quinta-feira, 10 de julho de 2014

II Reis 25:1-30 - JUDÁ NO CATIVEIRO DA BABILÔNIA

Parte III – SOMENTE JUDÁ (715-586 A.C.) – 18:1 – 25:30
I. O exílio de Judá – 24:20b – 25:30.
Estamos concluindo mais um capítulo, o último, e uma parte, a terceira, também a última. Chegamos, portanto, ao final dos livros de I e de II de Reis que começou com o reinado de Davi, em sua velhice, já no momento de passar para Salomão, seu filho, o seu reinado e acabando aqui no exílio de Judá.
Foram aproximadamente uns 385 anos de história cuja ênfase principal se deu no registro histórico da divisão dos reinos, depois da morte de Salomão e dos registros históricos dos reinos divididos, do Norte e do Sul, até as suas respectivas deportações ao final de cada um dos reinados.
A última parte da divisão que começou em “A” e termina em “I” que trata do exílio de Judá, será dividida em três partes: 1. A destruição de Jerusalém – 24:20b – 25:21. 2. O assassinato de Gedalias – 25:22 – 26. 3. A libertação de Joaquim – 25:27-30.
1. A destruição de Jerusalém – 24:20b – 25:21.
Em um mapa intitulado “Exílio de Judá”, p. 524, da BEG, temos um breve resumo do exílio, com alguns detalhes interessantes ,conforme a seguir:
Exílio de Judá
A cidade de Jerusalém começou a ser cercada em janeiro de 587 a.C., e o cerco durou dezoito meses (II Cr 36:13-21; Jr 21: 1-10; 34:1-5; 39:1-10; 52:4-11; Ez 24:2). A cidade foi conquistada e o templo destruído (o livro de Lamentações expressa poeticamente a consternação e o desconcerto produzidos por esses dolorosos acontecimentos).
Os judeus perderam a sua independência e foram levados como prisioneiros para a Babilônia. Ali ficaram até 538 a.C., quando Ciro, o rei persa, conquistou a Babilônia e mandou os judeus de volta para a sua terra.
Os exilados de Judá foram levados à grande cidade de Babilônia que Nabucodonosor havia construído. A cidade interna era protegida por largo fosso e paredes duplas revestidas de ladrilhos (de 3,7m e 6,5m de largura), com espaço entre elas para uma estrada militar no nível do parapeito.
Das oito grandes portas, a mais conhecida é a Porta de Istar, construída em honra ao deus babilónico Marduque. O pórtico era decorado com fileiras de touros (símbolo do deus Bel) alternadas com fileiras de dragões (símbolo do deus Marduque), feitas de tijolo esmaltado.
A rua das procissões (pela qual eram transportadas as estátuas dos deuses no festival do ano novo) levava da porta até o centro da cidade e aos grandes templos. As paredes eram de ladrilho azul esmaltado, com relevos de leões (símbolo da deusa istar) em vermelho, amarelo e branco.
A Babilônia tinha cerca de cinquenta e três templos, um grande templo-torre (zigurate) e uma cidadela com o complexo de palácios. Daniel foi levado para ali para que se unisse à corte do rei.
A rebelião de Zedequias contra o rei da Babilônia provocou o ataque dos babilônios. O resultado foi a destruição de Jerusalém – inclusive do templo – e a deportação de Zedequias e da maioria do povo de Judá.
O ano era de 586 a.C. e apesar de ser um vassalo nomeado por Nabucodonosor, Zedequias se juntou ao Egito e outras nações numa conspiração contra os babilônios – Jr 27:3-8; Ez 17:11-21.
Conforme a BEG, a decisão infeliz do rei de Judá de se rebelar contra a Babilônia pode ter recebido o incentivo de Faraó Ofra – Apries – que subiu ao poder em 589 a.C.
Foram quase dois anos exatos do cerco dos babilônios contra Jerusalém, aproximadamente uns 539 dias contados de 10 do 10 do ano 9 até 9 de 4 do ano 11. A fome apertou e não havia pão para comerem. Foi nesse momento que a cidade foi arrombada e alguns deles fugiram, inclusive o rei.
No entanto, foram alcançados, presos e fizeram subir o rei de Judá ao rei da Babilônia, a Ribla e ali foi pronunciada a sentença contra Zedequias. Seus filhos foram mortos à espada às suas vistas e Zedequias teve os seus olhos vazados e seus pés presos em cadeias e assim levados cativos para a Babilônia.
Se Zedequias tivesse ouvido os profetas Jeremias e Ezequiel – Jr 38:14-28; Ez 12:13 -, nada disso teria acontecido a ele. Jeremias tinha tentado convencer o rei a se render, pois o julgamento do Senhor era inevitável.
Quem sabe uma rendição pacífica teria poupado tanto a Jerusalém quanto ao templo? A sua rebeldia trouxe consequências terríveis tanto a ele quanto a sua família e ao povo sofrido de Judá. Ao final morre na Babilônia – Jr 52:11.
Oito anos após isso (7 do 5 do ano 19), Nebuzaradã, chefe da guarda e servidor do rei da Babilônia, veio a Jerusalém e queimou a Casa do Senhor, a casa do rei, todas as casas da cidade, além de todos os edifícios importantes. Saquearam o templo e levaram consigo tudo o que tinha valor e era de ouro ou de prata e bronze. Ainda derrubaram os muros em redor de Jerusalém.
Nebuzaradã ainda levou cativos mais gente do povo que tinha ficado na cidade, principalmente líderes do alto escalão e militares e somente deixou ali dos mais pobres da terra como vinheiros e lavradores. Como governador deles, deixou o rei da Babilônia a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã.
Quando os que foram levados cativos chegaram a Ribla, o rei da Babilônia foi implacável com eles e os mataram todos os militares e os que tinham poder e influência nos escalões de liderança de Judá.
2. O assassinato de Gedalias – 25:22 – 26.
Depois de abolir a monarquia, Nabucodonosor nomeu, como já dissemos, Gedalias governador. Aicã, o pai de Gedalias, ex-conselheiro de Josias (22:12) era amigo de Jeremias – Jr 26:24. A fim de promover a estabilidade na terra conquistada, Nabucodonosor escolheu para esse cargo um homem de Judá bastante conhecido – Jr 40:10-12.
Gedalias tinha dito para o povo e assim sustentado que não era para temer o fato de serem servos dos caldeus e aconselhou a todos que ficassem na terra, servissem ao rei de Babilônia, e todo bem iria se suceder com eles.
No entanto, ele tinha opositores e no sétimo mês de seu reinado, Ismael que fazia parte de uma facção de Judá que considerava Gedalias um colaborador do inimigo e favorecia a continuidade da resistência em Judá (Jr 40:13 a 41:18) tendo por objetivo restaurar o trono de Judá e se declarar rei,  juntamente com 10 homens, feriram a Gedalias e a alguns judeus e caldeus que com ele estavam em Mispa.
Por temerem os caldeus, estes acabaram fugindo para o Egito depois de terem ferido Gedalias e os que com ele estavam. Por ironia, ao tentarem obter o poder, os assassinos executaram involuntariamente uma das maldições da aliança: uma volta para o Egito, a terra de cativeiro e escravidão – Dt 28:68.
Este ato insano e doentio por parte de Ismael somente serviu para piorar as condições em Judá – Jr 44:1-14. Os exilados, para os quais a morte de Gedalias representou uma enorme perda, conforme BEG, instituíram dias para lamentar o seu assassinato e também a destruição de Judá e de Jerusalém – Zc 7:5; 8:19.
3. A libertação de Joaquim – 25:27-30.
O escritor de Reis termina sua obra num tom esperançoso chamando a atenção para a misericórdia demonstrada para com Joaquim, rei de Judá, enquanto este se encontrava exilado na Babilônia.
Evil-Merodaque era filho e sucessor de Nabucodonosor e foi extremamente generoso para com Joaquim e seus filhos a ponto de lhes falar benignamente, libertar do cárcere e lhes dar lugar de mais alta honra do que a de reis que estavam com ele na Babilônia.
A BEG nos diz que o texto de Dt 4:25-31; 30:1-10 e a oração de dedicação do templo feita por Salomão em I Re 8:46-53 tratam das condições do exílio.
Esses textos insistem no arrependimento – Dt 30:2; I Re 8:47. A oração de Salomão para que os exilados encontrassem compaixão nas mãos de seus captores é respondida no tratamento bondoso que Joaquim recebe.
Dt 30:3-5 promete restauração ao povo de Deus, um processo iniciado em 538 a.C., quando os judeus receberam permissão para voltar para casa – Ed 1:1-4; Is 44:24-28; 45:1-6.
Não há como não perceber que o tratamento preferencial desfrutado por Joaquim oferece um raio de esperança na continuidade das promessas davídicas – II Sm 7:8-16. Continua a BEG: a ênfase do escritor nesses últimos capítulos de tom severo é sobre o julgamento de Judá – 21:10-15; 23:26-27; 24:3-4, 20; 25:21 – porém, nesses versículos finais, ele também indica que a destruição de Judá e de Jerusalém não porá um fim à linhagem davídica. Há motivos para encarar o futuro com a mais absoluta confiança em Deus.
II Re 25:1 E sucedeu que, no nono ano do seu reinado, no mês décimo,
            aos dez do mês, Nabucodonosor, rei de Babilônia, veio contra
                        Jerusalém, ele e todo o seu exército, e se acampou contra ela,
                                   e levantaram contra ela trincheiras em redor.
            II Re 25:2 E a cidade foi sitiada até ao undécimo ano
                        do rei Zedequias. II Re 25:3 Aos nove do mês quarto,
                                   quando a cidade se via apertada pela fome,
                                               nem havia pão para o povo da terra,
            II Re 25:4 Então a cidade foi invadida, e todos os homens de guerra
                        fugiram de noite pelo caminho da porta, entre os dois muros
                                   que estavam junto ao jardim do rei
                                   (porque os caldeus estavam contra a cidade em redor),
                                               e o rei se foi pelo caminho da campina.
            II Re 25:5 Porém o exército dos caldeus perseguiu o rei,
                        e o alcançou nas campinas de Jericó;
                                   e todo o seu exército se dispersou.
            II Re 25:6 E tomaram o rei, e o fizeram subir ao rei de Babilônia,
                        a Ribla; e foi-lhe pronunciada a sentença.
            II Re 25:7 E aos filhos de Zedequias mataram diante dos seus olhos;
                        e vazaram os olhos de Zedequias, e o ataram com duas cadeias
                                   de bronze, e o levaram a Babilônia.
II Re 25:8 E no quinto mês, no sétimo dia do mês
            (este era o ano décimo nono de Nabucodonosor, rei de
                        Babilônia), veio Nebuzaradã, capitão da guarda,
                                   servo do rei de Babilônia, a Jerusalém.
            II Re 25:9 E queimou a casa do SENHOR e a casa do rei,
                        como também todas as casas de Jerusalém, e todas as casas dos
                                   grandes queimou.
            II Re 25:10 E todo o exército dos caldeus, que estava com o capitão da
                        guarda, derrubou os muros em redor de Jerusalém.
            II Re 25:11 E o mais do povo que deixaram ficar na cidade,
                        os rebeldes que se renderam ao rei de Babilônia
                                   e o mais da multidão, Nebuzaradã, o capitão da
                                               guarda, levou presos.
            II Re 25:12 Porém dos mais pobres da terra deixou
                        o capitão da guarda ficar alguns para vinheiros
                                   e para lavradores.
            II Re 25:13 Quebraram mais, os caldeus, as colunas de cobre que
                        estavam na casa do SENHOR, como também as bases e o
                                   mar de cobre que estavam na casa do SENHOR;
                                               e levaram o seu bronze para Babilônia.
            II Re 25:14 Também tomaram as caldeiras, as pás, os apagadores,
                        as colheres e todos os vasos de cobre, com que se ministrava.
            II Re 25:15 Também o capitão-da-guarda tomou os braseiros,
                        e as bacias, o que era de ouro puro, em ouro e o que era de
                                   prata, em prata.
            II Re 25:16 As duas colunas, um mar, e as bases, que Salomão fizera
                        para a casa do SENHOR; o cobre de todos estes vasos não
                                   tinha peso. II Re 25:17 A altura de uma coluna era
                                   de dezoito côvados, e sobre ela havia um capitel de
                                   cobre, e de altura tinha o capitel três côvados;
                                   e a rede e as romãs em redor do capitel,
                                   tudo era de cobre; e semelhante a esta era a outra
                                               coluna com a rede.
            II Re 25:18 Também o capitão-da-guarda tomou a Seraías,
                        primeiro sacerdote, e a Sofonias, segundo sacerdote, e aos três
                                   guardas do umbral da porta.
            II Re 25:19 E da cidade tomou a um oficial, que tinha cargo dos
                        homens de guerra, e a cinco homens dos que estavam na
                                   presença do rei, e se achavam na cidade, como também
                                   ao escrivão-mor do exército, que registrava o povo da
                                               terra para a guerra,
                        e a sessenta homens do povo da terra,
                                   que se achavam na cidade.
            II Re 25:20 E tomando-os Nebuzaradã, o capitão da guarda,
                        os levou ao rei de Babilônia, a Ribla.
            II Re 25:21 E o rei de Babilônia os feriu e os matou em Ribla,
                        na terra de Hamate; e Judá foi levado preso
                                   para fora da sua terra.
            II Re 25:22 Porém, quanto ao povo que ficara na terra de Judá,
                        que Nabucodonosor, rei de Babilônia, deixou ficar, pôs sobre
                                   ele, por governador a Gedalias, filho de Aicão,
                                               filho de Safã.
            II Re 25:23 Ouvindo, pois, os capitães dos exércitos, eles e os seus
                        homens, que o rei de Babilônia pusera a Gedalias por
                                   governador, vieram a Gedalias, a Mizpá, a saber:
                                               Ismael, filho de Netanias, e Joanã, filho de
                                               Careá, e Seraías, filho de Tanumete, o
                                               netofatita, e Jazanias, filho do maacatita,
                                                           eles e os seus homens.
            II Re 25:24 E Gedalias jurou a eles e aos seus homens, e lhes disse:
                        Não temais ser servos dos caldeus; ficai na terra, servi ao rei de
                                   Babilônia, e bem vos irá.
            II Re 25:25 Sucedeu, porém, que, no sétimo mês, veio Ismael,
                        filho de Netanias, o filho de Elisama, da descendência real,
                                   e dez homens com ele, e feriram a Gedalias,
                                               e ele morreu, como também aos judeus,
                                               e aos caldeus que estavam com ele em Mizpá.
            II Re 25:26 Então todo o povo se levantou, desde o menor até ao
                        maior, como também os capitães dos exércitos, e foram ao
                                   Egito, porque temiam os caldeus.
            II Re 25:27 Depois disto sucedeu que, no ano trinta e sete do cativeiro
                        de Joaquim, rei de Judá, no mês duodécimo, aos vinte e sete do
                                   mês, Evil-Merodaque, rei de Babilônia, no ano em
                                   que reinou, levantou a cabeça de Joaquim, rei de Judá,
                                               tirando-o da casa da prisão.
            II Re 25:28 E lhe falou benignamente; e pôs o seu trono acima do
                        trono dos reis que estavam com ele em Babilônia.
            II Re 25:29 E lhe mudou as roupas de prisão, e de contínuo comeu pão
                        na sua presença todos os dias da sua vida.
            II Re 25:30 E, quanto à sua subsistência,
                        pelo rei lhe foi dada subsistência contínua,
                                   a porção de cada dia no seu dia,
                                               todos os dias da sua vida.
Na genealogia de Jesus Cristo, por Mateus, no capítulo primeiro temos nos vs 11 e 12 os descendentes de Jesus Cristo bem neste momento exato do exílio ao qual não podemos perder de vista de jeito nenhum.
Josias, filho de Amom, gerou a Jeconias (ou Jeoaquim) e a seus irmãos, no tempo do exílio da Babilônia. Depois do exílio – 70 anos – Jeconias gerou a Salatiel e Salatiel a Zorobabel, e assim continua até chegarmos em Cristo Jesus. De sorte que do exílio até Jesus são 14 gerações, como foram 14 também de Davi até o exílio e de Abraão até Davi.
Os detalhes das genealogias de Mateus diferem de Lc 3:23-38, provavelmente porque o Evangelho de Lucas nos mostra a descendência biológica, enquanto o Evangelho de Mateus nos dá as sucessões ao trono.
Os dois reinos agora estavam no exílio! Há muito Deus vinha falando e advertindo e agora a palavra se cumpria. Deus foi muito longânimo esperando o tempo do arrependimento que não veio e o fim foi esse.
Imitaram as nações que deveriam ter eliminado e agora eram como as outras nações, sendo expulsos da terra por terem rejeitado ao Senhor.
Em sua misericórdia, Deus ainda preserva a semente messiânica para que no devido tempo nasça o Cristo Jesus que morrerá pelos pecados dos escolhidos salvando-os da ira divina.
Fica para nós as lições dos reis e das misericórdias de Deus. Temos por felizes, conforme Tiago 5:11: “os que perseveraram firmes.”. Ele continua o verso: “Tendes ouvido da paciência de Jó e vistes que fim o Senhor lhe deu; porque o Senhor é cheio de terna misericórdia e compassivo.”.
Finalmente, Paulo nos dá as palavras finais, que se encaixam perfeitamente ao contexto atual:
I Coríntios 10:6 Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.
I Coríntios 10:11 Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado.
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 390 dias para 04/08/2015, quando eu irei concluir a Segmentação de toda a Bíblia.

A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdetehttp://www.jamaisdesista.com.br
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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.