziu pela entrada que estava
ao lado da porta nas câmaras santas para os sacerdotes,
que olhavam para o norte;
e eis que ali havia um lugar por detrás,
para a banda do ocidente.
Ez 46:20 E ele me disse:
Este é o lugar onde os sacerdotes cozerão a oferta pela culpa,
e a oferta pelo pecado, e onde assarão a oferta de cereais,
para que não as tragam ao átrio exterior,
e assim transmitam a santidade ao povo.
Ez 46:21 Então me levou para fora, para o átrio exterior,
e me fez passar pelos quatro cantos do átrio;
e eis que em cada canto do átrio havia um átrio.
Ez 46:22 Nos quatro cantos do átrio havia átrios fechados,
de quarenta côvados de comprimento
e de trinta de largura;
estes quatro cantos tinham a mesma medida.
Ez 46:23 E neles havia por dentro uma série de projeções ao redor;
e havia lugares para cozer,
construídos por baixo delas ao redor.
Ez 46:24 Então me disse:
Estas são as cozinhas,
onde os ministros da casa cozerão o sacrifício do povo.
O objetivo do sacerdote com o cozimento das ofertas pela culpa e pelo pecado e com o processo de assar a oferta de cereal, que deveriam ser levadas para o pátio externo, era a consagração do povo.
Todos os que ministravam no templo deveriam cozinha os sacrifícios do povo em saliências de pedras, com lugares para o fogo construídos em toda a sua volta debaixo da saliência que ficava em volta de cada um dos quatro pátios, pelo lado de dentro.
Considerando o objetivo do sacerdote “consagração do povo” ou “santificação do povo” – vs. 20 - em nosso estudo e reflexão deste dia, deparamo-nos com um texto interessante ao qual compartilho parte dele, a seguir.
1) Profetas, Sacerdotes e Reis no Antigo Testamento[1]
Havia no Antigo Testamento três ofícios principais, três classes de pessoas que exerciam funções diferentes na nação teocrática de Israel. Eram eles: os profetas, os sacerdotes e os reis.
Profeta – era a boca de Deus ao povo (ex. Êxodo 7.1; 20.18-19), aquele que atuava como mediador entre Deus e o povo, proclamando a vontade e o caráter de Deus ao Seu povo.
Sacerdote era a boca do povo diante de Deus:
·         Representava o povo diante de Deus e isso ficava claro em suas vestes (Êx. 28.9, 17-21, 29).
·         Consultava a Deus quando o povo tinha dúvidas (Êx 28.30; Lv 8.8), bem como agia como juiz representante de Deus (Nm 5.21-22).
·         Usava uma espécie de tiara com a inscrição santidade ao Senhor (Êx 28.36, 39.30).
·         Dependia da ação do Espírito Santo para desempenhar seu ofício (Êx. 28.41; 29.7).
·         Precisava ser puro por meio dos sacrifícios que fazia por si mesmo antes de atuar pelo povo (Êx 29.10, Lv 16.11).
Rei – o ofício real envolvia o governo da nação diante de Deus e conforme às suas leis.
Os profetas, sacerdotes e reis do Antigo Testamento tinham seus ministérios completamente vinculados à Lei:
·         O profeta a pregava.
·         O sacerdote a aplicava pessoal e especificamente.
·         O rei a fazia cumprir nacionalmente.
2) Jesus Cristo como Profeta, Sacerdote, e Rei
João Calvino popularizou a noção de Cristo como aquele que cumpre os três ofícios do Antigo Testamento (Institutas II.15). Desde então, muito outros têm escrito sobre o assunto. Deve-se notar a priori o nome Cristo. Este nome significa literalmente ungido, exatamente o ato que unia os três ofícios do AT.
Os catecismos de Westminster (BCW e CMW) nos ajudam a entender como Cristo desempenhou os três ofícios:
·         BCW  – P. 23. Que funções exerce Cristo como nosso Redentor? 
R. Cristo, como nosso Redentor, exerce as funções de profeta, sacerdote e rei, tanto no seu estado de humilhação como no de exaltação. Ref. At 3.22; Hb 5.5-6; Sl 2.6; Jo 1.49.
·         CMW – 42. Por que o nosso Mediador foi chamado Cristo? 
O nosso Mediador foi chamado Cristo porque foi, acima de toda a medida, ungido com o Espírito Santo; e assim separado e plenamente revestido com toda autoridade e poder para exercer os ofícios de profeta, sacerdote, e rei de sua igreja, tanto no estado de sua humilhação, como no de sua exaltação. Sl 2.6; Mt 28.18-20; Lc  4:14,18,19,21; Jo 3:34; At. 3:22; Hb 4:14,15;5:5,6; Ap 19:16; Is 9:6.
·         CMW – 43. Como exerce Cristo o ofício de profeta? 
Cristo exerce o ofício de profeta, revelando à igreja, em todos os tempos, pelo seu Espírito e Palavra, por diversos modos de administração, toda a vontade de Deus, em todas as coisas concernentes à sua edificação e salvação. Jo 1:1,4,18;20:31; II Pe 1:21; II Co 2:9,10; Ef 4:11-13. [Mateus é um dos livros bíblicos que mostra de maneira mais completa o Jesus Cristo como profeta]
·         CMW – 44. Como Cristo exerce o ofício de sacerdote? 
Cristo exerce o ofício de sacerdote, oferecendo-se a si mesmo uma vez em sacrifício, sem mácula a Deus, para ser a propiciação pelos pecados do seu povo, e fazer contínua intercessão por esse mesmo povo. Hb 2:17;7:25;9:14,28. [Hebreus é o livro mais claro em mostrar o sacerdócio perfeito de Jesus]
“No Antigo Testamento, os sacerdotes eram designados por Deus para oferecer sacrifícios. Eles também ofereciam orações e louvores a Deus em favor do povo. Ao agir assim “santificavam” as pessoas, ou tornavam-nas aceitáveis à presença de Deus, se bem que de forma limitada no período do AT. No Novo Testamento, Jesus tornou-se o nosso grande sumo-sacerdote. Esse tema é abordado na carta aos Hebreus”. (GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática, 1999, p. 525)
·         CMW – 45. Como Cristo exerce o ofício de rei? 
Cristo exerce o ofício de rei, chamando do mundo um povo para si, dando-lhe oficiais, leis e disciplinas para visivelmente o governar; concedendo a graça salvadora aos seus eleitos; recompensando sua obediência e corrigindo-os em consequência de seus pecados; preservando-os e sustentando-os em todas as suas tentações e sofrimentos; restringindo e subjugando todos os seus inimigos, e poderosamente ordenando todas as coisas para a sua própria glória e para o bem de seu povo; e também tomando vingança contra os que não conhecem a Deus nem obedecem ao Evangelho. Sl 2:9; Is 55:5; Mt 18:17,18;25:34-36;28:19, 20; Jo 10:16,27;  At 5:31; 12:17; 18:9,10; Rm 2:7;14:11;8:28,35-39; I Co 5:4,5; 12:9, 10, 28; 15:25; II Co 12:9,10;  Ef 4:11,12;  I Tm 5:20; Tt 3:10; II Ts 1:8; 22:12; Cl 1:18; Hb 12:6,7; Ap 3:19. [O reinado de Cristo pode ser visto de forma gloriosa em Apocalipse]
 3) O Cristão como Profeta, Sacerdote e Rei
Somos convocados por Deus para seguir os passos de Jesus Cristo (João 13.15; 1Pe 2.21; 1Jo 2.6), sempre em favor do povo e para o povo, levando-se em conta Deus e suas leis:
Como Profeta – o profeta fala ou prega a palavra de Deus. Ele é o arauto do Rei. Somos chamados para exercer o papel de boca de Deus dentro e fora da Igreja. Profeta é aquele que anuncia a Lei (vontade, instrução) de Deus ao povo ou pessoalmente. Portanto, como profetas, devemos levar:
ü  Conhecimento de Deus aos que não o tem (Atos 17.16-33).
ü  Mensagem de arrependimento aos pecadores, em público ou particular (Mateus 18.15, Atos 2.38; 3.19).
ü  Palavras de ânimo e esperança aos desanimados e fracos (1Ts 4.18; 5.14).
Como Sacerdote – O sacerdote sacrificava em favor do povo para Deus. Ele é a boca do povo diante de Deus!
Como Rei  Dentre os principais objetivos de Deus na criação do homem estava o dominar sobre terra, mar e ar (Gênesis 1.28). Esse domínio foi perdido pelo homem na Queda, mas em Cristo, há a possibilidade de novamente exercermos nosso papel.
Devemos, portanto, lembrar que os reis tinham função de governar, preservar e fazer justiça nos parâmetros da Lei de Moisés, assim, nós, em todos os contextos em que Deus nos coloca em posição de governo (lar, igreja, trabalho, sociedade) devemos nos lembrar que somos os seus “gerentes” (como Adão) fazendo para a glória de Deus.
Ainda como Adão, também somos chamados para cultivar e guardar a Criação de Deus (Gn 2.15: Ecologia Cristã). Temos sido colocados sobre o pouco, sejamos fiéis e receberemos muito (Mt 25.14-30). Em Cristo estamos assentados nos lugares celestiais (Ef 2.6). E assim como o reinado de Cristo, patente na igreja, mas escondido no universo, se tornará patente em sua vinda, o nosso papel de reis também será evidenciado para todos os olhos (Ap 22.5, 3.21 e 1Coríntios 6.2-3).
Que Deus faça de nós, verdadeiros profetas, sacerdotes e reis, seguindo os passos do nosso Mestre e Senhor Jesus.
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 79 dias para 04/08/2015, quando eu irei concluir a Segmentação de toda a Bíblia.
A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdetehttp://www.jamaisdesista.com.br


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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.