sexta-feira, 3 de abril de 2015

Ezequiel 4:1-17 - ATOS PROFÉTICOS SIMBÓLICOS.

Para nos situarmos na leitura e não perdemos nosso foco, estamos estudando o livro de Ezequiel composto de 48 capítulos. Veja em nosso mapa de leitura, a seguir, que estamos no primeiro capítulo “I”, na primeira parte “A”, na segunda seção “2”:
I. JULGAMENTO SOBRE JUDÁ E JERUSALÉM (1.1-24.27).
A. A primeira série de visões, a vocação, os atos simbólicos e os discursos relacionados de Ezequiel (1.1-7.27).
1. Visão e vocação (1.1-3.27) – já vimos;
2. Os atos simbólicos (4.1-5.4) – começaremos agora;
3. Discursos relacionados (5.5-7.27). 
2. Os atos simbólicos (4.1-5.4).
Até ao verso 5.4, estaremos vendo os atos simbólicos. A resposta inicial de Ezequiel à sua vocação por Deus foi a realização de certo número de ações simbólicas inter-relacionadas que representavam o julgamento de Deus contra a cidade de Jerusalém.
São registradas quatro fases da ação: a primeira envolvia um tijolo de barro (4.1-3); na segunda, Ezequiel deitava-se sobre o seu lado (4.4-8); na terceira o alimento era cozido sobre excremento (4.9-17) e na quarta o cabelo era queimado (5.1-4). Seguiam-se mensagens intimamente relacionadas com esses atos (5.5-7.27). Assim, esses atos simbólicos, portanto, serão igualmente divididos em quatro partes: a. O tijolo de Barro (4.1-3); b. Deitar-se sobre o seu lado (4.4-8); c. Alimento racionado cozido sobre excremento (4.9-17); e, d. Cabelos queimados (5.1-4).
a. O tijolo de Barro (4.1-3).
Ezequiel ilustrou a sua mensagem usando um tijolo de barro; essas lições concretas são chamadas de "atos simbólicos" (cf. 1Rs 11.30; 22.11; 2Rs 13.17; Is 20.2-4; Jr 13.1-4; 19.1-10).
Reparem que essas ilustrações não foram iniciativas de Ezequiel, mas estava ele seguindo as orientações de Deus que lhe falava e lhe chamava de filho do homem.
Escavações em várias localidades da Mesopotâmia trouxeram à luz tijolos ou tabletes de barro com mapas ou desenhos arquitetônicos inscritos sobre eles.
Ezequiel retrata o cerco que seria estabelecido contra Jerusalém em 597 a.C., o qual levaria à sua destruição.
A assadeira de ferro - vs. 3 - tratava-se de uma grande grelha de ferro sobre a qual se assava pão. Uma vez que Ezequiel representava Deus nesse drama em miniatura, a assadeira de ferro colocada corno muro, representava a decisão de Deus de separar-se de Jerusalém.
As orações do seu povo não o alcançariam, e ele não interviria em favor dele.
b. Deitar-se sobre o seu lado (4.4-8).
Interessante este papel de representação de Ezequiel e a sua eficácia. Como não partia dele essa ideia, Deus sabia o que estava fazendo com seu profeta.
Ezequiel deitou-se sobre o seu lado por um período prolongado de tempo, primeiro sobre um lado – 390 dias, lado esquerdo - e depois sobre o outro – 40 dias, lado direito -, para ilustrar a duração dos julgamentos que se aproximavam.
Quando Israel pecou no deserto e aqueles espias trouxeram um relatório desanimador e desfavorável o que fez o povo perder a motivação e se afundar no pecado, Deus os puniu severamente da mesma forma, um dia por um ano que estiveram espiando a terra. Eles demoraram 40 dias e tiveram que amargar o deserto por 40 anos.
Aqui a soma do amargor está em 390 mais 40, ou seja, 430 anos.
Cada dia correspondia a um ano (cf. Nm 14.13; Dn 9.24-27). O período ou os períodos correspondentes a esses números devem ter sido consecutivos (para um total de quatrocentos e trinta anos) ou coincidentes (trezentos e noventa anos ao todo).
Alguns pensam que o total de trezentos e noventa anos reflete o julgamento pelo pecado de Israel desde a ocasião em que Israel ocupou Jerusalém ou desde a data em que o templo foi dedicado até a sua destruição. Outros consideram o total de quatrocentos e trinta anos como simbólico do tempo que Israel permaneceu no Egito (Êx 12.40-41).
A questão é ainda mais dificultada pela tradução da Septuaginta (a tradução grega do AT) que apresenta um total de apenas cento e cinquenta anos.
Vemos também nesses versos, a dupla natureza do ofício profético - representar Deus diante do povo e servir como mediador diante de Deus em favor do povo - é vista na segunda metade desse ato simbólico. Ezequiel representou o povo e carregou os seus pecados (cf. Êx :32.30-32; Rm 9.3).
Muito provavelmente, Ezequiel não permaneceu totalmente imobilizado por quatrocentos e trinta dias, mas apenas por um período não especificado de tempo durante cada dia; no mínimo, ele se levantava para alimentar-se (4.8-13) e para atender a outros negócios.
c. Alimento racionado cozido sobre excremento (4.9-17).
Dos versos 9 ao 17, temos o alimento racionado cozido sobre excremento. Prosseguindo com a sua representação simbólica da destruição de Jerusalém, Ezequiel subsistiu com rações de fome durante a sua encenação do cerco de Jerusalém (Dt 28.52-57; 2Rs 6.25; 7.12; Jr 15.2; 19.9).
Ele deveria apanhar trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho miúdo, e espelta (um tipo de grão também conhecido como trigo vermelho) e metê-los numa só vasilha para com eles fazer pães para serem comidos em rações diárias conforme o número dos dias que estivesse deitado sobre o seu lado.
A porção diária seria racionada, vinte ciclos, cerca de 230 g de pão de farinha mista por dia. E também a água seria a sexta parte de um him, ou um quartilho, ou 3,47 litros, a serem bebidos de tempos em tempos.
O processo deveria ser feito na forma de bolo a ser comido e assado sobre excremento humano. Deus estava dizendo para eles comerem assim o seu pão imundo entre as nações para onde os tinha lançado.
Os requintes de pureza cerimonial eram absolutamente impossíveis de serem observados durante um cerco, mesmo para um sacerdote como Ezequiel.
O excremento humano era considerado impuro (Dt 23.13), e Ezequiel sentiu-se repugnado com a ordem de Deus, protestando que ele nunca havia violado as leis dietéticas (44.31; Êx 22.31; Lv 7.19-24; 11.8,39-40; 22.8; Dt 14.3,8).
Deus permitiu que ele aquecesse a sua comida usando esterco de gado, ainda hoje um combustível amplamente utilizado em algumas partes do Oriente Próximo; comparar com 2Rs 18.27.
Ez 4:1 Tu pois, ó filho do homem,
toma um tijolo, e pô-lo-ás diante de ti,
e grava nele uma cidade, a cidade de Jerusalém;
Ez 4:2 e põe contra ela um cerco,
e edifica contra ela uma fortificação,
e levanta contra ela uma tranqueira;
e coloca contra ela arraiais,
e põe-lhe aríetes em redor.
Ez 4:3 Toma também uma sertã de ferro,
e põe-na por muro de ferro entre ti e a cidade;
e olha para a cidade, e ela será cercada,
e tu a cercarás;
isso servirá de sinal para a casa de Israel.
Ez 4:4 Tu também deita-te sobre o teu lado esquerdo,
e põe sobre ele a iniqüidade da casa de Israel;
conforme o número dos dias em que te deitares
sobre ele, levarás a sua iniqüidade.
Ez 4:5 Pois eu fixei os anos da sua iniqüidade,
para que eles te sejam contados em dias,
trezentos e noventa dias;
assim levarás a iniqüidade da casa de Israel.
Ez 4:6 E quando tiveres cumprido estes dias,
deitar-te-ás sobre o teu lado direito,
e levarás a iniqüidade da casa de Judá;
quarenta dias te dei, cada dia por um ano.
Ez 4:7 Dirigirás, pois, o teu rosto para o cerco de Jerusalém,
com o teu braço descoberto;
e profetizarás contra ela.
Ez 4:8 E eis que porei sobre ti cordas;
assim tu não te voltarás dum lado para o outro,
até que tenhas cumprido os dias de teu cerco:
Ez 4:9 E tu toma trigo, e cevada, e favas, e lentilhas, e milho miúdo,
e espelta, e mete-os numa só vasilha,
e deles faze pão.
Conforme o número dos dias que te deitares sobre o teu lado,
trezentos e noventa dias, comerás disso.
Ez 4:10 E a tua comida, que hás de comer,
será por peso, vinte siclos cada dia;
de tempo em tempo a comerás.
Ez 4:11 Também beberás a água por medida,
a sexta parte dum him; de tempo em tempo beberás.
Ez 4:12 Tu a comerás como bolos de cevada,
e à vista deles a assarás sobre o excremento humano.
Ez 4:13 E disse o Senhor:
Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo,
entre as nações, para onde eu os lançarei.
Ez 4:14 Então disse eu:
Ah Senhor Deus! eis que a minha alma não foi contaminada:
pois desde a minha mocidade até agora jamais comi
do animal que morre de si mesmo,
ou que é dilacerado por feras;
nem carne abominável entrou na minha boca.
Ez 4:15 Então me disse:
Vê, eu te dou esterco de bois em lugar de excremento de homem;
e sobre ele prepararás o teu pão,
Ez 4:16 Disse-me mais:
Filho do homem, eis que quebrarei o báculo de pão em Jerusalém;
e comerão o pão por peso, e com ansiedade;
e beberão a água por medida, e com espanto;
Ez 4:17 até que lhes falte o pão e a água,
e se espantem uns com os outros,
e se definhem na sua iniqüidade.
A sentença de Deus contra eles era muito severa e Ezequiel era o profeta que estava levando aquelas palavras, em formas simbólicas, ao povo no exílio.
Deus estava quebrando o báculo de pão em Jerusalém, ou seja, ele estava tirando o sustento de pão em Jerusalém e o que fossem comer, comeriam por peso e com ansiedade; beberiam por medida e com espanto, certos de que o que estava pouco iria mesmo acabar. Irão se definhar na fome e na sede; irão se espantar uns com os outros e na iniquidade irão se definhar.
p.s.: link da imagem original:
Contagem regressiva: Faltam 123 dias para 04/08/2015, quando eu irei concluir a Segmentação de toda a Bíblia.

A Deus toda glória! p/ Daniel Deusdetehttp://www.jamaisdesista.com.br
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No entanto, lembre-se de juntar Cl 3:17 com 1 Co 10:31 :
devemos tudo fazer para a glória de Deus e em nome de Jesus! Deus o abençoe.