sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Êxodo 2: 1-25 – MOISÉS, UM LÍDER FORJADO POR DEUS.

Aqui temos a incrível história, como nos contos de fada e nos romances mais mirabolantes, providencial de Deus relacionada ao nascimento de Moisés e sua fuga do Egito depois de matar um egípcio procurando defender um hebreu. O capítulo se estende até o nascimento de seu filho Gerson e a oração do povo que chegou aos ouvidos de Deus.
Tanto o pai, Anrão, como a mãe, Joquebede – também tia de Anrão -, de Moisés eram da tribo de Levi. Eles se casaram e no devido tempo tiveram um filho bem formoso o qual ficou escondido por três meses numa época difícil e problemática com instruções claras de Faraó para matarem todos os meninos nascidos em Israel.
Manter um menino recém-nascido por três meses sem sofrer qualquer dano, na época, já foi um grande milagre. Moisés era de fato formoso e um menino especial que Deus iria trabalhar em sua vida e levantá-lo para uma grande obra de libertação de seu povo, mas não era ele o escolhido, aquele que seria o portador da semente messiânica, descendente de Judá.
A situação deveria estar tão problemática e sem saída que a mãe num grande gesto de fé coloca seu menino, sem saber qualquer coisa do futuro breve, creio, num cesto, num leito de um rio, para entregá-lo à sua própria sorte. Era, na verdade, uma loucura o que ela estava fazendo, motivada por um gesto desesperador de sua parte.
Ou fazia isso, ou corria o sério risco de ver seu menino ser morto pelos egípcios. Deus, no entanto, tinha outros planos e logo preparou uma saída fantástica para o caso difícil e sem saída. O coração da filha de Faraó, que por acaso, tomava seu banho naquele rio, viu o cesto e se encantou com o que achara.
E foi ela quem achou o cesto e não outra pessoa, pois se assim fosse, tudo poderia tomar rumo diferente. Ela viu, encontrou-se com o bebê e quis adotá-lo para ser seu e, portanto, neto de Faraó, a máxima autoridade do Egito.
Eu tenho falado em sorte, acaso, mas somente falei assim poeticamente porque sabemos que não há nada disso quando Deus está no controle de tudo e é soberano no seu governo. Deus preparou tudo para que acontecesse da forma que aconteceu e poderia ter feito tudo diferente, mas não fez.
O que Deus fez jamais violou o direito da criatura, nem a forçou como marionete. Para todo mal e para toda ação feita há sim uma reação e uma consequência moral. O homem é inteiramente responsável por seus atos, ações, falhas e omissões em tudo que está envolvido e, igualmente, Deus é soberano, também em tudo.
A filha de Faraó, agora mãe adotiva de Moisés, consegue também arranjar uma mulher escrava, hebreia, para desmamar o menino até que ele esteja pronto, mediante um salário. E quem foi a escolhida? Exatamente, a própria mãe do menino que acabara de lançar seu filho, pela fé, no rio.
Não dá para entender os caminhos de Deus, mas este tem os seus caminhos! Depois, passado um tempo, onde tudo se encaixa e se explica, ai sim, nos maravilhamos e reconhecemos a potente mão soberana de Deus no governo providencial de todas as coisas. Eu leio a história hoje e me rio. Acho engraçada e parece estar havendo mesmo humor nisso.
E a história de minha vida ou da sua, querido leitor, seria diferente? Por que então entrarmos no desespero e darmos uma de coitadinho? Que tal sairmos do buraco e vivermos a vida celebrando-a para a glória de Deus? Eu entendo, lendo a Bíblia todos os dias, que a vida de qualquer um de nós consiste em reconhecermos Deus em todos os nossos caminhos que ele os endireitará para a sua glória.
A filha escolhe o nome do menino e este nome fica nele, Moisés, aquele que foi tirado das águas. Ele cresce e recebe a melhor educação do país, bem como do bom e do melhor. Ele cresce na elite, nas casa simplesmente do maioral do Egito, Faraó. Cresce e se desenvolve e se torna um homem.
Ele, porém, não se esqueceu de suas origens e sente um chamado de Deus em seu coração muito forte e procura fazer justiça do seu jeito, mas quebra a cara, mata um egípcio e acaba fugindo. Na sua fuga todos os seus sonhos de libertador são enterrados. Era já Deus dizendo para ele que não seria na força de seu braço, mas na força do braço do Senhor.
Ainda sim, na sua fuga, em seu caminho para não se sabe onde, defende algumas mulheres, filhas do sacerdote de Midiã e é acolhido por este que lhe dá sua filha por mulher e ele vive ali com eles no deserto e gera um filho com sua esposa o qual pôs o nome de Gerson. O nome Gérson tem a sua origem na Bíblia e vem do Hebraico Gereshom, Gershom, Gersam, que tem como significado os elementos “ger” que significa “estrangeiro” e “sam” que quer dizer “lá” – “estrangeiro lá!”.
Enquanto isso, morre no Egito o Faraó que perseguia os meninos hebreus e que tentara matar Moisés quando soube que este matou um egípcio ao tentar defender seu povo. O clamor do povo sobe até Deus que ouvindo prepara seu plano para a libertação de seu povo, justamente pelas mãos daquele que tinha fugido para o deserto que logo, logo irá ter um encontro celestial que mudaria a sua vida para sempre.
Ex 2:1 E foi um homem da casa de Levi
e casou com uma filha de Levi.
Ex 2:2 E a mulher concebeu
e deu à luz um filho;
e, vendo que ele era formoso,
escondeu-o três meses.
Ex 2:3 Não podendo, porém, mais escondê-lo,
tomou uma arca de juncos,
e a revestiu com barro e betume;
e, pondo nela o menino,
a pôs nos juncos à margem do rio.
Ex 2:4 E sua irmã postou-se de longe,
para saber o que lhe havia de acontecer.
Ex 2:5 E a filha de Faraó desceu a lavar-se no rio,
e as suas donzelas passeavam, pela margem do rio;
e ela viu a arca no meio dos juncos,
e enviou a sua criada, que a tomou.
Ex 2:6 E abrindo-a,
viu ao menino
e eis que o menino chorava;
e moveu-se de compaixão dele, e disse:
Dos meninos dos hebreus é este.
Ex 2:7 Então disse sua irmã à filha de Faraó:
Irei chamar uma ama das hebréias,
que crie este menino para ti?
Ex 2:8 E a filha de Faraó disse-lhe:
Vai.
Foi, pois, a moça,
e chamou a mãe do menino.
Ex 2:9 Então lhe disse a filha de Faraó:
Leva este menino,
e cria-mo;
eu te darei teu salário.
E a mulher tomou o menino,
e criou-o.
Ex 2:10 E, quando o menino já era grande,
ela o trouxe à filha de Faraó,
a qual o adotou;
e chamou-lhe Moisés, e disse:
Porque das águas o tenho tirado.
Ex 2:11 E aconteceu naqueles dias que,
sendo Moisés já homem,
saiu a seus irmãos,
e atentou para as suas cargas;
e viu que um egípcio feria a um hebreu,
homem de seus irmãos.
Ex 2:12 E olhou a um e a outro lado
e, vendo que não havia ninguém ali,
matou ao egípcio,
e escondeu-o na areia.
Ex 2:13 E tornou a sair no dia seguinte,
e eis que dois homens hebreus contendiam; e disse ao injusto:
Por que feres a teu próximo?
Ex 2:14 O qual disse:
Quem te tem posto a ti por maioral e juiz sobre nós?
Pensas matar-me,
como mataste o egípcio?
Então temeu Moisés, e disse:
Certamente este negócio foi descoberto.
Ex 2:15 Ouvindo, pois, Faraó este caso,
procurou matar a Moisés;
mas Moisés fugiu de diante da face de Faraó,
e habitou na terra de Midiã,
e assentou-se junto a um poço.
Ex 2:16 E o sacerdote de Midiã tinha sete filhas,
as quais vieram tirar água,
e encheram os bebedouros,
para dar de beber ao rebanho de seu pai.
Ex 2:17 Então vieram os pastores,
e expulsaram-nas dali;
Moisés, porém,
levantou-se e defendeu-as,
e deu de beber ao rebanho.
Ex 2:18 E voltando elas a Reuel seu pai, ele disse:
Por que hoje tornastes tão depressa?
Ex 2:19 E elas disseram:
Um homem egípcio nos livrou da mão dos pastores;
e também nos tirou água em abundância,
e deu de beber ao rebanho.
Ex 2:20 E disse a suas filhas:
E onde está ele?
Por que deixastes o homem?
Chamai-o para que coma pão.
Ex 2:21 E Moisés consentiu
em morar com aquele homem;
e ele deu a Moisés sua filha Zípora,
Ex 2:22 A qual deu à luz um filho,
a quem ele chamou Gérson,
porque disse:
Peregrino fui em terra estranha.
Ex 2:23 E aconteceu,
depois de muitos dias,
que morrendo o rei do Egito,
os filhos de Israel suspiraram por causa da servidão,
e clamaram;
e o seu clamor subiu a Deus
por causa de sua servidão.
Ex 2:24 E ouviu Deus o seu gemido,
e lembrou-se Deus da sua aliança
com Abraão, com Isaque, e com Jacó;
Ex 2:25 E viu Deus os filhos de Israel,
e atentou Deus para a sua condição.
Ouviu Deus o gemido do povo. Não estará Deus ouvindo hoje nosso gemido que fazemos de dia e de noite, nos tempos modernos, onde os valores estão trocados e fazer coisas abomináveis diante de Deus se tornou algo social e moderno?
Depois de ouvir, lembra-se Deus da sua aliança. Nós somos os filhos da aliança que aguardamos o Senhor que disse que voltaria para nos buscar para que onde ele estiver, nós estaremos também. 
A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdete – 
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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Êxodo 1: 1-22 – FARAÓ INTENTA O MAL CONTRA OS HEBREUS.

Vamos continuar[1] a bela história do povo de Jacó que agora estava morto, bem assim José e todos os seus irmãos e a terra havia se enchido deles, de seus filhos e isto incomodava e dava medo ao novo Faraó que se levantara no Egito e que não conhecia José.
Ele começa então a empreender estratégias para por fim ao crescimento populacional de Israel, mas Deus socorria o povo.
Quem escreveu Êxodo? Há controvérsias, mas continuamos crendo que a autoria desses escritos se deve a Moisés, conforme crê a maioria dos cristãos, se não todos.
Êxodo é a forma latina de êxodos que significa saída – Lc 9:31 – e apresenta o seu enredo principal do tempo de escravidão israelita no Egito até o recebimento das leis de Deus, no monte Sinai, mas isso não significa que tenha sido escrito, bem nessa época. Há indícios de que ele tenha sido escrito no período da segunda geração do êxodo, enquanto o povo esperava nas planícies de Moabe – Dt 1:5; Ex 16:35; Ex 40:38; Js 5:10-12.
A peregrinação no deserto durou cerca de 40 anos e se estende entre as datas prováveis de 1446-1406 AC.
O propósito deste livro, segundo a Bíblia de Estudo de Genebra - BEG, nossa referência geral, é confirmar a autoridade divina da liderança de Moises e da aliança da lei, bem como das regras para adoração.
Encontraremos neste livro as seguintes verdades fundamentais:
ü O Senhor deu autoridade a Moisés como líder de Israel para trazer a bênção da libertação do Egito.
ü As leis da aliança dadas por meio de Moisés foram divinamente autorizados para levar bênçãos ao povo de Deus.
ü As regulamentações de Moisés para adoração no tabernáculo foram divinamente ordenadas para trazer bênçãos ao povo de Deus.
Por ser o povo especial escolhido por Deus, os israelitas incorporavam a esperança do futuro da humanidade.
O grupo de setenta pessoas – Gn 46: 8-27 – faz alusão às setenta nações de Gn 10 que fala dos descendentes de Noé. O capítulo dez começa assim: “são estas as gerações dos filhos de Noé, Sem, Cam e Jafé, ...”.
São 14 de Jafté, 30 de Cam e 26 de Sem. Os setenta filhos de Israel são um microcosmo das nações – Gn 46:27. O número 70 = 7 x 10, sugerem na sua interpretação perfeição e plenitude o que representa um número completo e significativo – Jz 8:30; 2 Re 10:1.
Passados um bom tempo, agora surge um Faraó que não conhecia José, nem se interessava na história, nem conhecia este povo, mas somente sabia que ele era muito numeroso e que já era maior do que o povo egípcio e este homem resolve por fim ou tentar mudar o quadro para ficar favorável aos egípcios.
Já se tinham passados uns 350 anos que eles estavam no Egito e Deus está perto de fazer vir a existência um líder seu escolhido desde o ventre que somente se manifestaria depois, ainda, de uns 80 anos. O ataque de Faraó visava não somente este menino especial, mas sim todos os meninos israelitas, especialmente aquele que era o portador da semente messiânica que ali estava entre eles - mas quem?
Nos próximos capítulos dessa linda história teremos a oportunidade de ver quem são os contemporâneos de Moisés que guardavam a linhagem messiânica, escolhida por Deus para chegar até Cristo, daqui uns 1400 anos, considerando o hoje aquela data do êxodo.
Também podemos dividir Êxodo em três importantes partes:
I.         Deus libertando o seu povo por meio de Moisés – 1:1 – 18:27.
II.      Deus fazendo aliança com o povo por meio de Moisés – 19:1 – 24:18.
III.   Deus instruindo Moisés para erguer o tabernáculo, conforme o modelo que lhe era mostrado.
Ex 1:1 Estes pois são os nomes dos filhos de Israel,
que entraram no Egito com Jacó;
cada um entrou com sua casa:
Ex 1:2 Rúben, Simeão, Levi, e Judá;
Ex 1:3 Issacar, Zebulom, e Benjamim;
Ex 1:4 Dã e Naftali, Gade e Aser.
Ex 1:5 Todas as almas, pois, que procederam
dos lombos de Jacó,
foram setenta almas;
José, porém, estava no Egito.
Ex 1:6 Faleceu José,
e todos os seus irmãos,
e toda aquela geração.
Ex 1:7 E os filhos de Israel
frutificaram, aumentaram muito, e multiplicaram-se,
e foram fortalecidos grandemente;
de maneira que a terra se encheu deles.
Ex 1:8 E levantou-se um novo rei sobre o Egito,
que não conhecera a José;
Ex 1:9 O qual disse ao seu povo:
Eis que o povo dos filhos de Israel é muito,
e mais poderoso do que nós.
Ex 1:10 Eia,
usemos de sabedoria para com eles,
para que não se multipliquem,
e aconteça que, vindo guerra,
eles também se ajuntem com os nossos inimigos,
e pelejem contra nós,
e subam da terra.
Ex 1:11 E puseram sobre eles maiorais de tributos,
para os afligirem com suas cargas.
Porque edificaram a Faraó cidades-armazéns,
Pitom e Ramessés.
Ex 1:12 Mas quanto mais os afligiam,
tanto mais se multiplicavam,
e tanto mais cresciam;
de maneira que se enfadavam
por causa dos filhos de Israel.
Ex 1:13 E os egípcios
faziam servir os filhos de Israel com dureza;
Ex 1:14 Assim que lhes fizeram amargar a vida com dura servidão,
em barro e em tijolos,
e com todo o trabalho no campo;
com todo o seu serviço,
em que os obrigavam com dureza.
Ex 1:15 E o rei do Egito falou às parteiras das hebréias
(das quais o nome de uma era Sifrá, e o da outra Puá),
Ex 1:16 E disse:
Quando ajudardes a dar à luz às hebréias,
e as virdes sobre os assentos,
se for filho,
matai-o;
mas se for filha,
então viva.
Ex 1:17 As parteiras, porém,
temeram a Deus
e não fizeram como o rei do Egito lhes dissera,
antes conservavam os meninos com vida.
Ex 1:18 Então o rei do Egito chamou as parteiras e disse-lhes:
Por que fizestes isto, deixando os meninos com vida?
Ex 1:19 E as parteiras disseram a Faraó:
É que as mulheres hebréias não são como as egípcias;
porque são vivas,
e já têm dado à luz
antes que a parteira venha a elas.
Ex 1:20 Portanto Deus fez bem às parteiras.
E o povo se aumentou,
e se fortaleceu muito.
Ex 1:21 E aconteceu que,
como as parteiras temeram a Deus,
ele estabeleceu-lhes casas.
Ex 1:22 Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo:
A todos os filhos que nascerem
lançareis no rio,
mas a todas as filhas
guardareis com vida.
Foram três tentativas de matar os meninos. As parteiras temiam ao Senhor que as livrou de Faraó e lhes deu socorro. Quem pode impedir ou atrasar ou atrapalhar os planos de Deus? Deus estava ali preparando a saída daquele povo do Egito e não iria fazer isso de forma simples.


[1] Realmente se trata de uma continuação a qual foi iniciada no livro de Gênesis.

A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdete – 
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quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Gênesis 50: 1-26 – A MORTE DE JACÓ E A DE JOSÉ.

Esse último capítulo narra a morte e o cortejo fúnebre gigantesco de Jacó em Canaã, e também narra a morte de José e as suas palavras finais e proféticas a seus irmãos e a toda aquela geração. Sua palavra dizia que Deus os visitaria para os tirar dali e para os levar para Canaã, a terra prometida.
A bela história dos patriarcas está agora chegando ao seu final, no entanto, nada há registrado acerca da morte dos irmãos de José. Nada se sabe, quem morreu primeiro ou por último. Nós temos interesse particular na data precisa da morte de Judá por causa da semente messiânica, mas cremos que deve ter vivido ali perto dos 110 anos como José. Estariam todos os seus irmãos vivos quando José morreu? Com quantos anos Judá morreu? Nada se sabe.
Todos os preparativos relacionados à morte de Jacó foram tomados por seus filhos, mas em especial por José, que tivera o privilégio ainda de conviver com seu pai no Egito dos 130 aos 147 anos da vida de Jacó.
José ordenou que se realizassem o embalsamento de seu pai Jacó e, cremos, deve ter sido daqueles embalsamentos típicos de Faraós, com tudo o que o dinheiro, o poder e a fama poderiam conseguir. Esse cerimonial levava um pouco de tempo para ficar tudo preparado, devidos aos seus requintes.
Depois de tudo feito, José procura por Faraó que o atende em tudo além das suas necessidades que ele pede, dando-lhe mais recursos e pessoas para o acompanharem. José promete ir e voltar e assim fez: foi sepultar seu pai na terra de Canaã, junto com Abraão e Isaque e depois voltou à terra do Egito.
Na volta, seus irmãos entraram em pânico e tiveram medo de que José se voltasse contra eles e elaboraram seu pedido de perdão. Que bênção! Agora o objetivo dos irmãos de José era obedecer a palavra de Deus. Então, eles falaram a José, que sentindo a presença de Deus e a transformação que no coração deles se operara por parte do Espírito Santo, chorou diante deles.
Foi sem dúvida um momento especial e a paz voltou a reinar ali em Gósen e o povo cresceu e se multiplicou e teve paz e prosperidade, sob a proteção de Deus por meio da instrumentalidade de seu filho José.
Após a morte de Jacó, José dirigiu a atenção dos patriarcas para a Terra Prometida. Ele reafirmou a segurança deles no Egito – vs. 15-21 - e o futuro deles na Terra Prometida – vs. 22-26.
O tempo vai passando, e após 50 anos da morte de Jacó, José agora vai caminhando para seu fim, com seus 110 anos de vida e reúne seus irmãos e lhes fala profeticamente conforme entendia do que lhe falara seu pai e conforme os seus próprios apontamentos. José morre e é embalsamado e colocado num caixão do Egito. Provavelmente foi levado, como queria, para onde foi sepultado os seus pais, embora nada há registrado sobre isso.
Os registros dessa era patriarcal estavam sendo concluídos. O livro se encerra com a expectativa da visitação de Deus, em breve. Também é curioso que o Novo Testamento também se encerra com uma expectativa de uma visitação do céu, quando todos os crentes farão o êxodo da morte para a vida física eterna – Ap 22:20.
Gn 50:1 Então José
se lançou sobre o rosto de seu pai
e chorou sobre ele,
e o beijou.
Gn 50:2 E José
ordenou aos seus servos, os médicos,
que embalsamassem a seu pai;
e os médicos embalsamaram a Israel.
Gn 50:3 E cumpriram-se-lhe quarenta dias;
porque assim se cumprem os dias daqueles que se embalsamam;
e os egípcios o choraram setenta dias.
Gn 50:4 Passados, pois, os dias de seu choro,
falou José à casa de Faraó, dizendo:
Se agora tenho achado graça aos vossos olhos,
rogo-vos que faleis aos ouvidos de Faraó,
dizendo:
Gn 50:5 Meu pai me fez jurar, dizendo:
Eis que eu morro; em meu sepulcro,
que cavei para mim na terra de Canaã,
ali me sepultarás.
Agora, pois, te peço,
que eu suba, para que sepulte a meu pai;
então voltarei.
Gn 50:6 E Faraó disse:
Sobe,
e sepulta a teu pai como ele te fez jurar.
Gn 50:7 E José subiu para sepultar a seu pai;
e subiram com ele todos os servos de Faraó,
os anciãos da sua casa,
e todos os anciãos da terra do Egito.
Gn 50:8 Como também toda a casa de José, e seus irmãos,
e a casa de seu pai;
somente deixaram na terra de Gósen
os seus meninos, e as suas ovelhas e as suas vacas.
Gn 50:9 E subiram também com ele,
tanto carros como gente a cavalo;
e o cortejo foi grandíssimo.
Gn 50:10 Chegando eles, pois,
à eira de Atade, que está além do Jordão,
fizeram um grande e dolorido pranto;
e fez a seu pai uma grande lamentação por sete dias.
Gn 50:11 E vendo os moradores da terra, os cananeus,
o luto na eira de Atade, disseram:
É este o pranto grande dos egípcios.
Por isso chamou-se-lhe Abel-Mizraim,
que está além do Jordão.
Gn 50:12 E fizeram-lhe os seus filhos
assim como ele lhes ordenara.
Gn 50:13 Pois os seus filhos
o levaram à terra de Canaã,
e o sepultaram na cova do campo de Macpela,
que Abraão tinha comprado com o campo, por herança
de sepultura de Efrom, o heteu, em frente de Manre.
Gn 50:14 Depois de haver sepultado seu pai,
voltou José para o Egito,
ele e seus irmãos,
e todos os que com ele subiram a sepultar seu pai.
Gn 50:15 Vendo então os irmãos de José
que seu pai já estava morto, disseram:
Porventura nos odiará José
e certamente nos retribuirá todo o mal
que lhe fizemos.
Gn 50:16 Portanto mandaram dizer a José:
Teu pai ordenou, antes da sua morte, dizendo:
Gn 50:17 Assim direis a José:
Perdoa, rogo-te,
a transgressão de teus irmãos,
e o seu pecado, porque te fizeram mal;
agora, pois, rogamos-te
que perdoes a transgressão dos servos do Deus de teu pai.
E José chorou quando eles lhe falavam.
Gn 50:18 Depois vieram também seus irmãos,
e prostraram-se diante dele, e disseram:
Eis-nos aqui por teus servos.
Gn 50:19 E José lhes disse:
Não temais;
porventura estou eu em lugar de Deus?
Gn 50:20 Vós bem intentastes mal contra mim;
porém Deus o intentou para bem,
para fazer como se vê neste dia,
para conservar muita gente com vida.
Gn 50:21 Agora, pois, não temais;
eu vos sustentarei a vós e a vossos filhos.
Assim os consolou,
e falou segundo o coração deles.
Gn 50:22 José, pois, habitou no Egito,
ele e a casa de seu pai;
e viveu José cento e dez anos.
Gn 50:23 E viu José os filhos de Efraim,
da terceira geração;
também os filhos de Maquir,
filho de Manassés,
nasceram sobre os joelhos de José.
Gn 50:24 E disse José a seus irmãos:
Eu morro;
mas Deus certamente vos visitará,
e vos fará subir desta terra à terra que jurou
a Abraão, a Isaque e a Jacó.
Gn 50:25 E José fez jurar os filhos de Israel, dizendo:
Certamente vos visitará Deus,
e fareis transportar os meus ossos daqui.
Gn 50:26 E morreu José
da idade de cento e dez anos,
e o embalsamaram
e o puseram num caixão no Egito.
Foi Moisés quem cumpriu o juramento feito a José sobre o seu sepultamento – Êx 13:19 – e foi Josué quem completou o sepultamento. José foi sepultado em Siquém – Js 24:32.
Ressalte-se ainda que pela primeira vez é registrado o termo Abraão, Isaque e Jacó juntos – vs. 24.
Veja esta última tabela.

QUADRO V - QUADRO DEMONSTRATIVO DA CONTEMPORANEIDADE DE ABRAÃO ATÉ NAASSON
Obs.: os números 20º, 21º, até o 28º correspondem a ordem do nascimento daquele que é o portador da semente messiânica, conforme narra Lucas 3:23-38. Reparem, mais uma vez, que a destruição de Sodoma e Gomorra, por volta do ano 2110, também contados a partir de Adão.
Infelizmente, não temos os tempos de vida de Judá em diante até Naasson, por isso que estão acinzentados e iguais, mas muito provavelmente isso se deu, conforme está exposto.

A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdete – 
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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Momento de reflexão!

origem da matéria: Blog O Tempora, O Mores


Posted: 23 Sep 2013 12:15 PM PDT
(reprint do post de 2010 - ainda bastante atual)
Para mim resta pouca dúvida de que a igreja institucional e organizada está hoje no centro de acirradas discussões em praticamente todos os quartéis da cristandade, e mesmo fora dela. O surgimento de milhares de denominações evangélicas, o poderio apostólico de igrejas neopentecostais, a institucionalização e secularização das denominações históricas, a profissionalização do ministério pastoral, a busca de diplomas teológicos reconhecidos pelo estado, a variedade infindável de métodos de crescimento de igrejas, de sucesso pastoral, os escândalos ocorridos nas igrejas, a falta de crescimento das igrejas tradicionais, o fracasso das igrejas emergentes – tudo isto tem levado muitos a se desencantarem com a igreja institucional e organizada.Alguns simplesmente abandonaram a igreja e a fé. Mas, outros, querem abandonar apenas a igreja e manter a fé. Querem ser cristãos, mas sem a igreja. 

Muitos destes estão apenas decepcionados com a igreja institucional e tentam continuar a ser cristãos sem pertencer ou frequentar nenhuma. Todavia, existem aqueles que, além de não mais frequentarem a igreja, tomaram esta bandeira e passaram a defender abertamente o fracasso total da igreja organizada, a necessidade de um cristianismo sem igreja e a necessidade de sairmos da igreja para podermos encontrar Deus. Estas idéias vêm sendo veiculadas através de livros, palestras e da mídia. Viraram um movimento que cresce a cada dia. São os desigrejados.
Muitos livros recentes têm defendido a desigrejação do cristianismo (*). 

Em linhas gerais, os desigrejados defendem os seguintes pontos.

1) Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

2) Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

3) Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

4) A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

5) De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que crêem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18. Assim, se dois ou três amigos cristãos se encontrarem no Frans Café numa sexta a noite para falar sobre as lições espirituais do filme O Livro de Eli, por exemplo, ali é a igreja, não sendo necessário absolutamente mais nada do tipo ir à igreja no domingo ou pertencer a uma igreja organizada.

6) A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.

Eu concordo com vários dos pontos defendidos pelos desigrejados. Infelizmente, eles estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo. Concordo também que a igreja de Cristo não precisa de templos construídos e nem de todo o aparato necessário para sua manutenção. Ela, na verdade, subsistiu de forma vigorosa nos quatro primeiros séculos se reunindo em casas, cavernas, vales, campos, e até cemitérios. Os templos cristãos só foram erigidos após a oficialização do Cristianismo por Constantino, no séc. IV.

Os desigrejados estão certos ao criticar os sistemas de defesa criados para perpetuar as estruturas e a hierarquia das igrejas organizadas, esquecendo-se das pessoas e dando prioridade à organização. Concordo com eles que não podemos identificar a igreja com cultos organizados, programações sem fim durante a semana, cargos e funções como superintendente de Escola Dominical, organizações internas como uniões de moços, adolescentes, senhoras e homens, e métodos como células, encontros de casais e de jovens, e por ai vai. E também estou de acordo com a constatação de que a igreja institucional tem cometido muitos erros no decorrer de sua longa história.

Dito isto, pergunto se ainda assim está correto abandonarmos a igreja institucional e seguirmos um cristianismo em vôo solo. Pergunto ainda se os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira. Ao final, parece que a revolta deles não é somente contra a institucionalização da igreja, mas contra qualquer coisa que imponha limites ou restrições à sua maneira de pensar e de agir. Fico com a impressão que eles querem se livrar da igreja para poderem ser cristãos do jeito que entendem, acreditarem no que quiserem – sendo livres pensadores sem conclusões ou convicções definidas – fazerem o que quiserem, para poderem experimentar de tudo na vida sem receio de penalizações e correções. Esse tipo de atitude anti-instituição, antidisciplina, anti-regras, anti-autoridade, antilimites de todo tipo se encaixa perfeitamente na mentalidade secular e revolucionária de nosso tempo, que entra nas igrejas travestida de cristianismo.
É verdade que Jesus não deixou uma igreja institucionalizada aqui neste mundo. Todavia, ele disse algumas coisas sobre a igreja que levaram seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda no período apostólico e muito antes de Constantino.

1) Jesus disse aos discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.15-19). A igreja foi fundada sobre esta pedra, que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (cf. 1Pd 2.4-8). O que se desviar desta verdade – a divindade e exclusividade da pessoa de Cristo – não é igreja cristã. Não admira que os apóstolos estivessem prontos a rejeitar os livre-pensadores de sua época, que queriam dar uma outra interpretação à pessoa e obra de Cristo diferente daquela que eles receberam do próprio Cristo. As igrejas foram instruídas pelos apóstolos a rejeitar os livre-pensadores como os gnósticos e judaizantes, e libertinos desobedientes, como os seguidores de Balaão e os nicolaítas (cf. 2Jo 10; Rm 16.17; 1Co 5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3.10; Jd 4; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas Escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitados.

2) A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pd 2.4-8). Os desigrejados querem Cristo, mas não querem sua igreja. Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.

3) Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt 18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt 18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co 5). Não entendo como isto pode ser feito numa fraternidade informal e livre que se reúne para bebericar café nas sextas à noite e discutir assuntos culturais, onde não existe a consciência de pertencemos a um corpo que se guia conforme as regras estabelecidas por Cristo.

4) Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt 28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At 6.1-6; At 14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm 31-13; Tt 1.5-9; Tg 5.14).

5) Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm 10.9; 1Jo 4.15; At 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livre-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm 3.1; 5.17,19; Tt 1.5; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12; 1Tm 5.9; 1Tm 4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At 15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At 16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.

6) Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At 2.42; 20.7; 1Co 10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co 11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que crêem a mesma coisa sobre o Senhor.

É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt 18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.

O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb 10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At 15.41; 16.5; veja também Rm 16.4,16; 1Co 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).

No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas idéias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.

Eu não tenho ilusões quanto ao estado atual da igreja. Ela é imperfeita e continuará assim enquanto eu for membro dela. A teologia Reformada não deixa dúvidas quanto ao estado de imperfeição, corrupção, falibilidade e miséria em que a igreja militante se encontra no presente, enquanto aguarda a vinda do Senhor Jesus, ocasião em que se tornará igreja triunfante. Ao mesmo tempo, ensina que não podemos ser cristãos sem ela. Que apesar de tudo, precisamos uns dos outros, precisamos da pregação da Palavra, da disciplina e dos sacramentos, da comunhão de irmãos e dos cultos regulares.

Cristianismo sem igreja é uma outra religião, a religião individualista dos livre-pensadores, eternamente em dúvida, incapazes de levar cativos seus pensamentos à obediência de Cristo.------------------------------------------------------------------------------------------
NOTA:(*) Podemos mencionar entre eles: George Barna, Revolution (Revolução), 2005; William P. Young, The Shack: a novel (A Cabana: uma novela), 2007; Brian Sanders, Life After Church(Vida após a igreja), 2007; Jim Palmer, Divine Nobodies: shedding religion to find God(Joões-ninguém divinos: deixando a religião para encontrar a Deus), 2006; Martin Zener,How to Quit Church without Quitting God (Como deixar a Igreja sem deixar a Deus), 2002; Julia Duin, Quitting Church: why the faithful are fleeing and what to do about it (Deixando a Igreja: por que os fiéis estão saindo e o que fazer a respeito disto), 2008; Frank Viola,Pagan Christianity? Exploring the roots of our church practices (Cristianismo pagão? Explorando as raízes das nossas práticas na Igreja), 2007; Paulo Brabo, Bacia das Almas: Confissões de um ex-dependente de igreja (2009).