terça-feira, 29 de dezembro de 2015

I Coríntios 14 1-40 - DONS PARA SERVIR, NÃO PARA SER MELHOR DO QUE MEU IRMÃO.

Como já dissemos, Coríntios foi escrita para, principalmente, combater a rebeldia, as divisões e a falta de amor que tinham sido causadas pelo orgulho e pela presunção na igreja de Corinto. Estamos vendo a parte II, cap. 14/16.
Breve síntese do capítulo 14.
Acerca dos dons, Paulo começa a falar primeiro de seguir o amor para depois falar de procurar com zelo os dons espirituais, principalmente, o de profetizar como aquele dom mais preferível que o falar em outras línguas onde ninguém o entende.
Quando o dom a ser buscado com zelo e oração se torna alvo de conquista como um troféu a ser exibido em comparação com outros irmãos que não conseguiram, não estaremos seguindo o amor.
O amor buscará sempre a edificação do corpo de Cristo e os dons devem servir para esse propósito, se não, para que servem os dons? Se os dons não me tornar mais capaz para eu servir o meu irmão, eles me serão de pouca valia ou nenhuma.
Estamos agora falando sobre os dons que nos tornam mais capacitados para servirmos ao nosso próximo e não para sermos melhores que ele.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
III. A CARTA DOS CORÍNTIOS (7.1-16.12) - continuação.
Como dissemos, estamos vendo que Paulo respondeu às questões levantadas na carta enviada pela igreja de Corinto. Ele falou em detalhes sobre os desafios específicos enfrentados pelos coríntios, que envolviam relacionamentos conjugais, divórcio e virgindade. Como dissemos, depois de tratar das questões levantadas pelos da casa de Cloe, Paulo se volta, então, para outras questões levantadas pela igreja.
Dividimos essa parte, conforme a BEG, em seis subpartes: A. Casamento e divórcio (7.1-40) – já vimos; B. Carne oferecida aos ídolos (8.1-11.1) – já vimos; C. Problemas no culto (11.2-34) – já vimos; D. Os dons espirituais (12.1-14.40) – estaremos concluindo agora; E. Ressurreição (15.1-58); e, F. A coleta e outros assuntos (16.1-12).
D. Os dons espirituais (12.1-14.40) - continuação.
Depois de tratar de dois problemas do culto da igreja em Corinto, Paulo aborda uma questão intimamente relacionada a isso: os dons e a manifestação do Espírito na igreja.
A argumentação de Paulo se divide em quatro seções, que formarão nossa divisão proposta: 1. A diversidade de dons dentro da unidade da igreja (12.1-31) – já visto; 2. A importância do amor (13.1-13) – já vimos; 3. Profecias e dom de línguas (14.1-25) – veremos agora; e, 4. O princípio de ordem na igreja (14.26-40) – veremos agora.
3. Profecias e dom de línguas (14.1-25).
Veremos até ao vs. 25 a profecia e as línguas. Após colocar a discussão dentro da apropriada estrutura do amor, Paulo passa a encorajar os coríntios a reconhecerem o valor dos dons espirituais.
Visto que os coríntios estavam exagerando a importância do dom de línguas, no cap. 14 Paulo chama a atenção para os dons inteligíveis (vs. 19) - principalmente a profecia (12.8-10), mas também a interpretação de línguas (vs. 27-28).
Estando seguindo o caminho do amor, poderemos buscar os melhores dons, principalmente o de profetizar. Paulo parece dizer que a profecia é o melhor dom que o cristão pode buscar legitimamente.
Tendo excluído o dom superior do apostolado (12.28), Paulo sugere fortemente a cessação desse ofício de autoridade depois dos apóstolos que já haviam sido chamados (a BEG recomenda leitura em seu excelente artigo teológico 'Os apóstolos", em 2Co 10).
O dom de língua – vs. 2; 12.10 – sendo abordado pela BEG:
Alguns argumentam que Paulo estava se referindo a algo diferente da linguagem humana, isto é, a algum modo de falar que leva a pessoa a um estado de êxtase (talvez incontrolável) durante as orações íntimas.
Todavia, falar em línguas humanas estrangeiras, sem que houvesse interpretação, também seria um tipo de oração dirigida a Deus e não ao povo, uma vez que "ninguém o entende" e em espírito, fala mistérios – vs. 2. Ou seja, o oposto de formular palavras com a mente (vs. 13-15).
Essa expressão admite duas interpretações:
(1)   Até mesmo aquele que fala não entende o que está dizendo.
(2)   Essa frase deveria ser traduzida como "no Espírito", enfatizando a inspiração divina que envolve a pronúncia de mistérios.
Não se refere a coisas misteriosas, mas a verdades divinas que ainda não foram reveladas.
Quem fala em línguas, a si mesmo se edifica – vs. 4. Sugere que a pessoa, ao falar numa língua que não é interpretada, recebe encorajamento e consolo pessoal por meio da experiência.
Paulo chega a desejar que todos pudessem falar em outras línguas (isso significa, por consequência, que nem todos falavam), mas preferia mesmo que ao invés disso, profetizassem.
O ponto principal da passagem se refere ao princípio de beneficiar as pessoas por meio de propósitos edificantes. Paulo coloca em prática o ensino que pregou: Deus concedeu diversidade de dons "visando a um fim proveitoso" (12.7).
Esses versículos – vs. 7 e 8 - ilustram o princípio mencionado no vs. 6. As pessoas só se beneficiam dos sons emitidos por instrumentos musicais quando estes entregam uma mensagem compreensível.
O falar em línguas não era proibido, mas o falar, por falar, sem amor, por apenas ostentação, não edificaria ninguém e deveria ser isso contido pelo possuidor dos dons, ou melhor ainda que o que falasse buscasse em oração a capacidade de interpretar. Sem minimizar a importância do dom de línguas, Paulo encoraja os coríntios a fazer uso desse dom como maneira de edificar a congregação.
Ele dizia que se o seu espírito orasse em línguas, o seu espírito oraria mesmo, mas a sua mente ficaria infrutífera. Mesmo que a experiência trouxesse algum benefício, a compreensão de Paulo não avançaria.
No próximo versículo, ele salienta que é melhor para os cristãos e para a igreja (vs. 12) receberem ambos os benefícios. Vejam a sua saída para esse dilema (“Então, que farei?” – vs. 15): orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.
Até o amém depois de uma ação de graças em outras línguas ficaria comprometido. Para participar do culto, os membros da congregação precisam ter a capacidade de concordar com a mensagem dos hinos entoados e das orações oferecidas.
A questão aqui se refere ao costume de expressar concordância por meio da expressão audível "amém" ou "assim seja". As pessoas não têm como participar responsavelmente do culto se não compreenderem o que está sendo dito.
Paulo chega a dar graças a Deus por falar mais em línguas do que todo mundo. E possível que alguns coríntios, para justificar a importância que davam ao falar em línguas, argumentavam que o próprio Paulo exercitava esse dom.
Embora não tenha negado esse tato, o apóstolo coloca o dom sob a perspectiva correta: “Instruir outros" é algo muito melhor.
Dos vs. 20-25, Paulo vem discutindo a função do dom de línguas entre os cristãos. Mas e quanto aos incrédulos que ouviam esses fenômenos? Os coríntios demonstravam falta de maturidade espiritual ao desconsiderar esse outro aspecto; então, Paulo os exorta dizendo, "Irmãos, não sejais meninos no juízo" (vs. 20).
Paulo cita as Escrituras para explicar as línguas. Ele apela à lei (isto é, ao Antigo Testamento) corno evidência de que Deus planejou usar as várias línguas humanas para servirem ao seu propósito.
Is 28.11 predisse o exílio de Israel por meio dos assírios, povo que falava uma língua estrangeira e isso se cumpriu por ocasião da queda de Samaria em 722 a.C.
Paulo relaciona esse episódio à maneira corno a igreja de Corinto utilizava o dom de línguas, pois a situação de Corinto era semelhante àquela do julgamento dos assírios sobre Israel.
Por meio de línguas gentias desconhecidas, Deus novamente usa gentios falando uma variedade de línguas como um sinal de desgosto com relação aos incrédulos.
Nesse sentido, as línguas que não são interpretadas "constituem um sinal" de julgamento "para os incrédulos" (vs. 22). No entanto, o objetivo dos coríntios é levar os incrédulos ao arrependimento e ao reconhecimento de que Deus está presente na igreja (vs. 25).
Visto que Deus usa palavras compreensíveis em suas profecias, visando cumprir seus propósitos, a profecia pode ser considerada corno um sinal “para os que creem" (isto é, como evidência da bondade de Deus para com a igreja. vs. 22).
4. O princípio de ordem na igreja (14.26-40).
Dos vs. 26-40, Paulo falará dos princípio da ordem. Paulo encerra a discussão sobre os dons espirituais ao tratar de vários aspectos específicos aos quais a igreja de Corinto precisava dar atenção com o objetivo de trazer ordem ao culto.
Paulo trata do culto corporativo da igreja em Corinto. Quando a igreja se reúne, todos (homens e mulheres) devem estar preparados para participar, de acordo com os dons do Espírito Santo e tudo sendo feito para edificação.
A regra básica era deixar falar em línguas, mas com ordem e que houvesse quem interpretasse. O interesse pela compreensão permeia todo o debate.
Dos vs. 29 ao 33, depois de ter dado as instruções para o exercício correto do dom de línguas, Paulo avança para outras diretrizes que afetam a ordem no culto público. Tendo salientado a importância da profecia, ele mesmo indica que até esse dom deve ser exercitado de maneira correta: "falem apenas dois ou três" 'durante o culto ou, talvez, em vários momentos deste) "e os outros" (provavelmente se referindo àqueles com o dom de profecia) "julguem" a mensagem e verifiquem a exatidão dela.
Parece que os coríntios estavam falando em línguas e profetizando, mas sem prestar atenção aos outros ou ao conteúdo das mensagens (12.2-3). Essa desordem, que representava outra ameaça à unidade do corpo, era incompatível com um Deus "de paz”.
Esses versículos – vs. 34 e 35 - têm gerado debates acalorados entre cristãos, em parte porque não sabemos a causa exata da natureza do problema que Paulo procura corrigir.
É sugerido (com base em evidências textuais duvidosas) que esses versículos não eram parte da carta original de Paulo. Em vista de 11.5 e outras informações no Novo Testamento (p. ex.. o vs. 26), pode-se afirmar com certeza que Paulo não estava estabelecendo uma proibição absoluta (isto é, proibindo as mulheres de falar na igreja em qualquer situação).
Será que Paulo estava tratando um problema específico da igreja de Corinto, como a desordem criada pelas mulheres durante o culto? Ou será que, em vista do contexto (vs. 29,32), estava se referindo a uma função especifica, como o julgamento das profecias, algo que as mulheres não deveriam participar (ou, mais restritamente, não deveriam julgar as profecias de seus respectivos maridos)?
Essa observação do vs. 36 e a seguinte, ambas bastante sarcásticas, indicam que Paulo não estava apenas fornecendo instruções gerais quanto ao culto; antes, demonstram que tratava de problemas reais e graves que haviam surgido por causa da arrogância dos coríntios.
Paulo apela em sua fala alegando que ela era mesmo mandamento do Senhor. Essa passagem considera as palavras da carta de Paulo como a palavra de Deus, demonstrando:
(1)   A autoridade divina na revelação escrita.
(2)   A correta inclusão das cartas de Paulo no cânon das Escrituras.
(3)   O papel dessas cartas como teste de validação para outras formas de revelação.
O vs. 38 diz que se alguém o ignorar, será ignorado. É possível que esse versículo seja uma advertência aos teimosos, indicando que seriam disciplinados por Paulo ou pela própria igreja (2Ts 3.14), porém a linguagem sugere que seriam julgados diretamente por Deus.
O conselho final era de que buscassem com zelo os dons espirituais, principalmente o de profetizar, mas jamais deveriam proibir o falar em línguas, sendo a regra geral máxima de que tudo fosse feito com decência e ordem.
I Co 14:1 Segui o amor
e procurai, com zelo,
                os dons espirituais,
                               mas principalmente que profetizeis.
I Co 14:2 Pois quem fala em outra língua
                não fala a homens,
                               senão a Deus,
                                               visto que ninguém o entende,
                                               e em espírito fala mistérios.
I Co 14:3 Mas o que profetiza
                fala aos homens,
                               edificando,
                               exortando
                               e consolando.
I Co 14:4 O que fala em outra língua
                a si mesmo se edifica,
mas o que profetiza
                edifica a igreja.
I Co 14:5 Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas;
                muito mais, porém, que profetizásseis;
                               pois quem profetiza é superior
                                               ao que fala em outras línguas,
                                                               salvo se as interpretar,
                                                               para que a igreja receba edificação.
I Co 14:6 Agora, porém, irmãos, se eu for ter convosco
                falando em outras línguas, em que vos aproveitarei,
                               se vos não falar por meio de revelação,
                               ou de ciência,
                               ou de profecia,
                               ou de doutrina?
I Co 14:7 É assim que instrumentos inanimados,
                como a flauta ou a cítara,
                               quando emitem sons, se não os derem bem distintos,
                               como se reconhecerá o que se toca na flauta ou cítara?
                I Co 14:8 Pois também se a trombeta der som incerto,
                               quem se preparará para a batalha?
I Co 14:9 Assim, vós, se, com a língua,
                não disserdes palavra compreensível,
                               como se entenderá o que dizeis?
                                               Porque estareis como se falásseis ao ar.
I Co 14:10 Há, sem dúvida, muitos tipos de vozes no mundo;
                nenhum deles, contudo, sem sentido.
I Co 14:11 Se eu, pois, ignorar a significação da voz,
                serei estrangeiro para aquele que fala;
                e ele, estrangeiro para mim.
I Co 14:12 Assim, também vós, visto que desejais dons espirituais,
                procurai progredir,
                               para a edificação da igreja.
I Co 14:13 Pelo que, o que fala em outra língua
                deve orar para que a possa interpretar.
I Co 14:14 Porque, se eu orar em outra língua,
                o meu espírito ora de fato,
                               mas a minha mente fica infrutífera.
I Co 14:15 Que farei, pois?
                Orarei com o espírito,
                               mas também orarei com a mente;
                cantarei com o espírito,
                               mas também cantarei com a mente.
I Co 14:16 E, se tu bendisseres apenas em espírito,
                como dirá o indouto o amém
                               depois da tua ação de graças?
                                               Visto que não entende o que dizes;
                                               I Co 14:17 porque tu, de fato, dás bem as graças,
                                                               mas o outro não é edificado.
I Co 14:18 Dou graças a Deus,
                porque falo em outras línguas mais do que todos vós.
                               I Co 14:19 Contudo, prefiro falar na igreja cinco palavras
com o meu entendimento,
                                               para instruir outros,
                                                               a falar dez mil palavras em outra língua.
I Co 14:20 Irmãos, não sejais meninos no juízo;
na malícia, sim, sede crianças;
quanto ao juízo, sede homens amadurecidos.
I Co 14:21 Na lei está escrito:
                Falarei a este povo por homens de outras línguas
                e por lábios de outros povos,
                e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.
                               I Co 14:22 De sorte que as línguas constituem um sinal
                                               não para os crentes,
                                                               mas para os incrédulos;
                mas a profecia não é para os incrédulos,
                               e sim para os que crêem.
I Co 14:23 Se, pois, toda a igreja se reunir no mesmo lugar,
e todos se puserem a falar em outras línguas,
                no caso de entrarem indoutos ou incrédulos,
                               não dirão, porventura, que estais loucos?
I Co 14:24 Porém, se todos profetizarem,
e entrar algum incrédulo ou indouto,
é ele por todos convencido e por todos julgado;
                I Co 14:25 tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração,
                e, assim, prostrando-se com a face em terra,
                               adorará a Deus,
                                               testemunhando que Deus está, de fato,
no meio de vós.
I Co 14:26 Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis,
                um tem salmo,
                outro, doutrina,
                este traz revelação,
                aquele, outra língua,
                e ainda outro, interpretação.
                               Seja tudo feito para edificação.
I Co 14:27 No caso de alguém falar em outra língua,
                que não sejam mais do que dois ou quando muito três,
                               e isto sucessivamente,
                                               e haja quem interprete.
                                                               I Co 14:28 Mas, não havendo intérprete,
                                                                               fique calado na igreja,
                                                                              falando consigo mesmo
e com Deus.
I Co 14:29 Tratando-se de profetas,
                falem apenas dois ou três,
                e os outros julguem.
I Co 14:30 Se, porém, vier revelação a outrem que esteja assentado,
                cale-se o primeiro.
I Co 14:31 Porque todos podereis profetizar,
                um após outro,
                               para todos aprenderem
                               e serem consolados.
I Co 14:32 Os espíritos dos profetas
                estão sujeitos aos próprios profetas;
                               I Co 14:33 porque Deus não é de confusão,
                                               e sim de paz.
Como em todas as igrejas dos santos,
                I Co 14:34 conservem-se as mulheres caladas nas igrejas,
                               porque não lhes é permitido falar;
                                               mas estejam submissas
como também a lei o determina.
I Co 14:35 Se, porém, querem aprender alguma coisa,
                interroguem, em casa, a seu próprio marido;
                               porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja.
I Co 14:36 Porventura, a palavra de Deus
                se originou no meio de vós
                ou veio ela exclusivamente para vós outros?
I Co 14:37 Se alguém se considera profeta ou espiritual,
                reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo.
I Co 14:38 E, se alguém o ignorar,
                será ignorado.
I Co 14:39 Portanto, meus irmãos,
                procurai com zelo o dom de profetizar
                e não proibais o falar em outras línguas.
                               I Co 14:40 Tudo, porém,
                                               seja feito com decência e ordem.
A profecia, a qual deve ser procurada com zelo, deve servir para edificação, exortação e consolação do irmão que está conosco na caminhada. Vemos portanto que a profecia não deve nos tornar mais especial no sentido de sermos agora “o profeta”, mas profetas do Senhor.
Os dons são distribuídos pelo Senhor a todos na igreja sempre visando o crescimento do corpo e devem ser desejados, buscados – em oração, conquistados e usados para o serviço que o Senhor nos comissionar visando sempre a sua glória.
Meu testemunho pessoal do falar em línguas.
Como eu disse é pessoal, portanto não tire daqui doutrinas, nem ensinamentos, mas ouça e julgue, pois falo a verdade em Cristo Jesus.
Minha esposa tinha dois problemas espirituais que me incomodavam e me fizeram falar de Cristo para ela. Um se tratava de que ela era fissurada por carnaval e eu, casado, não achava aquilo saudável em nosso relacionamento que se iniciava; outro problema, era que a mesma estava indo a um cemitério em Belém do PA, em busca de milagres.
Depois de formado (1986), fui transferido para Belém do PA e passei lá 6 anos de vida, os seis primeiros anos de nosso casamento que hoje (finalzinho de 2015) já dura quase 29 anos. Lá no Pará por influência de uma amiga é que ela estava com a mania de ir para cemitério orar pedindo graça a pessoas que eram “santas” e que morreram e que, supostamente, faziam milagres.
Ao testemunhar de Cristo para ela, lembro-me bem da primeira vez quando disse a ela que Cristo havia falecido com 33 anos de vida, ela se encantou. Foi amor à primeira vista. Apaixonou-se pelo Senhor e quis imediatamente procurar uma igreja evangélica e visitamos diversas igrejas até que fomos parar numa igreja batista, a Igreja Batista Central, cujo pastor é o amado Pr. Aluísio Laurindo da Silva que foi aquele que a batizou nas águas. Nessa igreja eu me reconciliei, no primeiro semestre de 1987.
Ela foi ao Senhor com muita sede e naquele ano de 1987, bem no final do ano fizemos uma campanha pessoal de 7 dias de culto doméstico pelo batismo no Espírito Santo – Lc 3.16; At 1.5.
Eram 3 horas da tarde daquele abençoado domingo de 29 de novembro de 1987. Curiosamente, 29/11, foi o 333º dia daquele ano (é óbvio que 29/11 será também o 333º dia de todos os anos não bissextos) e para o primeiro dia do próximo ano, ou seja, até 01/01/1988, faltavam exatos 33 dias!
Eu e minha esposa estávamos casados a menos de um ano, em dia, 316 dias de casados. Na época eu estava com 10.33? dias de vida (é somente fazer as contas: 11/08/1959 a 29/11/1987). No terceiro dia da campanha, eu estava com 10.333 dias de vida! Agora ficou fácil...
Foi repentinamente que aconteceu, foi incrível, jamais imaginei que isso pudesse ocorrer comigo e, pasmem, aconteceu o mesmo para nós dois ao mesmo tempo. É muita, muita coincidência para não falar outra coisa. Ah se fosse somente comigo... Não! Foi com os dois e juntos! Impressionante mesmo.
Para mim o que ocorreu, foi sobrenatural!
Donde já se viu a língua ficar, literalmente, fora de controle? Imagine você, por exemplo, que sua mão ou seu pé, ou outro de seu órgão, começasse a se movimentar sozinho, como se houvesse alguém dentro de você fazendo dele uso, pois foi assim que aconteceu com minha língua! Ela não parava de falar, falava, falava, uma língua num idioma para mim totalmente desconhecido. Eu me senti assim como se estivesse num cantinho, apenas vendo aquele mistério se desenrolando, mas isso não é tudo.
Foi me dada também em meu coração, em minha mente o entendimento (não me pergunte o como, pois eu não sei) de tudo o que minha língua falava. A voz audível, pronunciada pela minha língua, que minha esposa estava ali escutando era desconhecida para ela, mas em meu interior, tudo era revelado.
E as palavras eram palavras de exaltação, glorificação e agradecimentos a Deus. Incrível!
Você já passou por isso, mas sem perder a consciência e podendo, a qualquer hora, pelo seu exercício de sua vontade, interromper esse mistério que estava se desenrolando? Se você nunca passou por isso, como pode falar disso? Como pode julgar o que fala?
Afinal de contas, como começou isso tudo e o que se seguiu?  E minha esposa, ficou ali observando ou algo a envolveu também em grande mistério?
Aquele domingo de 29 de novembro de 1987 era o sétimo dia da campanha (mais uma curiosidade interessante: eu completei 10.333 dias de vida no 3º dia dessa campanha!) que nós dois resolvemos fazer buscando o que se chamava de batismo no Espírito Santo, conforme relatado na Bíblia, mais precisamente no Novo Testamento, em diversas passagens. Eu bem poderia, neste momento, enveredar-me por um caminho de demonstração bíblica exegética desse fenômeno, mas prefiro não fazê-lo, não agora.
Como eu estava falando, no sexto dia da campanha, brigamos por conta de um espírito de ciúmes e eu ainda fumava (pouca vergonha...). A briga ficou muito séria e minha amada ameaçou jogar fora a aliança, mas na hora do culto, conforme nossa programação de busca do batismo no Espírito Santo, resolvemos ceder e fazer o nosso culto doméstico de busca. Foi muito complicado, sem clima, nossos rostos e expressões faciais estavam carrancudas, mesmo assim, cantamos, louvamos, oramos. Ao término de nosso culto, ela foi dormir e eu fui para cozinha lavar louça e eu não parava de cantar uma canção cuja letra dizia:
1ª parte: "Eu te louvarei, Senhor, de todo meu coração. " (2x)
2ª parte: "Na presença dos anjos, a ti cantarei louvo-o-res " (2x)
Fui dormir na sala, enquanto minha esposa dormiu no quarto e a noite inteira louvei ao Senhor e isso se prolongou durante o dia daquele domingo até por volta das 3hs da tarde quando me aproximei dela, peguei o maço de cigarros que eu ainda usava, amassei-o juntamente com os cigarros, atirei-os longe e lhe disse que não fumaria mais a partir daquele momento.
Em seguida, meio ajoelhado, meio debruçado em seu colo, pedi-lhe perdão por tudo e comecei um ato simples de oração de agradecimento a Deus pela vida dela, pela minha vida, por aquele momento e foi nesse instante que, repentinamente (eu não estava sentindo nada, nada, nada mesmo, a não ser aquela manifestação de oração simples, despretensiosa de graças a Deus), fui tomado em línguas estranhas.
Minha esposa ao ver aquela cena e ouvir o que ouvia, abriu a sua boca e eu pude perceber que dos seus lábios somente saíram: “Meu Deus, ele está falando…” pronto, ela também entrou no mistério e ficamos ali naquele clima pentecostal por mais de 2 horas, ininterruptas. Aleluias, glórias a Deus!
Tem gente que diz que precisamos ficar repetindo palavras como “glória”, “glória”, “glória”, “glória” ... que logo haverá uma enrolação da língua e ... pronto,  passaremos a falar em línguas! Bem,  conosco não foi assim.
Tudo foi muito natural ... sobrenatural ...
Eu fiquei falando em línguas e muito contente com o dom recebido por umas duas semanas seguintes e depois parei de falar e até hoje não falo mais, no entanto, minha esposa continua a falar em línguas até hoje.
Agora sou pastor auxiliar no Ministério Mais de Deus e tenho esse blog, o Jamais Desista, uma loja virtual, Os Semeadores e uma WebRadio/TV Os Semeadores, tudo com fins evangelísticos e de missões.
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 115 dias para 20/04/16 (Inicio: 05/05/15). Tu, SENHOR, conservarás em perfeita paz aquele cujo propósito é firme; porque ele confia em ti. (Is 26.3).
A Deus toda glória! p/ pr. Daniel Deusdete.

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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.