terça-feira, 22 de dezembro de 2015

I Coríntios 7 1-40 - CASAR OU NÃO CASAR, EIS A QUESTÃO!

Como já dissemos, Coríntios foi escrita para, principalmente, combater a rebeldia, as divisões e a falta de amor que tinham sido causadas pelo orgulho e pela presunção na igreja de Corinto. Estamos vendo a parte II, cap. 7/16.
Breve síntese do capítulo 7.
Casar ou não casar? Eis o que Paulo analisa e aconselha seus membros jovens e também os viúvos e viúvas: melhor é não casar para poder cuidar desimpedidamente das coisas do Senhor, mas imagine como seria se todos fossem cuidar das coisas do Senhor? Não haveria mais humanos!
Realmente quem casa deve cuidar do outro e já não tem aquela liberdade para trabalhar na seara do Senhor como gostaria. Com o casamento, vem os filhos e mais cuidados e tribulações enfrentaremos que dificultarão uma dedicação total ao Senhor.
Nossa atenção agora está voltada para a esposa, para os filhos, para os bens e patrimônios e para o Senhor. Não é a mesma coisa daquele que está livre e pode dedicar-se totalmente à obra do Senhor.
A mulher é uma bênção em nossas vidas? Os filhos são bênçãos em nossas vidas? Sim, totalmente. Feliz do homem que consegue a graça de ter sua família nos Caminhos do Senhor e assim todos são trabalhadores da seara.
E você jovem vai ou não casar-se? Fique tranquilo, Deus jamais o deixará confuso.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
III. A CARTA DOS CORÍNTIOS (7.1-16.12).
Paulo respondeu às questões levantadas na carta enviada pela igreja de Corinto. Ele falou em detalhes sobre os desafios específicos enfrentados pelos coríntios, que envolviam relacionamentos conjugais, divórcio e virgindade.
A idolatria desenfreada na igreja de Corinto levantou questões sobre o envolvimento em rituais pagãos e carne oferecida aos ídolos. Paulo tratou de problemas específicos do culto, como o uso do véu e a Ceia do Senhor.
O propósito e as funções dos dons espirituais no corpo de Cristo, incluindo as línguas e a profecia, deveriam ser aplicados dentro da estrutura da ordem e do amor cristãos.
Ao contrário da religião pagã, a fé cristã insiste em que a salvação só está completa quando o nosso corpo físico é renovado e desfruta os novos céus e a nova terra.
De passagem, Paulo mencionou várias questões práticas, especialmente a coleta de fundos para os crentes sofredores de Jerusalém.
Como dissemos, depois de tratar das questões levantadas pelos da casa de Cloe, Paulo se volta, então, para outras questões levantadas pela igreja.
Ele toca em seis assuntos: casamento e divórcio (7.1-40), alimentos sacrificados aos ídolos (8.1-11.1), culto de adoração (11.2-34), dons espirituais (12.1-14.40), ressurreição (15.1-58) e a coleta financeira para Jerusalém, bem como várias outras questões (16.1-12). Elas formarão a seguinte divisão proposta, segundo sempre a BEG: A. Casamento e divórcio (7.1-40) – veremos agora; B. Carne oferecida aos ídolos (8.1-11.1); C. Problemas no culto (11.2-34); D. Os dons espirituais (12.1-14.40); E. Ressurreição (15.1-58); e, F. A coleta e outros assuntos (16.1-12).
A. Casamento e divórcio (7.1-40).
Veremos até o vs. 40, questões sobre o casamento e o divórcio. O primeiro assunto discutido nessa seção refere-se ao casamento e está dividido em três partes: os relacionamentos conjugais (vs. 1-9), o divórcio (vs. 10-24) e as virgens (vs. 25-40).
1. Relacionamentos conjugais (7.1-9).
As circunstâncias em Corinto suscitaram debates importantes sobre as relações sexuais dentro do casamento, a questão dos solteiros e quanto a casar-se novamente.
No vs. 1, Paulo está respondendo a questões que lhe escreveram e ele diz que seria bom que o homem não tocasse em mulher. Provavelmente um provérbio utilizado por algum grupo de ascetas entre os cristãos de Corinto.
Essa declaração, se considerada literalmente, não se refere apenas ao relacionamento conjugal, mas a todas as relações sexuais, quer dentro ou fora do casamento.
Os opositores de Paulo podem ter apelado à condição de solteiro dele para validarem suas posições sobre esse assunto; porém, não era essa a opinião dele sobre a relação sexual (vs. 2-5; 1Tm 2.15).
Todavia, Paulo reconheceu que há, sob determinadas circunstâncias, algum valor no fato de alguém permanecer solteiro (vs. 7-8,26) e forneceu razões específicas para que um cristão pudesse optar por isso (vs. 29-35).
A intenção da declaração, contudo, era corrigir a posição daqueles que impunham o celibato. Em outro contexto, Paulo falou sobre o casamento de maneira positiva (p. ex., Ef 5.22-33; 1Tm 3.2) e até mesmo condenou aqueles que proibiam as pessoas de se casarem (1Tm 4.3).
Além disso, Paulo ratificou o Antigo Testamento que advoga repetidamente o casamento piedoso, o sexo e a procriação como o plano de Deus para a humanidade (p. ex., Gn 1.28-29; 2.18).
Seria bom não se casarem, não tocarem em mulheres; mas por causa da impureza, então, seria melhor ainda ter uma esposa e cada mulher o seu próprio marido.
Corinto era uma cidade conhecida por praticar a imoralidade sexual. Provavelmente, Paulo pensava na questão específica dos cristãos que se relacionavam com prostitutas, uma questão de que havia tratado na passagem anterior (6.15-20).
Considerando a solução de Paulo para o problema ("cada um tenha a sua própria esposa, e cada uma, o seu próprio marido"), é provável que alguns cônjuges estivessem recusando ter relações sexuais com seus parceiros, o que levava estes últimos a procurar satisfação sexual na prostituição.
O verbo "ter" de cada um ter o seu próprio marido e esposa, não tem o mesmo significado que "possuir". Antes, significa "viver numa relação sexual com", assim como em 5.1.
A solução de Paulo para o problema da imoralidade e prostituição era que o casal unido pelo matrimônio mantivesse uma vida sexual ativa, dessa maneira refreando a motivação para apelar à imoralidade. 
O sexo dentro do casamento não é uma opção, mas uma obrigação para marido e esposa. Paulo se refere a essa atitude de abstenção das obrigações sexuais como "privação" (vs. 5).
Esse versículo quatro, extraordinário, revela um ponto de vista muito à frente do seu tempo:
(1)     Uma percepção sadia quando à sexualidade da mulher.
(2)     Um entendimento da reciprocidade que existe entre marido e esposa quanto ao relacionamento mais íntimo do casamento.
As Escrituras não favorecem a ideia de que o marido é o único que pode ter satisfação sexual ou que somente ele deve determinar como, onde e quando praticar a relação sexual.
A ordem de Paulo era para que os casais não se privassem um ao outro no tocante à área sexual, a não ser por mútuo consentimento.
Paulo indica que abster-se de sexo na relação conjugal é privar ambos de algo necessário. Essa abstenção, se ocorrer, não dever ser unilateral, mas consentida por ambos e isso por algum tempo.
Paulo admite que a abstenção temporária de sexo (algo semelhante ao jejum) pode ser viável em períodos intensos de oração. No entanto, o caráter temporário dessa situação não permite legalizarmos uma abstenção prolongada.
Deus não apenas permitiu como também ordenou a união sexual dentro do casamento. Paulo somente permite abstenção sexual temporária no casamento por meio de acordo mútuo e àqueles a quem isso possa beneficiar. Ele não ordenou que isso fosse instituído como prática ocasional para todos os casais.
No entanto, ele manifesta seu desejo de querer que todos os homens sejam tais como também ele era. Em vista das circunstâncias em Corinto (vs. 26), Paulo admite que seria melhor se os solteiros da igreja de Corinto permanecem assim como ele.
Cada um tem de Deus o seu próprio dom, por isso a capacidade de Paulo para permanecer solteiro, sem cair no pecado sexual, era uma bênção divina. Todavia, o celibato não é o único dom espiritual legítimo na área sexual.
O Espírito concede seus dons aos cristãos para o benefício da igreja e nenhum dom tem o objetivo de tornar um cristão superior ao outro. Todos os dons provêm de Deus e são concedidos de acordo com seus propósitos (12.4-7). Meu objetivo jamais deverá ser melhor do que meu irmão, mas sim tornar-me melhor a cada dia em rumo à perfeição a qual jamais atingirei.
Com essa declaração, Paulo procura demonstrar que, embora veja benefício para os coríntios que permanecessem sem casar durante a crise que enfrentavam, o plano de Deus inclui tanto o casamento quanto a condição de solteiro.
Os coríntios não deveriam considerar o casamento como uma condição inferior a dos solteiros, mesmo em meio à crise. Além do mais, Paulo esclarece que os solteiros precisam receber dom espiritual especial para resistir ao pecado sexual. Ele não quis dizer que permanecer solteiro é, em si mesmo, um dom de Deus, pois o casamento e os filhos são bênçãos da aliança (Gn 2.18; Lv 26.9; Dt 28.11; 30.9).
Caso alguém não viesse a se dominar, literalmente, "não se controlar", Paulo reconhece que permanecer solteiro poderia levar alguns a cair no pecado sexual, assim como abster-se de sexo na relação conjugal poderia levar um dos cônjuges a cair em pecado (vs. 2). Portanto, seria melhor que se casassem.
Apesar dos benefícios de permanecer solteiro durante a crise em Corinto (vs. 26), o casamento era uma opção melhor para aqueles a quem Deus não concedeu dons especiais (vs. 7) para resistir ao pecado sexual. Casar-se não é pecado, mas a imoralidade sexual é.
Portanto, ainda que o casamento fosse uma condição menos preferível para enfrentar a crise em Corinto, era uma opção melhor do que cair em pecado.
2. Divórcio (7.10-24).
Relativamente ao divórcio, até ao vs. 24, veremos que Paulo tratou de várias questões práticas em relação ao divórcio, incluindo situações em que este pode ser permitido e quando homens e mulheres divorciados podem se casar novamente.
O seguinte mandamento daria ele aos casados, repito, não ele, mas o Senhor - Paulo diz o contrário no vs. 12 ("eu, não o Senhor"), mas não está sugerindo qualquer discordância entre ele e Deus quanto a essas questões - que a esposa não se separasse do marido.
Quanto ao problema tratado aqui (vs. 10-11), Jesus transmitiu um ensinamento bastante conhecido durante o seu ministério terreno (Mc 10.1-12). Todavia, nos vs. 12-16, Paulo debate uma situação que Jesus não tratou diretamente. Mesmo assim, o seu mandamento apostólico tinha inspiração e autoridade divina, como esclarece 14.37.
Ela até poderia, porém, vir a separar-se, mas deveria permanecer casta até se reconciliar novamente com o seu marido. Apesar da instrução do Senhor, parece que algumas esposas em Corinto, influenciadas pelo ascetismo, haviam deixado seus respectivos maridos.
Visto que o casal havia assumido o compromisso mútuo de permanecerem juntos até que a morte os separasse (vs. 39), Paulo esclarece que só havia duas opções para essas mulheres: reconciliarem-se com seus maridos ou permanecerem sem casar. O mesmo deve ser entendido para os homens, ou se reconciliam com suas esposas ou permanecem sem casar.
O ensino de Paulo pode ser aplicado corretamente a qualquer outra situação de divórcio ou separação entre cristãos, desde que não envolva infidelidade (a BEG recomenda a leitura de seu excelente o artigo teológico 'Casamento e divórcio', em Mt 19). O objetivo, seja qual for o caso, deve ser a reconciliação (Mt 19.8-9).
Quanto aos vs. 12 e 13, Paulo diz que era ele falando, não o Senhor: se um irmão tem mulher descrente, e ela se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela. E, se uma mulher tem marido descrente, e ele se dispõe a viver com ela, não se divorcie dele.
Essa é a circunstância especial para a qual Jesus não forneceu nenhuma instrução. Por que não desfazer um casamento em que apenas um dos cônjuges é cristão, especialmente se é o cônjuge incrédulo que deseja separar-se? Paulo responde dizendo que não se deve forçar o cônjuge incrédulo a permanecer casado (vs. 15), porém o cônjuge cristão não deve tomar a iniciativa do divórcio se o parceiro incrédulo estiver disposto a permanecer casado.
O vs. 14 (marido santificado pela esposa crente; esposa santificada pelo marido crente; filhos santos em função disso) é uma afirmação surpreendente de um princípio do Antigo Testamento quanto ao caráter especial de um lar no qual pelo menos um dos cônjuges é crente: toda a sua família é considerada como separada do mundo e sob as sanções da aliança de Deus.
Os termos traduzidos como "santificado” e "santos" têm origem na mesma família de palavras. Embora sejam utilizados com frequência para indicar a salvação, mediante a fé, daqueles escolhidos por Deus, esses termos também indicam o relacionamento de aliança com Deus que pode resultar em salvação e bênçãos (p. ex., 2Ts 1.6-10), ou incredulidade e maldição (p. ex., Hb 6.4-10; 10.29).
O cônjuge e os filhos incrédulos passam a contar com a influência da obra de Deus por meio do cônjuge ou pai/mãe cristão e se tornam parte da igreja visível, a comunidade da aliança.
Consequentemente, esse versículo tem sido usado como parte da argumentação quanto ao batismo dos filhos de cristãos (a BEG recomenda, mais uma vez, a leitura e reflexão de seu excelente artigo teológico "O batismo de crianças ou de convertidos", em Cl 2).
Alguns interpretam essa declaração do vs. 15 como dando a entender que se um cônjuge incrédulo se divorcia do seu cônjuge cristão, este pode se casar novamente.
Embora possa ser uma conclusão legítima do ensino de Paulo nessa passagem (cf. Rm 7.2-3), na verdade o objetivo aqui é simplesmente afirmar que o cristão não está obrigado a insistir que o seu cônjuge incrédulo permaneça no casamento. Essa persistência pode impedir que o homem e a mulher vivam "em paz". 
O verso seguinte que afirma não saber a mulher ou o marido se o seu cônjuge se salvará, permite dois entendimentos. À luz do vs. 14, a declaração sugere que o vs. 15 tem algo de parentético e, nesse caso, Paulo está fornecendo a razão para o cristão não se divorciar do cônjuge incrédulo: como este foi santificado, existe uma grande possibilidade de que venha a ser salvo.
Por outro lado, pode ser que o vs. 16 forneça a razão para a instrução dada no vs. 15: o cristão deve aceitar o divórcio solicitado pelo cônjuge incrédulo, pois não tem garantias de que este será salvo caso seja forçado a permanecer no casamento.
A ordem de Paulo – vs. 17 - para todas as igrejas dizia que andasse cada um segundo o Senhor lhe tivesse distribuído, cada um conforme Deus o tivesse chamado.
Os versículos seguintes esclarecem que a frase "conforme Deus o tem chamado" não é uma referência à posição social, mas à própria conversão. Observe que os vs. 17-24 estabelecem um princípio que traz coerência a todo o capítulo: tornar-se cristão não exige que a pessoa altere a sua situação conjugal, étnica ou social (vs. 8,20,26).
Às vezes, esse versículo é mal interpretado com o objetivo de dizer que o cristão não deve procurar melhorar a sua situação social ou econômica. Pelo contrário, Paulo encorajou os escravos a alcançarem liberdade, caso houvesse oportunidade para isso (vs. 21).
A primeira parte desse versículo faz paralelismo com Gl 5.6; 6.15. Parece que a segunda parte ("guardar as ordenanças de Deus") é outra maneira de dizer, "a fé que atua pelo amor" (G1 5.6). Esse tipo de fé atuante é característica da "nova criatura" (Gl 6.15).
Paulo sintetiza o assunto dizendo que cada um deveria permanecer como fora chamado. Paulo emprega o termo "permaneça" em vez de "ande", porém essa declaração deve ser entendida à luz da explicação abrangente fornecida no vs. 17. Em todo caso, Paulo não está dizendo que o cristão é obrigado a permanecer em sua condição atual (o que estaria contradizendo o vs. 21), mas exortando-o a não ficar preocupado com isso (veja o vs. 21).
Veja o vs. 21 que diz para não se preocupar com isso. Não é errado buscar uma situação social melhor, como fica claro no restante dos versículos. Contudo, Paulo não desejava que os cristãos ficassem preocupados com situações que não poderiam ser alteradas. Queixas e insatisfação poderiam trazer consequências espirituais fatais (10.10), pois refletiam falta de confiança na soberania de Deus.
Paulo lhes lembra que foram comprados por preço – vs. 23. Essa declaração apoia o vs. 22 (cf. 6.20). Se os cristãos compreendessem de fato a quem pertencem, perceberiam que nem mesmo a escravidão pode causar danos à posição privilegiada que têm em Cristo. De modo inverso, até mesmo o maioral entre os homens é apenas um servo humilde diante de Cristo. Portanto, o cristão não precisa, nem deve, tornar-se "escravos de homens".
3. Virgens (7.25-40).
Depois de falar do divórcio, Paulo trata das virgens. A argumentação geral de Paulo sobre o casamento e o divórcio levou-o a tratar da questão específica das virgens na igreja de Corinto.
Com respeito às virgens – vs. 25 – ele não teria mandamento do Senhor, mas falaria disso como alguém que alcançou misericórdia do Senhor e poderia falar e ministrar sobre esse assunto novo, porém relacionado à questão levantada na carta que os coríntios escreveram a Paulo.
Essa expressão sugere que os comentários de Paulo não são mandamentos categóricos sobre escolhas morais, mas recomendações para uma situação específica. Essa interpretação é confirmada pela declaração no vs. 28 e pelas opções disponíveis no vs. 38.
Por causa dos problemas atuais, seria melhor que o homem permanecesse como estava. Provavelmente Paulo se refere a um problema específico e incomum em Corinto. Alguns argumentam que o vs. 28 ("tais pessoas sofrerão angústia na carne") sugere uma ideia mais abrangente: os sofrimentos que todo cristão enfrenta neste mundo perverso (C1 1.4).
No entanto, essa última interpretação é improvável em vista de vários fatores:
(1)     Em outras passagens, Paulo ratificou o casamento, sem ressalvas, como prática comum (11.9; Ef. 5.23-33; 1Tm 2.15; 4.3; 5.14).
(2)     Paulo mencionou a idade da mulher como um fator importante (vs. 36), algo irrelevante se a crise fosse perpétua.
(3)     O Antigo Testamento ratificou o casamento em todas as situações difíceis que Israel enfrentou, a despeito do fato de que as crises de Israel foram muito piores do que as da igreja (isto é, uma vez que a era vindoura ainda não havia sido inaugurada; ainda, mais desta vez, a BEG recomenda leitura e reflexão em seu excelente artigo teológico "O plano das eras", em Hb 7).
Com toda probabilidade, Paulo estava apenas encorajando uma moratória temporária para o casamento até que a crise de Corinto tivesse passado.
Todavia, essa lógica pode ser aplicada a outras crises. Algumas vezes a vida pode se tornar tão difícil que o melhor é não se casar (supondo que a pessoa em questão tenha recebido o dom para resistir à tentação sexual).
Casado ou solteiro? Literalmente, "comprometido com uma mulher/esposa". A expressão de Paulo indica noivado e não casamento consumado. Era necessário o "divórcio" para quebrar um compromisso de noivado.
A questão de Paulo era que os noivos não deveriam anular o noivado simplesmente por causa da situação difícil que a igreja enfrentava. Embora talvez fosse melhor adiarem o casamento até que a crise tivesse passado, Paulo não insistiu nesse adiamento.
Na verdade, até mesmo em situações difíceis ele se mostrou propenso a encorajar o casamento das mulheres mais velhas, provavelmente porque estas corriam o risco de passarem da idade de ter filhos caso a crise se prolongasse (vs. 36).
Ninguém comete pecado se vier a casar-se, mas sofrerão angústias na carne – vs. 28. Isto é, "enfrentarão muitas dificuldades na vida". Paulo não está dizendo que o casamento é sempre mais difícil do que permanecer solteiro - pois Deus criou a mulher para auxiliar, não para servir de obstáculo (Gn 2.18).
Nessa passagem, Paulo está se referindo aos tipos de angústias ("na carne") que poderiam surgir durante aquela crise, e não à duração de tais sofrimentos. Geralmente Paulo utiliza o termo "carne" para se referir às características deste mundo perverso. Isso sugere que, em momentos de crise, há maior potencial de sofrimento para os casados do que para os solteiros (essa é a sua quarta recomendação de artigo teológico "O plano das eras", em Hb 7 – vale à pena conhecer e refletir).
Nos vs. de 29 a 31, Paulo afirma que o tempo se abrevia, onde a aparência deste mundo passa. O cristão deve viver com a percepção de que não há tempo a perder.
As decisões na vida cristã devem ser caracterizadas por um sentido de urgência (Rm 13.11-12). Em momentos de crise (vs. 26), precisamos nos concentrar na esperança dos novos céus e nova terra que virão, sempre lembrando do reino eterno de Deus em vez de ficarmos ansiosos com este mundo perverso e suas preocupações.
Paulo queria todos eles livres de preocupações. No Novo Testamento, as palavras traduzidas nos vs. 32-34 como "preocupações" e "preocupa" têm, às vezes, uma acepção positiva ("cuidado", cf. 12.25; "cuide", Fp 2.20), mas em geral transmitem uma conotação negativa (cf. Mt 6.25-34 ["ansiosos"]; 10.19 ("cuideis"); 28.14 ["segurança"]; Lc 10.41 ("inquieta"; "te preocupas"); 12.11,22-26 ["preocupeis"; "ansiosos"]; Fp 4.6 ("ansiosos")).
Está claro que aqui Paulo tinha em mente um significado negativo, pois queria que seus leitores evitassem as preocupações.
Paulo listou várias preocupações que acometem os casados e solteiros, explicando que em tempos de dificuldades o casamento pode se transformar numa fonte extra de ansiedade. Quem não é casado cuida das coisas do Senhor.
Embora adiar o casamento em períodos difíceis possa liberar as pessoas de várias ansiedades, mesmo assim os solteiros permanecem vulneráveis às preocupações, que se estendem às tarefas e obrigações para as quais Deus os chamou (p. ex., 2Co 11.28) e até mesmo ao relacionamento com Deus (p. ex., SI 38.18).
Em momentos de crise, os casados têm mais responsabilidades e, consequentemente, mais preocupações que os solteiros. O homem casado está sujeito não apenas às inquietações em relação aos assuntos de Deus (do mesmo modo que o solteiro, vs. 32), como também às preocupações de suas responsabilidades familiares.
Também a mulher, tanto a viúva como a virgem. Paulo pode estar fazendo distinção entre solteiras de modo geral e mulheres de uma classe especial (virgens noivas ou mulheres que se comprometeram com a virgindade).
Em períodos de crise, havia um aumento no número de situações que poderiam gerar preocupações às mulheres solteiras ou virgens.
A qualificação a que Paulo se referiu ("assim no corpo como no espírito") chama a atenção dessas mulheres não apenas quanto à tensão provocada pelo relacionamento e chamado de Deus, mas também à tentação envolvendo o pecado sexual (cf. vs. 8-9).
Tanto as mulheres não casadas como as virgens preocupam-se em serem santas. Paulo não está menosprezando o chamado das solteiras em relação ao das casadas quanto à devoção ao Senhor.
Antes, procura mostrar que até mesmo a devoção a Deus pode ser estressante para aqueles que não possuem perspectivas e prioridades corretas (cf. Lc 10.38-42).
Em tempos de crise, as mulheres casadas sofrem mais desgaste por causa de assuntos familiares e responsabilidades para com o marido. Como ocorre em outras áreas, essa situação de ansiedade pode se estender ao chamado e relacionamento com Deus.
O que Paulo falava visava o bem de seus ouvintes, pois era em favor dos seus próprios interesses. O público dos solteiros talvez pensasse que o casamento aliviaria algumas de suas ansiedades - o que de fato era verdadeiro, caso as circunstâncias fossem outras (Gn 2.18) - porém em tempos de crise as responsabilidades conjugais poderiam tornar a vida mais difícil.
Aqui – vs. 35 -, o objetivo de Paulo não é dizer que a situação de solteiro é melhor porque evita mais preocupações (que é o seu argumento nos vs. 32-34), mas que tanto os casados quanto os solteiros devem seguir esse ensinamento para evitar preocupações e viver de maneira piedosa.
Com relação aos vs. 36-38, há duas maneiras diferentes de interpretar essa passagem. Não sabemos qual era a situação específica em Corinto da qual Paulo estava tratando, mas há dois fatos claros:
(1)     Casar ou adiar o casamento são boas opções em períodos de crise, ainda que Paulo tenha percebido mais benefícios na última condição.
(2)     O estado de solteiro passa a ser menos preferível à medida que a noiva envelhece, possivelmente porque o adiamento do casamento reduz o período em que a mulher pode ter filhos.
A mulher está ligada ao seu marido enquanto ele viver. O casamento é, sem dúvida, um compromisso para a vida inteira.
Se um deles morrer, cada um fica livre para casar-se novamente. As viúvas, assim como as outras mulheres mencionadas nesse capítulo, tinham a escolha de voltarem a se casar ou não. A única condição era que, caso decidissem se casar, o novo marido teria de pertencer ao "Senhor".
No entanto, seu conselho seria que ela seria mais feliz se permanecesse viúva. Não em todas as circunstâncias, porém especificamente nesse caso sim, tendo em vista a crise em Corinto (cf. 1Tm 5.14).
I Co 7:1 Quanto ao que me escrevestes,
                é bom que o homem não toque em mulher;
                               I Co 7:2 mas, por causa da impureza,
                                               cada um tenha a sua própria esposa,
                                               e cada uma, o seu próprio marido.
I Co 7:3 O marido conceda à esposa
                o que lhe é devido,
e também, semelhantemente, a esposa,
                ao seu marido.
I Co 7:4 A mulher
                não tem poder sobre o seu próprio corpo,
                               e sim o marido; e também,
semelhantemente, o marido
                não tem poder sobre o seu próprio corpo,
                               e sim a mulher.
I Co 7:5 Não vos priveis um ao outro,
                salvo talvez por mútuo consentimento,
                               por algum tempo, para vos dedicardes à oração
                                               e, novamente, vos ajuntardes,
                                                               para que Satanás não vos tente
por causa da incontinência.
I Co 7:6 E isto vos digo como concessão e não por mandamento.
I Co 7:7 Quero que todos os homens sejam tais como também eu sou;
                no entanto, cada um tem de Deus o seu próprio dom;
                               um, na verdade, de um modo;
                               outro, de outro.
I Co 7:8 E aos solteiros e viúvos digo
                que lhes seria bom se permanecessem no estado
em que também eu vivo.
I Co 7:9 Caso, porém, não se dominem,
                que se casem;
                               porque é melhor casar do que viver abrasado.
I Co 7:10 Ora, aos casados,
                ordeno, não eu, mas o Senhor,
                               que a mulher não se separe do marido
                                               I Co 7:11 (se, porém, ela vier a separar-se,
                                                               que não se case
                                                                              ou que se reconcilie
com seu marido);
                               e que o marido não se aparte de sua mulher.
I Co 7:12 Aos mais digo eu, não o Senhor:
                se algum irmão tem mulher incrédula,
                e esta consente em morar com ele,
                               não a abandone;
                I Co 7:13 e a mulher que tem marido incrédulo,
                               e este consente em viver com ela,
                                               não deixe o marido.
I Co 7:14 Porque o marido incrédulo
                é santificado no convívio da esposa,
e a esposa incrédula
                é santificada no convívio do marido crente.
Doutra sorte, os vossos filhos seriam impuros;
                porém, agora, são santos.
I Co 7:15 Mas, se o descrente quiser apartar-se,
                que se aparte;
                               em tais casos, não fica sujeito à servidão
                                               nem o irmão,
                                               nem a irmã;
Deus vos tem chamado à paz.
I Co 7:16 Pois, como sabes, ó mulher,
                se salvarás teu marido?
Ou, como sabes, ó marido,
                se salvarás tua mulher?
I Co 7:17 Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído,
                cada um conforme Deus o tem chamado.
É assim que ordeno em todas as igrejas.
I Co 7:18 Foi alguém chamado, estando circunciso?
                Não desfaça a circuncisão.
Foi alguém chamado, estando incircunciso?
                Não se faça circuncidar.
I Co 7:19 A circuncisão, em si, não é nada;
a incircuncisão também nada é,
                mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus.
I Co 7:20 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado.
I Co 7:21 Foste chamado, sendo escravo?
                Não te preocupes com isso;
                               mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade.
I Co 7:22 Porque o que foi chamado no Senhor,
                sendo escravo,
                               é liberto do Senhor;
semelhantemente, o que foi chamado,
                sendo livre,
                               é escravo de Cristo.
I Co 7:23 Por preço fostes comprados;
                não vos torneis escravos de homens.
I Co 7:24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus
                naquilo em que foi chamado.
I Co 7:25 Com respeito às virgens,
                não tenho mandamento do Senhor;
                               porém dou minha opinião,
                                               como tendo recebido do Senhor
a misericórdia de ser fiel.
I Co 7:26 Considero, por causa da angustiosa situação presente,
                ser bom para o homem permanecer assim como está.
                               I Co 7:27 Estás casado?
                                               Não procures separar-te.
                               Estás livre de mulher?
                                               Não procures casamento.
I Co 7:28 Mas, se te casares,
                com isto não pecas;
e também, se a virgem se casar,
                por isso não peca.
Ainda assim, tais pessoas sofrerão angústia na carne,
                e eu quisera poupar-vos.
I Co 7:29 Isto, porém, vos digo, irmãos:
                o tempo se abrevia;
                               o que resta é que não só os casados
                                               sejam como se o não fossem;
                               I Co 7:30 mas também os que choram,
                                               como se não chorassem;
                               e os que se alegram,
                                               como se não se alegrassem;
                               e os que compram,
                                               como se nada possuíssem;
                               I Co 7:31 e os que se utilizam do mundo,
                                               como se dele não usassem;
                                                               porque a aparência deste mundo passa.
                                               I Co 7:32 O que realmente eu quero
                                                               é que estejais livres de preocupações.
Quem não é casado
                                                               cuida das coisas do Senhor,
                                                                              de como agradar ao Senhor;
I Co 7:33 mas o que se casou
                cuida das coisas do mundo,
                               de como agradar à esposa,
                                               I Co 7:34 e assim está dividido.
Também a mulher,
                tanto a viúva como a virgem,
                               cuida das coisas do Senhor,
                                               para ser santa,
                                                               assim no corpo como no espírito;
                a que se casou, porém,
                               se preocupa com as coisas do mundo,
                                               de como agradar ao marido.
I Co 7:35 Digo isto em favor dos vossos próprios interesses;
                não que eu pretenda enredar-vos,
                               mas somente para o que é decoroso
                                               e vos facilite o consagrar-vos,
                                                               desimpedidamente, ao Senhor.
I Co 7:36 Entretanto,
                se alguém julga que trata sem decoro a sua filha,
                               estando já a passar-lhe a flor da idade,
                                               e as circunstâncias o exigem,
                                                               faça o que quiser.
                                                                              Não peca;
                                                                                              que se casem.
I Co 7:37 Todavia, o que está firme em seu coração,
                não tendo necessidade,
                               mas domínio sobre o seu próprio arbítrio,
                                               e isto bem firmado no seu ânimo,
                                                               para conservar virgem a sua filha,
bem fará.
I Co 7:38 E, assim, quem casa a sua filha virgem
                faz bem;
quem não a casa
                faz melhor.
I Co 7:39 A mulher está ligada enquanto vive o marido;
                contudo, se falecer o marido,
                               fica livre para casar com quem quiser,
                                               mas somente no Senhor.
I Co 7:40 Todavia,
                será mais feliz se permanecer viúva,
                               segundo a minha opinião;
                                               e penso que também
                                                               eu tenho o Espírito de Deus.
Eu sou casado já há quase 30 anos e tenho 3 lindos e maravilhosos filhos. Minha esposa e filhos estão preparados para servirem ao Senhor em família e cada um, menos a Bebel, já procura seu cônjuge. A esposa certa vem do Senhor, diz a palavra de Deus e nossos filhos são a sua herança. (Pv 18:22; 19:14; Sl 127:3).
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 122 dias para 20/04/16 (Inicio: 05/05/15). Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. (Is 26.3).
A Deus toda glória! p/ pr. Daniel Deusdete.

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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.